terça-feira, 23 de setembro de 2014




O currículo de Escola Dominical CPAD é um aprendizado que acompanha toda a família. 
A cada trimestre, um reforço espiritual para aqueles que desejam edificar suas 
vidas na Palavra de Deus. Neste 4º trimestre de 2014, estudaremos: Integridade Moral e Espiritual.
Comentário das lições será feito por: Elienai Cabral

Sumário:
1- Daniel, Nosso “Contemporâneo”
2- A Firmeza do Caráter Moral e Espiritual de Daniel
3- O Deus que Intervém na História
4- A Providência Divina na Fidelidade Humana
5- Deus Abomina a Soberba
6- A Queda do Império Babilônico
7- Integridade em Tempos de Crise
8- Os Impérios Mundiais e o Reino do Messias
9- O Prenúncio do Tempo do Fim
10- As Setenta Semanas
11- O Homem Vestido de Linho
12- Um Tipo de Futuro Anticristo
13- O Tempo da Profecia de Daniel

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

O Perigo da Busca pela Autorrealização Humana - Ev. José Roberto A. Barbosa

O PERIGO DA BUSCA PELA AUTORREALIZAÇÃO HUMANA

Texto Áureo Tg. 4.10 - Leitura Bíblica Tg. 4.1-10
Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa

www.subsidioebd.blogspot.com

INTRODUÇÃO

A sociedade moderna está impregnada pela ideia do sucesso, muitas vezes alcançado a qualquer custo, sem qualquer consideração ética, mais que isso, sem o aval divino. Na aula de hoje estudaremos a respeito dos perigos da busca desenfreada pela autorrealização pessoal, ressaltando, sobretudo, as implicações que essa pode trazer, quando distanciadas dos princípios divinos. Destacaremos, na aula de hoje, que a autorrealização pressupõe uma ética, e que essa deve se respaldar nos princípios cristãos.

1. A AUTORREALIZAÇÃO HUMANA

Nas livrarias os livros que mais são vendidos são aqueles que motivam à autorrealização,
esses são comumente reconhecidos como “autoajuda”. Isso porque se fundamentam na concepção de sucesso,
independentemente de Deus. O mundo empresarial comprou essa concepção, que é considerada normal em um contexto no qual Deus se tornou desnecessário.
 Em consonância com Tiago, devemos ter cuidado com a competitividade exacerbada que predomina nos mundo dos negócios, e que, às vezes, está sendo adotado dentro das igrejas. As desavenças no âmbito eclesiástico não têm o respaldo divino (Tg. 4.1).
 As invejas e cobiças estão sendo colocadas em um patamar que os outros deixam de ser considerados. Há até aqueles que oram com intento de satisfazerem suas vaidades (Tg. 4.3). Devemos tomar cuidado com essas orações, na maioria das vezes elas refletem os desejos mais ocultos, e em alguns casos, sentimentos de ganância. Alcançar determinados espaços não pode ser a razão de ser, a competitividade também tem limites, o respeito ao próximo continua sendo o padrão ético de Jesus (Mt. 22.37).
 Paulo, em consonância com a mensagem de Tiago, nos orienta a deixar morrer nossos membros, para não sermos controlados pelas nossas paixões (Cl. 3.5-9).
 Não há limite para a cobiça, em uma sociedade de consumo, quanto mais se tem mais se quer. A propaganda incita à inveja, a buscar primeiro nossos interesses, e colocar os outros em segundo plano, inclusive o reino de Deus. Mas Jesus nos ensina que devemos colocar o reino de Deus primeiro, e as coisas necessárias nos serão acrescentadas (Mt. 6.33). Como o salmista, nosso maior desejo deve ser agradar a Deus, Ele precisa ser sempre nosso maior anelo (Sl. 63.1). Devemos lembrar sempre que o cristianismo nada tem a ver com esses padrões absorvidos pela sociedade. A igreja precisa ser diferente, não apenas no modo de vestir, mas também em seu proceder. Como bem destacou Kierkegaard, “no dia que o cristianismo e o mundo se tornarem amigos, o cristianismo deixará de existir”.

2. O PERIGO DA AUTORREALIZAÇÃO

Esse sistema de autorrealização em que os fins justificam os meios não é cristão, é diabólico. Não devemos esquecer que o mundo jaz no maligno (I Jo. 5.19) e que Satanás, o deus deste século, cegou o entendimento das pessoas (II Co. 4.4). Destacamos algumas das tendências atuais: valorização do temporário em detrimento do eterno (I Co. 7.32,33),
 a cobiça dos olhos, através da ostentação de bens, que alimenta a soberba da vida, não provém de Deus (I Jo. 2.16); e o desejo desenfreado de ter sempre mais, ao ponto de perder a própria vida (Mt. 16.26; Lc. 9.25).
 A parábola contada por Jesus, a respeito do rico insensato, deve servir de alerta a todos aqueles que se entregam desordenadamente aos interesses mundanos (Lc. 12.19-21). Muitas pessoas estão trocando o tesouro celestial, que a traça não corrói nem a ferrugem o atinge, pelos tesouros terrenos (Mt. 6.21).
 Tenhamos cuidado para não nos deixar levar pelo pensamento da maioria, nem sempre a voz do povo é a voz de Deus, como se costuma dizer. Fomos alcançados pela graça de Deus, e essa nos reclama a um modo de viver diferenciado, que não se pauta pelo mundanismo (Tt. 2.11,12).
 Os valores deste mundo nada têm a ver com os princípios da Palavra de Deus (I Jo. 2.15). Enquanto que a sociedade exalta aqueles que conseguiram “vencer na vida”, a mensagem evangélica diz “Deus resiste aos soberbos, dá, porém, graça aos humildes” (Pv. 3.34; Tg. 4.6).
 Existe um ranking daqueles que são considerados os mais ricos do mundo, e esse é divulgado todos os anos pelas principais revistas internacionais. Mas será que esses mesmos ricos podem ser considerados assim do ponto de vista de Deus? Os critérios do Senhor em relação ao sucesso são diferentes daqueles apregoados pelo mundo dos negócios. Na perspectiva divina o modelo de sucesso é o de Jesus, que se esvaziou, tomando a forma de servo, de igual modo, devemos considerar sempre os outros superiores a nós mesmos (Fp. 2.3).
 A fé cristã não exalta, ou pelo menos não deveria, aqueles que conseguiram seu “lugar ao sol”. A preocupação dos cristãos, como foi a de Cristo, deve ser com aqueles que se encontra em condição de vulnerabilidade. O auxílio aos mais pobres é uma missão a ser perseguida por todos os cristãos,
 levando às pessoas o evangelho integral, que percebe tanto o corpo quanto o espírito.

