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domingo, 10 de março de 2013

Há um Milagre em sua Casa - Pr. Altair Germano




A história da multiplicação do azeite da viúva nos ensina várias lições. Mais uma vez somos desafiados não apenas a conhecer os fatos bíblicos, mas a crer e experienciar os mesmos em nossa vida, em nossa abençoada família, em nossa própria casa.

A LIÇÃO DAS DÍVIDAS (2 Rs 4:1-2)
Não temos informações sobre a causa do endividamento do marido daquela mulher. Provavelmente poderia ter sido em decorrência da grande crise econômica que assolara a nação. O que sabemos é que a dívida custaria a entrega dos seus dois filhos ao credor. Não sabemos também se aquela mulher tinha conhecimento da dívida contraída pelo marido antes de sua morte e da cobrança lhe feita. Nos dias atuais há muitas mulheres que desconhecem a situação financeira do seu marido, não sabendo quanto ganham, nem quanto devem. Há outras mulheres que não apenas conhecem, mas também cooperam para o endividamento do marido com gastos desnecessários e exorbitantes. O que sabemos nesta narrativa bíblica é que o marido daquela mulher viúva era temente a Deus. Era um homem temente a Deus e endividado.
São várias as causas das dívidas nos dias atuais, dentre as quais: A falta de planejamento e orçamento familiar, o consumismo desenfreado, a tentativa de viver num padrão acima da realidade, crise econômica e desemprego. Dave Anderson, em sua obra A Fé nos Negócios, na página 149, faz a seguinte observação:
Ao avaliarmos as crises financeiras que viram o mundo de pernas para o ar de tempos em tempos, vemos que elas normalmente são causadas por dívidas. As pessoas compram casas maiores e carros melhores do que poderiam e, depois, descobrem que não têm como arcar com os pagamentos ou com as taxas de juros cada vez mais altas. Essas questões tomam vulto e criam um efeito dominó na economia que faz os bancos fecharem, empresas declararem falência ou demitirem funcionários e o governo lançar mão de pacotes que geram ainda mais dívidas e déficits. Portanto, é possível cogitar que a dívida pode ser a causa da falta de moradia, do crédito arruinado, dos divórcios, das famílias desfeitas e dos suicídios. 
A lição que a Bíblia nos ensina sobre a dívida é que ela pode ser resultado da desobediência a Deus (Dt 28:15, 44). Somos exortados a não dever nada a ninguém, a não ser o amor (Rm 13.8).
Algumas perguntas poderiam ser feitas a nós mesmos: Se morrêssemos hoje deixaríamos nossa família em dificuldades? Os credores apareceriam para cobrar o nosso cônjuge ou familiares? A dívida teria como ser paga?
Leia mais sobre a questão da dívida no post A ANGÚSTIA DAS DÍVIDAS.

A LIÇÃO DA HUMILDADE E DA FÉ (2 Rs 4:3-4)
Para não revelar nossas situações precárias de endividamento, da falta de suprimentos que disso resulta, deixamos muitas vezes de pedir ajuda aos pastores, irmãos em cristo, familiares, parentes, amigos e vizinhos. Fechamo-nos em nosso orgulho, e na necessidade de mantermos as aparências.
A mulher que herdou a dívida do marido começa demonstrando a sua humildade quando clama ao profeta pedindo-lhe socorro. A ordem do profeta foi “Vai, pede para ti vasos emprestados aos teus vizinhos, vasos vazios, não poucos.” Haverá situações onde o milagre somente acontecerá em nossa casa com a demonstração de humildade de nossa parte, a humildade que não se envergonha de pedir ajuda.
A lição da humildade inclui também a disposição em obedecer ao profeta, que foi claro e direto. A obediência ao profeta é um ato de fé, e a fé é a certeza de coisas que se esperam (Hb 11:1a).