3. O EQUILIBRO NAS REALIZAÇÕES

A busca pela realização pessoal necessariamente não é pecado, todas as pessoas podem estudar, também comercializar, mas a soberba não deve ser o fundamento de qualquer empreendimento. Em tudo que fazemos devemos estar debaixo da sujeição de Deus, nada temos ou podemos ter sem que Ele nos permita. Ao invés de seguir os ditames deste mundo tenebroso,
 devemos ouvir a Palavra de Deus, e escolher ir após Jesus, como seus discípulos (Mt. 16.24-28). Para isso precisamos resistir ao diabo, revestindo-nos de toda armadura de Deus (Ef. 6.10-18), não nos dobrando aos seus ardis (Tg. 4.7; I Pe. 5.7,8).
 Quando mais nos aproximamos de Deus, mais nos distanciamos do alcance de Satanás (Tg. 4.8). O autor de Hebreus nos chama à aproximação de Deus, com um coração sincero e repleto de fé (Hb. 10.22). A adoração ao Senhor é o caminho por meio do qual nos achegamos ao trono da graça, o próprio Deus busca adoradores, que o fazem em espírito e em verdade (Jo. 4.24).
 É nessa disposição que podemos trabalhar, estudar e fazer qualquer coisa, tudo na fé em Cristo Jesus, que a todos abençoa (I Co. 10.31-33; II Tm. 3.16; I Pe. 2.9).
 Os cristãos não podem fazer parte do mundo (satânico), mas estão no mundo (físico) a fim de atrair o mundo (pessoas) para Deus. Nessa missão, devemos ter cuidado para não sermos engodados pelos padrões que podem nos distanciar de Deus. Não precisamos entrar nessa competitividade doentia, confiemos no Senhor, assim como fez Abraão (Gn. 13.8).
 Os cristãos não estão impedidos de estudarem, buscar promoções no trabalho, mas estão limitados pela ética bíblica. Atitudes que envergonham o evangelho não deve ser utilizadas para se alcançar determinado fim. As mãos dos cristãos devem estar limpas, nada de duplo ânimo, isto é, procedimentos contraditórios (Tg. 4.8).
 Não somos cristãos apenas durante o período que estamos dentro do templo, mas em todos os momentos da vida, vinte e quatro horas por dia.

CONCLUSÃO

Mas para aqueles que se arredaram com o pecado, Tiago nos traz uma mensagem de esperança. É preciso sentir a miséria da condição de distanciamento de Deus, e lamentar o desejo de autorrealização fora dos padrões bíblicos.
 A conversão é uma possibilidade, que se concretiza na vida daqueles que abandonam o orgulho.
 O sucesso, como um fim em si mesmo, não tem respaldo escriturístico.
 A advertência de Jesus nesse sentido é enfática: “Ai de vós, que estais fartos, porque tereis fome, ai de vós, o que agora rides, porque vos lamentareis e chorareis” (Lc. 6.25).

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

A Verdadeira Sabedoria se Manifesta na Prática - Ev. Isaías de Jesus

A Verdadeira Sabedoria se Manifesta na Prática - Ev. Isaías de Jesus

EBDweb, Escola Dominical na WebAtualizado hoje.

TEXTO ÁUREO = "Quem dentre vós é sábio e inteligente? Mostre, pelo seu bom trato, as suas obras em mansidão de sabedoria" (Tg 3.13).
VERDADE PRÁTICA = A verdadeira sabedoria não se manifesta na vida do crente através do discurso, mas das obras.
LEITURA BÍBLICA  = Tiago 3.13-18 INTRODUÇÃO O saber humano é limitado, falho, e mutável a cada ano que passa. Entretanto, a sabedoria que vem da parte de Deus, é ilimitada, perfeita e imutável, consubstanciada na Sua Palavra, que permanece para sempre, capacitando o crente fiel a saber conduzir-se ante as mais difíceis situações, de modo surpreendente, diante de Deus e dos homens.Na sua discussão quanto à sabedoria no seu aspecto global, Tiago afirma existirem dois tipos de sabedoria: a sabedoria proveniente de Deus, "a sabedoria que vem do alto" (v.17), e a sabedoria "terrena", a sabedoria "animal", própria do homem natural. Ao estabelecer a diferença entre ambas, o apóstolo desafia os seus leitores, bem como a todos os crentes, hoje, a se empenharem na conquista da verdadeira sabedoria, a divina, que procede do alto.CONCEITOS DE SABEDORIA1.
Sob o ponto de vista humano. Sabedoria significa "grande conhecimento, erudição, saber, ciência, conhecimento justo das coisas, razão". Esse é o aspecto positivo da concepção humana de sabedoria. Há, também, o sentido negativo, segundo o qual, sabedoria é "esperteza, astúcia, manha". Daí, alguém dizer:"Fulano é muito sabido...".2. Sob o ponto de vista bíblico.a) É guardar os mandamentos do Senhor. Moisés, exortando o povo de Israel, sobre o cumprir os mandamentos do Senhor, disse: "Guardai-os, pois, e fazei-os, porque esta será a vossa sabedoria e o vosso entendimento perante os olhos dos povos que ouvirão todos estes estatutos e dirão: Só este grande povo é gente sábia e entendida" (ver Dt 4.1-6). Para Deus, sábio é quem Lhe obedece.b) É saber calar (Jó 13.5). O patriarca disse aos seus amigos, que se eles tivessem ficado calados, isso seria a sua sabedoria. "Até o tolo, quando se cala, será reputado por sábio; e o que cerrar os seus lábios, por sábio" (Pv 17.28). Tiago considera impossível domar a língua (Tg 3.8). Entretanto o sábio segundo Deus cala-se, quando for tempo de calar (Ec 3.7b).c) É temer a Deus. No livro de Jó está escrito: "Mas disse ao homem: Eis que o temor do Senhor é a sabedoria, e apartar-se do mal a inteligência" (Jó 28.28). Para Deus, o sábio é aquele que teme ao Senhor, ou seja, que tem respeito profundo ao Criador. Salomão disse: "O temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e a ciência do Santo, a prudência" (Pv 9.10).d) É dom do Espírito Santo. Deus dá dons aos crentes, como "manifestação do Espírito", "a cada um para o que for útil". "Porque a um, pelo Espírito, é dada a palavra da sabedoria" (1 Co 12.7,8a). O dom da palavra da sabedoria é "parte da sabedoria de Deus dada ao homem; opera no saber, na pregação, no aconselhamento, nas emergências, na separação de obreiros e na administração". Quantos problemas e desastres têm ocorrido em muitas igrejas, que se esfacelam ou sobrevivem a duras penas, por falta desse dom.
A SABEDORIA DO MUNDOA "sabedoria" enfocada neste ensino de Tiago, nada tem a ver com o conhecimento que resulta da formação acadêmica ou com a que decorre da experiência de vida ao alcance de todos os homens. Tiago está falando aqui da "sabedoria" que ensina ao homem viver para si mesmo e não para Deus. É a que traz em seu bojo a inveja, a contenda, a divisão, a perturbação da paz. Tal "sabedoria" é própria do homem sem Deus. Deste modo, a sabedoria segundo o mundo "é terrena, animal e diabólica" (v.15).
As suas conseqüências são:1. Amarga inveja (v.14). Quanto desse fruto nocivo é encontrado em nossas igrejas!
A inveja do progresso material de um irmão ou do seu crescimento espiritual ou posicional dentro da igreja, por exemplo.
A inveja por parte de alguns daqueles que exercem cargos de liderança na igreja tem perturbado bastante o desenvolvimento da obra de Deus.Na vida do rei Saul encontramos a manifestação devastadora do ciúme e da inveja.Para Saul era inconcebível que as mulheres em Jerusalém cantassem: "Saul feriu os seus milhares, porém Davi os seus dez milhares.
Então Saul se indignou muito, e aquela palavra pareceu mal aos seus olhos, e disse: Dez milhares deram a Davi, e a mim somente milhares: na verdade, que lhe falta, senão só o reino?" (1 Sm 18.7,8). O que Saul não sabia era que ele mesmo, e não Davi seria a vítima da sua atitude de inveja e ciúmes.
O que começou com uma aparente "inocente" atitude de ciúme desdobrou-se em raiva e conseqüente tentativa de assassinato, e com tudo isso, o temor: "E temia Saul a Davi, porque o Senhor era com ele e se tinha retirado de Saul" (I Sm 18.12).2. Sentimento faccioso (v.14). 
O espírito de facção no seio da comunidade cristã é de inspiração diabólica.
O Espírito de Deus nada tem a ver com as divisões e partidarismos eventualmente surgidos na Igreja de Jesus Cristo. Para muitos crentes, hoje, a glória é pertencer a esta ou àquela igreja, a este ou àquele ministério, enquanto que para eles os demais crentes são cristãos de segunda categoria.Isto é um desserviço ao reino de Deus e uma forma de rompimento dos sagrados laços do amor fraternal.
Esta tendência de criar facções e partidos dentro da Igreja de Jesus Cristo não é tão recente como alguns possam imaginar. Já nos primórdios da Igreja havia aqueles que estufavam o peito e arrogantemente diziam: "Eu sou de Paulo; e outro: Eu de Apolo..." (I Co 3.4).A esses o apóstolo Paulo censurou veementemente: "Ainda sois carnais. Pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois porventura carnais, e não andais segundo os homens?... Porventura não sois carnais?" (I Co 3.3,4).O resultado quando damos corda a estes dois aspectos da sabedoria "terrena, animal e diabólica" (v.15), é a "perturbação e toda a obra perversa" (v.16).
CARACTERÍSTICAS DA SABEDORIA CARNAL (vv.14-16)1. Tem amarga inveja. O sábio carnal é dominado pela inveja.
Ele fica perturbado e revoltado com o sucesso alheio. Sua sabedoria só abrange as coisas carnais e humanistas, é de natureza baixa (v.15). 2. Sentimento faccioso. É sentimento de divisão, de grupos e grupelhos, de "panelinhas".
Essa sabedoria só faz mal à obra do Senhor.3. É terrena. Já vimos que a sabedoria excelente é a que vem do alto.
A sabedoria carnal é terrena e só serve para as coisas desta vida.4. Animal. É sabedoria dominada pela natureza carnal, não-convertida, que não tem a virtude do Espírito Santo.5. Diabólica. Na sabedoria que não é de Deus, o Diabo procura ocasião, para causar inveja, espírito faccioso e "perturbação e toda obra perversa" (v.16).
O SÁBIO E INTELIGENTE SEGUNDO A BÍBLIA1. Aquele que tem bom trato (v.13). Isto se refere ao crente que tem bom procedimento, boas maneiras e modos no relacionamento com as outras pessoas. É qualidade muito necessária em nossos dias, quando, em face do frenesi que domina a sociedade, pessoas, mesmo na igreja, tornam-se agressivas, grosseiras, mal-educadas, causando problemas de relacionamento. Infelizmente, até obreiros têm-se perdido nesse ponto. O crente sábio tem bom trato. Paulo aconselha que devemos considerar cada um superior a nós mesmos (Fp 2.3).2. Aquele que tem obras de mansidão de sabedoria (v.13b). Isto fala do crente que cultiva a mansidão de modo sábio, consciente e não por medo ou covardia. Ele sabe que é melhor ser manso do que agressivo, pois, assim, glorifica a Deus e evita muitos dissabores. Mansidão é fruto do Espírito ((II 5.22).
O Mestre disse: "...aprendei de" mim, que sou manso e humilde de coração..." (Mt II .2')).3. Aquele que vê o mal e esconde-se. Em Pv 22.3, lemos: "O avisado vê o mal e esconde-se; mas os simples passam e sofrem a pena". Esconder-se do mal é ser sábio, O jovem sábio é aquele que "foge dos desejos da mocidade" (2 Tm 2.22).4. Aquele que ganha almas. ". ..o que ganha almas sábio é" (Pv 11. 30b). O sábio, no conceito mundano, é aquele que ganha muito dinheiro, de preferência com esperteza e ilicitude. Ou aquele que possui graus acadêmicos superiores. Para Deus, no entanto, o verdadeiro sábio é aquele que se esforça para ganhar almas.