A LIÇÃO DA SOLIDARIEDADE (2 Rs 4:3)
A lição da solidariedade quem nos ensina são os vizinhos daquela mulher, que bondosamente lhe emprestam os vasos. Podemos deduzir com isso que aquela família e mulher se relacionavam bem com a vizinhança. Infelizmente há crentes que além do mau testemunho que dão, ainda são péssimos vizinhos. Existem crentes arrogantes (e/ou mal educados), que nem bom dia dão aos vizinhos. Alguns chegam a ser insuportáveis, chatos e inconvenientes. É necessário que nos relacionemos bem com os nossos vizinhos, pois além do bom testemunho que devemos dar, um dia poderemos precisar da solidariedade deles.

A LIÇÃO DO TRABALHO E DA COOPERAÇÃO (2 Rs 4:5)
O milagre foi precedido e acompanhado pelo trabalho da mulher em encher os vasos com o azeite. O milagre exige por vezes atitude, determinação e disposição de nossa parte. Tal verdade pode ser testemunhada em outros milagres narrados na Bíblia, onde foi necessária uma ação humana antes de suas realizações (Js 6:1-5; 2 Rs 5:9-14; Jo 2:7-11; Jo 9:6-7; Jo 11:39-44).
A lição da cooperação quem nos dá são os filhos da mulher, que lhe traziam os vasos para serem cheios de azeite.  Todos na família devem cooperar para o bem comum, para a superação das dificuldades. Batalhemos por uma maior união e cooperação da família em meio às crises e calamidades. A unidade na família coopera para que milagres aconteçam.

A LIÇÃO DO MILAGRE (2 Rs 4:6)
Há situações das quais não sairemos, a não ser que Deus trabalhe em nosso favor, e que em graça e soberania intervenha com um milagre. O milagre de Deus beneficia os necessitados e glorifica o seu nome. O milagre de Deus não deve servir para promover igrejas, pastores, pregadores ou quem quer que seja. O milagre não deve ser utilizado como meio de exploração daquele que o  recebe,    como se fosse preciso “pagar” pelo mesmo com ofertas in-voluntárias, e sob ameaças de maldições.
Quem mercantiliza milagres, quem negocia com os dons de Deus, a seu tempo colherá os frutos de sua iniquidade (Mt 7:21-23).
A LIÇÃO DA PROVISÃO ABUNDANTE (2 Rs 4:7)
O Senhor cuida de seus filhos, e garante o suprimento de suas necessidades básicas através de todos os meios e recursos que dispõe:
Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos ou que beberemos ou com que nos vestiremos? (Porque todas essas coisas os gentios procuram.) Decerto, vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas essas coisas; Mas buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas. Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal. (Mt 6:31-34)
Na vida daquela mulher e naquela casa, Deus fez mais do que se pedia ou se pensava (Ef 3:20). Ele não apenas proveu as condições necessárias para a quitação da dívida, mas também para a subsistência daquela família.
O pão nosso de cada dia ele provê diariamente (Mt 6:11).
O Pai celestial cuida de mim e de você. Ele nos ama.

SUGESTÃO PEDAGÓGICA: Compartilhe a sua experiência, e/ou abra espaço para que os seus alunos possam testemunhar de milagres vivenciados na área da provisão de Deus em suas casas.

Há um Milagre em sua Casa - Rede Brasil de Comunicação


LIÇÃO 10 - HÁ UM MILAGRE EM SUA CASA - 1º TRIMESTRE 2013

INTRODUÇÃO

O milagre ocorrido na casa da viúva nos tempos do profeta Eliseu traz-nos lições valiosas e perfeitamente aplicáveis aos nossos dias. Veremos os dois fatores principais que motivam a realização do milagre da parte de Deus. Por ser misericordioso, o Senhor atenta para as nossas necessidades e intervém miraculosamente. Ele pode fazer isso diretamente ou através dos seus instrumentos humanos, aos quais concede poder e ousadia para a execução de grandes sinais. Mas ainda veremos que um dos cenários em que acontecem os milagres de Deus é o interior de uma casa.

I - A MOTIVAÇÃO DO MILAGRE
Podemos enfatizar pelo menos dois aspectos que acarretam na realização de umMILAGRE, de um ato especial de Deus que interrompe o curso natural dos eventos, os quais são: a necessidade humana e a misericórdia divina.
1.1 A necessidade humana. O texto de II Rs 4.1-7 nos mostra uma viúva desesperada com a possibilidade de ver o que restou de sua família se desfazer pelas mãos dos credores. Para que a sua casa fosse preservada, ela precisava de um milagre. Em todos os casos na Bíblia, os milagres foram operados, principalmente, na vida daqueles que necessitavam. Vejamos alguns exemplos:
  • Sara, que era estéril, precisava de um filho, por quem a promessa messiânica teria continuidade (Gn 18.12);
  • De igual modo, Rebeca e Raquel, esposas de Isaque e Jacó, também eram estéreis e necessitavam de filhos (Gn 25.21; 29.31);
  • A nação de Israel só conseguiu ser liberta da terra do Egito mediante uma série de intervenções sobrenaturais da parte de Deus, que foram as dez pragas (Ex 7-10);
  • Na jornada de Israel pelo deserto em direção à terra de Canaã, o povo de Deus experimentou constantes milagres durante quarenta anos, como por exemplo: a descida diária do maná (Êx 16.11-15); a presença constante da coluna de nuvem durante o dia e da coluna fogo durante a noite (Êx 13.21,22); águas amargas que se tornaram doces (Êx 15.23-25), e águas que fluíram de rochas (Êx 17.5,6).
1.2 A misericórdia divina. A palavra misericórdia, hesedhno hebraico, aponta para uma característica no caráter de Deus e significa: “benevolência, benignidade, compaixão, bondade, fidelidade, amor e beneficência”. É dessa forma que Deus olha para os necessitados. O clamor daquela viúva sensibilizou o coração de Deus, que se moveu para ajudá-la (II Rs 4.1-7), de igual maneira foi que o clamor de Israel, depois de quatrocentos anos de escravidão, chegou até a presença de Deus que, sensibilizado, resolveu libertar o povo (Êx 3.7,8). Também sucedeu assim com Ana, que estava mui aflita por causa de sua esterilidade e derramou as suas lágrimas no templo até que foi atendida (I Sm 1.10-18). Ninguém recebe um milagre por merecimento, senão, por misericórdia.

II - OS INSTRUMENTOS DO MILAGRE
Todos os milagres autênticos são operados por Deus, pois somente Ele é poderoso para realizá-los. Há ocasiões em que Ele interfere diretamente em determinada situação, sem a instrumentalidade humana. Por exemplo, quando Misael, Ananias e Azarias foram lançados na fornalha de fogo ardente, aquecida sete vezes mais, o “quarto homem” se lhes apresentou e retirou a força do fogo (Dn 3.19-25). Foi uma intervenção direta do próprio Deus. O que acontece, porém, é que na maioria das vezes os milagres de Deus são realizados através do instrumento humano. Observemos alguns casos na Bíblia:
  • Deus fez questão de mostrar a Faraó e a todo povo de Israel que as suas maravilhas ocorreriam através das mãos de Moisés que, com uma simples vara, operaria todos os grandes sinais (Ex 4.17);
  • Através de Josué, filho de Num, servidor de Moisés, Deus realizou uma das maiores intervenções de toda a história da humanidade, pois o Sol e a Lua ficaram detidos no mesmo lugar durante um espaço de quase 24 horas. A cosmologia moderna entende que para isso acontecer, é necessário que todo o universo pare de se movimentar. Lembramos, porém, que isso se deu através de um homem (Js 10.14);
  • Pelas mãos de Elias, o tisbita, grandes sinais foram operados em Israel. Isso aconteceu para que todos reconhecessem que só o Senhor era Deus e que Elias era o seu profeta (I Rs 17.1,13-16,19-24; 18.30-39);
  • No ministério de Eliseu não foi diferente. O nome do Senhor foi glorificado e Eliseu foi reconhecido como profeta de Deus (II Rs 2.19-22; 3.16-20; 4.1-7, 32-36, 40-44; 6.5,6);
  • O próprio Jesus exemplifica bem essa realidade, pois na condição humana foi ungido pelo Espírito de Deus para realizar grandes milagres no seu ministério (Mt 4.23,24);
  • Na igreja primitiva, os milagres ocorriam por mão dos discípulos: “E muito sinais e prodígios eram feitos entre o povo pelas mãos dos apóstolos…” (At 5.12). Vemos ainda outros exemplos (At 3.1-8; 5.14-16; 8.5-7; 19.11).