A SABEDORIA QUE VEM DO ALTO
Já estudamos que "toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação" (Tg 1.17).
Estudamos também que se alguém "tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada" (Tg 1.5).Portanto, há uma sabedoria superior, que vem do alto, procedente de Deus, para tantos quantos a busquem sinceramente, "não duvidando" (Tg 1.6).Os realmente sábios detentores desta sabedoria singular mostram-na "pelo seu bom trato as suas obras em mansidão de sabedoria" (Tg 3.13).De acordo com o ensino de Tiago, a verdadeira sabedoria, aquela que vem do alto(Tg 3.17), é:
1. Pura. A pureza se constitui num dos aspectos da perfeição divina e de tudo quanto se relaciona a ela.
O termo grego aqui empregado para a palavra "pura ‘ é agné, e geralmente está associada com purificação cerimonial. A purificação cerimonial era uma exigência do culto no judaísmo para agradar a Deus.
Uma pessoa impura não podia participar dele. Até aqueles que eram designados para conduzir os vasos do Senhor tinham que ser puros (Is 52.11).
A sabedoria do alto é cerimonialmente pura, não está contaminada pelas imundícias que desagradam a Deus. Procedentes de Deus ela não está à sua inteira disposição para que seja aplicada naquilo que contribui para cumprimento do Seu desígnio.
2. Pacífica. Ao contrário da sabedoria do alto, que é pacífica, a sabedoria diabólica produz "perturbação e toda a obra perversa". O termo eiréne aqui traduzido por "paz" e "pacífica" designa um estado de ordem de segurança e isenção de ódios.Nenhum verdadeiro seguidor de Jesus Cristo usará da sabedoria do alto a qual Deus lhe confiou, para prejuízo de alguém; tampouco usará da influência de sua liderança para prejudicar o amor e a harmonia entre os filhos de Deus. Uma pessoa dominada pela sabedoria de Deus projetará isto no seu relacionamento com os seus semelhantes. Aqui jaz a bem-aventurança do pacificador (Mt 5.9).
3. Tratável. 
O termo sugere gentileza, uma forma de cavalheirismo com as pessoas. Infelizmente existem muitas pessoas e não poucos cristãos que não são tratáveis, pelo contrário: são agressivos, grosseiros, maldosos, rancorosos.  Alguns confundem franqueza com má educação, e convicção cristã irremovível com intransigência.
A violência verbal e os ataques de alguns cristãos mostram que nada aprenderam do Cristo manso e humilde de coração (Mt 11.29).Cristãos coléricos, irados contra aqueles que deles discordam, constituem-se uma ofensa ao evangelho.
É o amor à verdade ou o ego ferido que prevalece? A sabedoria do alto não é truculenta, pelo contrário, ela nos leva a zelar pela reputação do nosso semelhante.
4. Cheia de misericórdia e de bons frutos. Aqueles que possuem a sabedoria divina e por ela se deixam conduzir, têm profundo interesse pelos que sofrem, e estão prontos a ajudar-lhes a levar as cargas.
A insensibilidade para com o sofrimento alheio não é própria de quem provou em sua vida a compaixão e misericórdia de Deus. Neste caso não basta ser misericordioso para com os que sofrem, é necessário ser possuidor de bons frutos. Frutos, aqui, é a demonstração do cristianismo através das ações.
5. Imparcial. Onde a sabedoria divina está presente não há preferência por determinadas pessoas em detrimento de outras.
Agir com parcialidade é uma forma de discriminação, e, como já estudamos, Deus condena a acepção de pessoas.
Qualquer tipo de preferência por uma pessoa, porque ela é culta, rica e de boa posição social, em detrimento de outras, que não usufruem de iguais privilégios, não é, por certo, de inspiração divina. 
6. Sem hipocrisia. Aqueles que amam e detêm a verdadeira sabedoria de Deus, aborrecem a hipocrisia; evitam ceder à tentação de demonstrar bondade teatral.
Tais indivíduos, através de seus gestos e atos de bondade, buscam agradar a Deus, e não aos homens.Três das características da sabedoria divina, à disposição do crente, são encontradas nas bem-aventuranças proferidas por Jesus:Pura: "Bem-aventurados os puros de coração..." (Mt 5.8).Pacífica: "Bem-aventurados os pacificadores..." (Mt 5.9).Cheia de misericórdia: "Bem-aventurados os misericordiosos..." (Mt 5.7)."A sabedoria é a coisa principal: adquire, pois, a sabedoria; sim, com tudo o que possuis adquire o conhecimento.
Exalta-a, e ela te exaltará; e, abraçando-a tu, ela te honrará. Dará à tua cabeça um diadema de graça, e uma coroa de glória te entregará" (Pv 4.7-9).