sábado, 2 de março de 2013

Lição 9 ELIAS NO MONTE DA TRANSFIGURAÇÃO



O relato sobre a transfiguração, conforme narrado nos evangelhos sinóticos é um dos mais emblemáticos do Novo Testamento (Mt 17.1-13; Mc 9.2-8; Lc 9.28-36). Além do nome de Moisés, o texto põe em evidência também o nome de Elias. Todavia diferentemente dos outros textos até aqui estudados, Elias não aparece como a figura central, mas como uma figura secundária! O centro é deslocado do profeta de Tisbe para o Profeta de Nazaré. Jesus, e não mais Elias, é o centro da revelação bíblica. Moisés, Elias, Pedro, Tiago e João, também nominados nesse texto aparecem como figurantes numa cena onde Cristo, o Messias prometido, é a figura principal.


Antes de uma análise puramente exegética e teológica da passagem de Marcos 9.2-29, quero compartilhar o seu lado devocional que muito tem me edificado. Resolvi estender a leitura do capítulo 9 do Evangelho de Marcos até o versículo 29, incluindo o episódio da libertação de um jovem possesso, porque uma leitura paralela do Evangelho de Lucas (Lc 9.28-43) revela que a libertação dele aconteceu “no dia seguinte, quando eles desceram do monte” (Lc 9.37). Em outras palavras, os eventos da transfiguração e da libertação do jovem lunático, ocorreram dentro da mesma sequência dos fatos ali narrados.

Pois bem, a pergunta chave que aparece logo após ter ocorrido a libertação do jovem lunático e, portanto, após o evento da Transfiguração é: “Porque nós não pudemos expulsá-lo?” (Mc 9.28).

Acredito que essa é uma das perguntas mais pertinentes para o atual momento em que vive a igreja evangélica brasileira. Essa pergunta poderia ser feita de uma outra forma e ainda assim o seu sentido seria o mesmo: “Qual a causa de nossa ineficiência?”Por que estamos crescendo numericamente, mas ainda assim padecemos de um cristianismo fraco e que pouco tem salgado a sociedade? Qual a razão de nosso caos teológico? São perguntas que demandam uma resposta.

Se olharmos com cuidado para o que revela o texto de Marcos 9.229, observaremos algumas características do cristianismo transfigurado, isto é, que brilha. Quais, pois, seriam essas características desse cristianismo que brilha? Aqui vão algumas delas:

1. Ele escala montes — “dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro, Tiago e João e levou-os sós, à parte, a um alto monte” (Mc 9.2). E interessante observarmos que os outros discípulos, nove deles, haviam ficado embaixo, pois, o Senhor Jesus levou consigo somente a Pedro, Tiago e João (v.2). Os outros haviam ficado embaixo, não subiram o monte. Quem não sobe o Monte não terá vitória nas lutas espirituais. Escrevi sobre isso quando tratei sobre a vida do patriarca Abraão:

“Vai-te a terra de Moriá” (Gn 22.1). Deus mandou Abraão subir o monte Moriá! Ninguém será abençoado sem escalar o monte! É necessário subir o Moriá de Deus e encontrar a bênção no seu cimo. Hoje está na moda subir o “monte” como um lugar místico em busca da bênção! Mas a Escritura mostra que como princípio, subir o monte está associado à necessidade de se buscar ou subir até a presença de Deus e não a geografia de um lugar (Jo 4.20-24). O monte pode ser o nosso quarto ou o templo da igreja ou ainda qualquer outro lugar (Mt 6.6; At 16.13,16). Quem ora hoje no monte Sinai, monte Moriá ou mesmo em Jerusalém não leva nenhuma vantagem sobre quem, por exemplo, ora numa pequena cidade do sertão nordestino ou na grande São Paulo. A geografia não é mais importante e sim a esfera e a atitude na qual a oração acontece, isto é, no Espírito (Ef 6.18; 1 Tm 4.7)”.1