sábado, 23 de agosto de 2014

O CUIDADO COM A LÍNGUA

LIÇÃO 08 - O CUIDADO COM A LÍNGUA - 3º TRIMESTRE 2014(Tg 3.1-12)
INTRODUÇÃOVeremos nesta lição os ensinamentos do apóstolo Tiago quanto ao uso da língua. E estudaremos sobre o poder que há neste pequeno órgão; e a força tanto destruidora como abençoadora que podem fluir deste minúsculo membro (Tg 3.1-12). Há um provérbio inglês que diz: "Tu és senhor da palavra não dita; a palavra dita é teu senhor". Por isso, Davi orava a Deus e pedia: "Põe, Senhor, uma guarda à minha boca; vigia a porta dos meus lábios!" (SI 141.3). Tiago se expressa com veemência sobre o poder das nossas palavras negativas, quando diz que a língua usada da forma errada é "um mundo de iniquidade"; que "contamina a pessoa por inteiro, incendeia todo o curso de sua vida, sendo ela mesma incendiada pelo inferno"; e, que ela é "um mal incontrolável, cheio de veneno mortífero" (Tg 3.6,8).
I - A CARTA DE TIAGO E O USO DA LÍNGUATiago demonstrou preocupação com os pecados da língua desde o início de sua carta (Tg 1.19; 26). Aqui, no capítulo 3, ele deixa claro que, a exemplo da fé que não evidencia obras generosas, a língua também pode demonstrar uma falta de transformação pelo Amor de Deus. A Bíblia nos mostra que a língua pode ser um instrumento de bênção ou de destruição. Salomão, em Provérbios 6.16-19, elenca seis pecados que Deus aborrece e um que a alma de Deus abomina. Dos sete pecados, três estão ligados ao pecado da língua: "a língua mentirosa, a testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia contendas entre irmãos". Devemos ter muito cuidado com isso, pois as palavras podem dar vida ou matar: "A morte e a vida estão no poder da língua..." (Pv 18.21); "A língua deles é uma flecha mortal" (Jr 9.8). Jesus disse que é a língua que revela tudo que há no coração (Mt 12.34-37), e ainda ensinou que o que sai da boca contamina o homem (Mt 15.11), e reflete o conteúdo do coração (Mt 15.18-19).
II - O PODER QUE HÁ NA LÍNGUA EM TIAGO 3.3-12Tiago compara a língua com um cavalo sem freios, com um navio sem leme que pode bater nas rochas, com uma fagulha que incendeia uma floresta, com uma fonte contaminada, com uma árvore que produz frutos venenosos, com um mundo de iniquidade e com uma fera indomável. Assim como o freio determina a direção ao cavalo, e o leme, ao navio, também a língua pode determinar o destino do indivíduo. Vejamos:2.1 A língua tem o poder de dirigir (controlar) (Tg 3.3,4). A língua tem o poder de dirigir tanto para o bem como para o mal. Tiago usa duas figuras para mostrar o poder da língua: "o freio e o leme". Para que serve um cavalo indomável e selvagem? Um animal indócil não pode ser útil, antes, é perigoso. Mas, se você coloca freio nesse cavalo, você o conduz para onde você quer. Através do freio a inclinação selvagem é subjugada, e ele se torna dócil e útil. Tiago diz que a língua é do mesmo jeito. Se você consegue controlar a sua língua, também conseguirá dominar os seus impulsos, a sua natureza e canalizar toda a sua vida para um fim proveitoso (LOPES, 2006, p. 62).2.2 A língua tem o poder de destruir (Tg 3.5-8). Tiago lança mão de outras duas figuras "o fogo e o veneno". Ele diz que uma fagulha pequena incendeia toda uma floresta. Assim como o fogo cresce, espalha, fere, destrói, provoca sofrimento, prejuízo e destruição, assim também é o poder da língua. O que Tiago está querendo nos alertar é que a língua tem o poder do fogo, o poder de destruir. Como o fogo destrói, também a língua destrói. A picada de um escorpião ou de uma cobra pode ser tratada, mas muitas vezes, o veneno da língua é incurável (Ídem, 2006, p. 63).2.3 A língua tem o poder de deleitar (Tg 3.9-12). Tiago disse que a língua tem o poder de dirigir e citou dois exemplos: o freio e o leme. Também disse que a língua tem o poder de destruir e exemplificou com o fogo e o veneno. Mas, agora, Tiago fala que a língua tem, também, o poder de deleitar e citou mais dois exemplos:"uma fonte e uma árvore". A fonte é um lugar onde os sedentos, os cansados chegam e encontram alento, vida, força, ânimo e coragem para prosseguirem a caminhada da vida. Assim uma palavra boa: traz alento em meio ao cansaço; traz esperança em meio ao desespero; traz vida no portal da morte (Ídem, 2006, p. 67). Tiago compara também a língua com uma árvore e seu fruto. A árvore fala de fruto e que é alimento. Fruto renova as energias, a força, a saúde e dá capacidade para viver. Nós podemos alimentar as pessoas com uma palavra boa, uma palavra vinda do coração de Deus, uma palavra de consolo. Isto também fala de um sabor especial. Nós podemos dar sabor à vida das pessoas pela maneira como nos comunicamos.
III - TRÊS COISAS PRECISAM SER DESTACADAS NO PENSAMENTO DE TIAGO 3.6-12O apóstolo Tiago no texto em apreço está enfatizando o mesmo que Jesus Cristo disse, que a boca fala daquilo que o coração está cheio (Mt 12.34). Se o seu coração é mau, a palavra que vai sair da boca é má. A incoerência da língua está no fato de que com ela bendizemos a Deus e também amaldiçoamos ao irmão, criado à imagem e semelhança de Deus. Vejamos três ensinamentos sobre o uso da língua em Tiago:Em primeiro lugar, "a língua é perigosa" (Tg. 3.6). Ela é mundo de iniquidade, ela é fogo, ela coloca em destruição toda a carreira da vida humana.Em segundo lugar, "a língua é indomável" (Tg 3.7). O homem, com o seu gênio, consegue domar os animais do campo, os répteis, e também os animais aquáticos. Doma todas as criaturas do ar, da terra e do mar. Porém, o homem não consegue domar a própria língua. Se conseguisse domar sua língua, diz Tiago, então ele seria um perfeito varão (Tg 3.2).Em terceiro lugar, "a língua é incoerente" (3.9-12). Não podemos encontrar em uma mesma fonte água salgada e água doce. Não podemos colher figos de um espinheiro nem espinhos de uma figueira, mas podemos falar coisas boas e coisas más com a mesma língua.
IV - A PERSPECTIVA DE TIAGO A RESPEITO DO USO DA Língua Tiago ilustra a natureza perigosa de um órgão tão pequeno quanto à língua. Semelhante ao leme responsável por guiar um gigante em alto mar, ao freio na boca dos cavalos para dominar o seu corpo e, bem como, a faísca que pode incendiar uma floresta, assim é a potência da nossa língua tanto para fazer o bem quanto para o mal. A epístola de Tiago, irmão do Senhor, apresenta a sua mensagem seguindo o modelo do Senhor Jesus, recheada de ilustrações. Suas exortações e repreensões se tornam mais claras, a partir da linguagem que faz das comparações. Eis abaixo alguns ensinamentos que podemos extrair da carta do apóstolo Tiago:4.1 "Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça em palavra, o tal é perfeito, e poderoso para também refrear todo o corpo" (Tg 3.2). Obviamente todos nós já falhamos, já tropeçamos em nossa própria língua. Uma palavra falada é como uma seta lançada, não tem jeito de retorná-la. É como um saco de penas soltas do alto de uma montanha, não podemos mais recolhê-las. Se controlamos nossa língua, controlamos nosso corpo inteiro, e dominamos nossa vida. "Nós tropeçamos, e a Bíblia diz que é um laço para o homem o dizer precipitadamente, pois além dos estragos provocados na vida de outros e na nossa própria vida, ainda vamos dar conta no dia do juízo por todas as palavras frívolas que proferimos. Pelas nossas palavras seremos inocentados, ou pelas nossas palavras seremos condenados" (LOPES, 2006, p. 60).4.2 Devemos ter muito cuidado com o que falamos para não cometermos injustiças e pecados contra nosso próximo. Sócrates, o pai da filosofia, costumava falar sobre a necessidade de passarmos tudo que ouvimos por três peneiras. Quando alguém chegava para contar-lhe alguma coisa, geralmente perguntava o seguinte:"Você já passou o que está me contando pelas três peneiras? O que você está me falando é verdade? A segunda peneira é: "Você já falou para a pessoa envolvida o que você está me falando?" A terceira peneira: "O que você vai me contar, vai ajudar essa pessoa? Vai ser uma palavra boa, útil, edificante para ajudar na solução do problema?" Se a pessoa não podia responder positivamente ao crivo das três peneiras, então, Sócrates era enfático: "Por favor, não me conte nada, eu não quero saber" (LOPES, 2006, p. 66).
Jesus também nos ensinou esta mesma verdade quando disse: "Digo-vos, pois, que de toda palavra fútil que os homens disserem, háo de dar conta no dia do juízo. Porque pelas tuas palavras serás justificado, e pelas tuas palavras serás condenado" (Mt 12.36,37).4.3 O apóstolo Tiago ensina-nos de forma ilustrada que, para o falar do cristão não ser prejudicial, precisa ser controlado. Pois, pelos freios, os cavalos selvagens podem ser domados (Tg 3.3). Esse freio é domínio próprio, uma das virtudes que compõe o fruto do Espírito - o fruto da disciplina (Gl 5.22). Logo, se o mais desenfreado membro do corpo, a língua, estiver em sujeição a Cristo, então todo o corpo será controlado. Peçamos ao Espírito Santo que ponha guarda na porta dos nossos lábios (Sl 39.1; 141.3).

CONCLUSÃOComo pudemos ver, a nossa língua pode ser um instrumento de Deus para abençoar muitas pessoas, ou do diabo para destruição delas. Para que ela seja usada de forma temperante devemos nos submeter ao domínio do Espírito Santo.
Por causa dessa tendência da natureza humana de pecar com a língua, a Bíblia exorta a"todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar" (Tg 1.19). Tiago chegou a dizer, nessa carta, que ninguém pode se dizer religioso sem primeiro refrear sua língua (Tg. 1.27). Se o homem conseguisse domar sua língua, então ele seria um perfeito varão (Tg 3.2). O apóstolo Paulo diz que antes de abrirmos a boca, precisamos avaliar se a nossa palavra é verdadeira, amorosa, boa e edificante (Ef 4.29).

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Gerados pela Palavra da Verdade - Ev. Isaías de Jesus

TEXTO ÁUREO = “Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva e que permanece para sempre”. I Pedro 1: 23
VERDADE PRÁTICA = Somente aqueles que foram gerados pela Palavra da Verdade são guiados pelo Espírito Santo.
LEITURA BÍBLICA = Tiago 1:9-11,16-18
INTRODUÇÃO
A passagem de Tiago 1.9-16 nos conduz a um manancial de riquezas quanto à compreensão da posição do homem em relação ao seu semelhante bem como em relação ao próprio Deus. O texto coloca o pobre e o rico como absolutamente responsáveis e iguais diante de Deus, ao mesmo tempo em que reconhece a soberania divina e ainda a eqüidistância de Deus dos problemas e circunstâncias da vida cotidiana do homem. Procuremos, então, saber o que o Espírito Santo quer ensinar- nos através destes oito versículos da Epístola de Tiago.
POBRES E RICOS - COMO DEUS OS VÊEM
A pobreza e a riqueza, independentemente de suas origens, são fatos comuns à realidade da existência humana, Evidentemente nunca foi propósito de Deus que uns poucos retivessem consigo tanta fortuna, enquanto que a maioria das pessoas vive uma vida que abeira a extrema miséria. Então, de acordo com o ensino de Tiago, como Deus vê pobres e ricos? Tentaremos responder a esta questão analisando-a no contexto da Igreja.
1. O cristão pobre (v.9). O crente que vive com o mínimo necessário, e até mesmo aquele que vive sem condições de satisfazer as suas necessidades básicas mínimas, é instado pelo apóstolo: “Mas glorie-se o irmão abatido (pobre) na sua exaltação”.Isto é: o cristão pobre deve fazer da sua posição em Cristo, uma fonte de gozo.
Uma vez que Deus não olha para o homem distinguindo-o por classe social qualquer, mas estabelece o seu valor intrínseco através da obra redentora efetuada por Jesus Cristo no Calvário, fica evidenciado que é pela sua identidade com Cristo que o cristão pobre se exalta, e nisto deve gloriar-se.

2. O cristão rico (v.10). Desde o princípio da Igreja tem havido entre seus membros aqueles que detêm maior riqueza material. Considerando a possibilidade dos mais ricos abandonarem a simplicidade do Evangelho, escrevendo a Timóteo recomenda o apóstolo Paulo: “Manda aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, que abundantemente nos dá todas as coisas para delas gozarmos” (I Tm 6.17).
A este, manda o Espírito Santo através do apóstolo Tiago, que ele se glorie em seu abatimento (insignificância), porque o rico bem como a sua riqueza “passará como a flor da erva” (Tg 1.10).
3. A transitoriedade do rico e das riquezas (v.11). Parece que ao pobre ninguém precisa lembrar a sua necessidade de depender única e exclusivamente de Deus.  Nada tendo aqui, ele vive o antegozo de possuir um tesouro no Céu (Mt 6.19,20).
O rico, porém, precisa ser lembrado de que o vigor da vida perece, as rugas chegam com os anos, e de que, enfim, as riquezas terrenas de nada valem. Enquanto o vigor da vida não se esvai e a velhice não chega, aos irmãos abastados por dinheiro e outros bens, recomenda o Espírito Santo:  ”Que façam bem, enriqueçam em boas obras, repartam de boa mente, e sejam comunicáveis; que entesourem para si mesmos um bom fundamento para o futuro, para que possam alcançar a vida eterna” (I Tm 6.18,19).
DEUS SÓ FAZ O BEM
O versículo 16 é com freqüência tratado como uma transição do pensamento dos versículos 13-14 para os versículos 17-18. A mudança é brusca: Não erreis. Não vagueiam tanto no seu pensamento a ponto de acreditar que qualquer provação ou tentação, com um propósito mal, vem de Deus. Deus somente dá o que é bom - e Ele é a Fonte de todas as coisas boas. Deus nos fez o tipo de pessoas que somos e quando a criação estava completa Ele viu que tudo “era muito bom” (Cii 131). Moffatt traduz a primeira parte do versículo 17 da seguinte maneira: “Tudo que recebemos é bom e todos os nossos dons são perfeitos”.
16_ Não vos enganeis, meus amados irmãos. Toda boa dádiva e todo dom perfeito vem do alto, 17_descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sobra de variação. Segundo a sua própria vontade, 18_ ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas.
“Não vos enganeis” esta ligando duas idéias. Não se enganem, pensando que o pecado vem de Deus (vs. 13), pois dele só vem o bem, tanto que “ele nos gerou pela palavra da verdade” (vs. 18), e a partir do vs. 21 temos a apresentação do que seja a “palavra da verdade”.
 Nosso ponto de partida, portanto, deve ser o vs. 13. Não nos enganemos, pensando que Deus nos conduz ao mal. Não nos desculpemos dos nossos pecados, colocando a culpa em Deus. Ele não tenta a ninguém. Dele só vem o que é bom e nunca o mal.

“Meus amados irmãos”. Apesar da advertência a ser feita, o tom é carinhoso. Tiago repreende sem ira, mas até com ternura. Uma lição que devemos aprender aqui é a tratar a todos com carinho, sem concordar com o erro.Não lança duvidas sobre a conversão genuína dos cristãos daqueles dias, (muito menos hoje) embora percebesse que tinham caído em alguns erros doutrinários e práticos.

“Toda boa dádiva e todo som perfeito vêm do alto”. ”Alto” é empregado aqui como substituição para “Deus”. Embora várias vezes Tiago use o nome de Deus na sua carta, era prática comum aos hebreus substituírem o nome divino por outra forma de expressão.

Além do termo “Alto” ser um sinônimo de Deus, outra consideração deve ser feita sobre o mesmo. Ele mostra a transcendência de Deus. Ele é o que esta lá em cima, em contraposição aos homens, que estão cá embaixo. Há uma diferença entre Deus e os homens. Em João 8:23, por exemplo, encontramos as seguintes palavras de Jesus: “Vós sois de baixo, eu sou de cima; vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo.” Há uma diferença entre Jesus e seus opositores. A diferença moral, portanto, é acentuada pelo termo “Alto”.

Transcendência de Deus: É o Caráter do que está fora do alcance de nossa ação ou até de nosso pensamento.

Ele é diferente e independente da sua criação (ver Êxodo 24.9-18; Isaías 6.1-3; 40.12-26; 55.8,9).
Seu ser e sua existência são infinitamente maiores e mais elevados do que a ordem por Ele criada (1Reis 8.27; Isaías 66.1,2; Atos 17.24,25).
Ele subsiste de modo absolutamente perfeito e puro, muito além daquilo que Ele criou. Ele mesmo é incriado e existe à parte da criação (ver 1Timóteo 6.16).
A transcendência de Deus não significa, porém, que Ele não possa estar entre o seu povo como seu Deus (Levítico 26.11,12; Ezequiel 37.27; 43.7; 2Corintios 6.16).
“Boa dádiva… dom perfeito”. Os dois termos “dádiva , perfeito” são derivados, significa “dou, concedo, ofereço”. Parece mais uma repetição para enfatizar o argumento, uma forma de expressar, do que propriamente duas realidades distintas. O ensino de Tiago é que Deus dá boas coisas ao seu povo. Tudo o que é bom vem de Deus. Dele não nos vem o mal, a tentação. Vem o bem, que está no vs. 18.

“Descendo do Pai das luzes”. O dom vem dele, descendo, para nós. Uma conclusão lógica, já que ele é lá do alto e nós somos cá de baixo.

A figura de Deus como luz é comum, tanto no Velho Testamento quanto no Novo Testamento. No Salmo 27:1 “O Senhor é a minha luz e a minha salvação…”, Em João 1:5 lemos que “Deus é luz”. O Salvador também aplicou a si a significativa figura: João 8:12 “Eu sou a luz do mundo; quem me segue, de modo algum andará em trevas, mas terá a luz da vida”.

Mas, Tiago ultrapassa esta metáfora, ele amplia e declara que Deus é “Pai das luzes”. A linguagem é alusiva a Deus como Criador dos luminosos, ensino que fica patente em Gênesis 1:14-18. Ele é Pai das coisas mais elevadas da criação, os astros. Os astros se localizam muito acima dos homens. Mas, quem os criou é maior do que os astros e está acima deles, por ser “o Pai das luzes”.

A Linguagem cosmológica e confirmada pelo final do vs. 17 “em quem não há mudança nem sobra de variação.” O Pai é imutável. Faça-se, porém, uma observação necessária: Não confundamos imutabilidade com imobilidade. Deus não muda seu caráter e sua essência, mas age de maneiras diferentes de como agiu no passado. Ele não esta preso a esquemas. Não há nele sombra de variação. Até os astros mudam.

Naqueles dias viam as luzes no céu brilharem, viam o sol nascer e se pôr, tendo o brilho diminuído durante o dia, viam as fases da lua. As luzes do firmamento mudavam, mas o Pai que os criou não muda nunca. É o mesmo sempre. Sempre é bom, Nunca deixará de ser bom e de dar boas coisas aos seus filhos.

Não é suficiente, porém, dizer que “toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto”. Qual é a evidência desta declaração? O que tem Tiago para apresentar como prova de sua afirmativa? A resposta está no vs. 18 “Segundo a sua própria vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade…”. É o novo nascimento: “ele nos gerou”.

É oportuno observar que foi “segundo a sua própria vontade” que ele agiu. A salvação é produto do querer de Deus. É a sua vontade e o seu amor para conosco que estão como elementos motivadores da nossa salvação.
Não encontramos na Bíblia um Deus relutante aos apelos de um homem desesperado por uma salvação que lhe é negada. Desde o Éden encontramos um Deus que procura e um homem que se esconde. Deus quer o nosso bem. Foi o seu querer, a sua vontade, que o levou a salvar-nos.

Pelo seu querer, Deus “nos gerou”. Gerou significa literalmente “dou à luz” cujo sentido é “estou grávida”. A idéia de 1:18 é bastante curiosa. No processo de novo nascimento do cristão, Deus reúne em si tanto as funções masculinas como as femininas: “ele nos deu à luz”. Ele nos fez nascer espiritualmente porque assim o desejou.



Como fomos gerados? Qual o processo pelo qual se deu a gravidez e o parto do cristão? “Ele nos gerou pela palavra da verdade”. A mesma idéia encontramos em I Pedro 1:23, que diz: “tendo nascido, não de semente corruptível, mas de incorruptível, pela palavra de Deus, a qual vive e permanece”.

Os termos variam, mas a idéia é a mesma. Em Tiago, temos “palavra da verdade”. Em Pedro temos “semente… incorruptível… palavra de Deus, a qual vive e permanece”. O que é “palavra da verdade” e “palavra de Deus”? É evidente que tanto Tiago, quanto Pedro está revelando aquilo que foi dito pelo Espírito Santo aos homens e que se completou com a vinda de Jesus Cristo, o clímax da revelação. A idéia de Cristo como o ápice da revelação é bem sustentada pelo autor de Hebreus, em 1:1, 2. Este conjunto é chamado por Tiago de “Lei da Liberdade” em Tiago 1:25 “…a lei perfeita, a da liberdade,” e 2:12 “…ser julgados pela lei da liberdade.” e de a “…lei real segundo a escritura” em Tiago 2:8.
A revelação completa de Deus ao homem traz a indicação de como se tornar livre.

Deus nos fez nascer pela palavra da verdade, “para que fossemos como que primícias das suas criaturas”. “Primícias” significam “primeiros”. Os cristãos nascidos pela palavra, são os primeiros? E isto significa que há outros? Quem são os segundos? São os gentios, aqueles que não têm o Senhor como seu Deus.

As primícias eram o principio da colheita que se oferecia a Deus. Deviam sempre ser o principio, porque este é o fundamento da mordomia. Deus deve ter prioridade. A Deus não se dá o resto nem o que sobeja. Assim sendo, os primeiros frutos eram consagrados a Deus, dados a ele. Em Levítico 27:28, 29 fala exatamente sobre os regulamentos sacerdotais, incluindo as ofertas ao Senhor.
E termina tratando das coisas consagradas ao Senhor. “28_Todavia, nenhuma coisa consagrada ao Senhor por alguém, daquilo que possui, seja homem, ou animal, ou campo da sua possessão, será vendido nem será remida; toda coisa consagrada será santíssima ao Senhor. 29_ Nenhuma pessoa que dentre os homens for devotada será resgatada; certamente será morta.”
O que a Deus fosse oferecido, seria dele, irremediavelmente dele. O texto do Livro de Deuteronômio 26:1-11 tratam do oferecimento das primícias. Dadas a Deus, passavam a ser dele. “10_E eis que agora te trago as primícias dos frutos da terra que tu, ó Senhor, me deste. Então as porás perante o Senhor teu Deus, e o adorarás; 11_e te alegrarás por todo o bem que o Senhor teu Deus te tem dado a ti e à tua casa, tu e o levita, e o estrangeiro que está no meio de ti.”

Cristo nos resgatou do poder do Inimigo e nos deu ao Pai. Somos propriedade divina. Não pertencemos mais ao poder das trevas. Somos de Deus. E não somos um presente dado de forma irrefletida e recebido de má vontade. Foi o querer de Deus que operou o processo de nosso novo nascimento. E foi sua revelação consumada em Jesus Cristo, numa sintonia entre as pessoas da divindade, que nos gerou. Por isso, tudo o que temos de bom, a começar da salvação e da comunhão, vem-nos de Deus. Ele nos ama e nos dá o que é bom.

PRIMICIAS D DEUS ENTRE AS CRIATURAS
Quando o autor menciona nos, a quem ele se refere: aos leitores em geral ou aos cristãos? Os comentaristas têm pontos de vista divergentes. A verdade é significativa em qualquer um dos casos.
Se entendermos nos como que significando homens criados à imagem de Deus, o significado é claro Deus nos fez da maneira que somos - segundo a sua vontade. A razão para nossa liberdade, provas, perplexidades e problemas morais envolvendo escolha é que deveríamos ser semelhantes a Ele - como primícias das suas criaturas. Ele nos criou com liberdade para escolher o mal ou com liberdade para escolher o bem para que fossemos em certo sentido os criadores do nosso próprio espírito, a glória coroada da sua palavra criativa (cf. Hb 11.3).
Podemos, no entanto, com sólidas evidências exegéticas entender nos como que referindo-se à Igreja cristã. Robertson coloca o seguinte título para esse versículo: “O Novo Nascimento”. Deus, que é nosso Pai por meio da criação, é também nosso Pai por meio da redenção. Homens redimidos do pecado são a glória coroada dos propósitos de Deus para a vida humana - “os primeiros espécimes da sua nova criação” (Philips). A palavra da verdade é a verdade do evangelho. Knowling vai mais adiante e afirma: “Não podemos esquecer que o nosso Senhor (Jo 17.17-19) fala da ‘palavra’ que é verdade, por meio da qual os discípulos devem ser santificados”. O propósito final de Deus é conduzir-nos à vitória por meio dos nossos testes para tornar-nos semelhante a Ele em santidade e amor.

CONCLUSÃO
Resumidamente, o ensino do apóstolo Tiago neste texto (1.9-16), consiste do seguinte:
1. O crente materialmente pobre tem uma posição elevada em Cristo. Por tudo que o crente, desprovido de bens materiais, tem em Cristo, há em seu coração motivos, mais que sobejos, para um viver gozoso.
2. O crente materialmente abastado deve evitar a arrogância. O cristão que detém dinheiro, bens e prestígio social, jamais deve esquecer de que Deus o fez apenas mordomo e depositário do que tem. Deve lembrar-se sempre de que assim como é transitória a vida, passageiros são os bens que amealhou ao longo da sua curta e fatigosa existência.
3. Há grande fonte de felicidade em meio às tentações. Provado e aprovado pelo Senhor, no porvir o crente receberá a coroa da vida, por Deus prometida a todos quantos O amam.
4. A fonte de nossas tentações está em nós e não em Deus. As tentações morais que sofremos jamais deverão ser atribuídas a Deus como tropeço às nossas vidas. Deveríamos ter a sensibilidade e sinceridade de Paulo, e, assim como ele, confessarmos: “… vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros” (Rm 7.23).
Não obstante as dificuldades e complexidades das circunstâncias da vida podem bradar em tom de triunfo: “… graças a Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo” (I Co 15.57).