2. Ele é metamorfoseado — “Foi transfigurado diante deles” (v.2). A palavra traduzida em português como “transfigurado” corresponde ao vocábulo grego metemorphôté, que é o aoristo passivo de metamorphóô? Esse mesmo vocábulo é usado pelo apóstolo Paulo em Romanos 12.1,2: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.

O expositor bíblico William Barclay em seu comentário da Epístola aos Romanos, observa que: “Não devemos adotar as formas do mundo; sem transformar-nos, quer dizer, adquirir uma nova maneira de viver. Para expressar esta verdade Paulo usa duas palavras gregas quase intraduzíveis, que requerem uma frase para transmitir seu sentido. A palavra que usa para amoldar-nos ao mundo é syschematizesthai, da raiz schema—de onde vem a palavra portuguesa e quase internacional schema —, que quer dizer forma exterior que muda de ano em ano e quase de dia a dia. O schema de uma pessoa não é o mesmo quando tem 17 anos e quando tem 70; nem quando sai do trabalho e quando está numa festa. Está mudando constantemente. E como se Paulo dissesse: Não cuideis de estar sempre em dia com todos os modismos deste mundo; não sejais ‘camaleões’, tomando sempre a cor do ambiente”.3 Por outro lado, continua Barclay em sua análise:

“A palavra que (Paulo) usa para transformai-vos de uma maneira distinta da palavra do mundo é metamorphusthai, da raiz morfé, que quer dizer a natureza essencial e inalterável de algo. Uma pessoa não tem o mesmo schema aos 17 e aos 70 anos, todavia possui a mesma morphè (essência); o macacão não tem o mesmo schema do vestido de uma cerimônia, mas possui a mesma morphê; muda seu aspecto exterior; pelo que segue sendo a mesma pessoa. Assim, disse Paulo, para dar culto e servir a Deus temos que experimentar uma mudança, não de aspecto, senão de personalidade. Em que consiste essa mudança? Paulo diria que, por nós mesmos, vivíamos kata sarka (segundo a carne), dominados pela natureza humana em seu nível mais baixo; em Cristo vivemos kata Christon (segundo Cristo) ou kata Pneuma (segundo o Espírito), sob o controle de Cristo e do Espírito. O cristão é uma pessoa que mudou em sua essência: agora vive, não uma vida egocêntrica, senão cristocêntrica. Isto deve ocorrer, diz Paulo, pela renovação da mentalidade. A palavra que ele emprega para renovação é anakainosis. No grego há duas palavras para novo: neós e kainós. Neós se refere ao tempo, e kainós ao caráter e a natureza. Um lápis recém fabricado é neós\ mas uma pessoa que era antes pecadora e agora e está chegando a ser santa é kainós. Quando Cristo entra na vida de um homem, este é um novo homem; tem uma mentalidade diferente, porque tem a mente de Cristo.”4

3. Ele é fundamentado na Palavra de Deus — ‘E apareceu-lhes Elias com Moisés” (v.4). Todos os intérpretes entendem que os nomes “Elias” e “Moisés” representam figuradamente a Palavra de Deus. Elias representa os profetas enquanto Moisés, a Lei. O cristianismo deixa de ser autêntico quando se distancia da palavra de Deus. Em outro livro de minha autoria, escrevi: Uma igreja modelo possui como fundamento a Palavra e o Espírito. Somente o Espírito sem a Palavra de Deus incorre-se em fanatismo; todavia a Palavra sem o Espírito não passa de ortodoxia morta. O correto é termos o equilíbrio entre a Palavra e o Espírito. O principal mal do pentecostalismo contemporâneo é essa falta de equilíbrio entre a Palavra e o Espírito. Como vimos um carismatismo sem fundamento bíblico transforma-se em desvios, modismos, inovações, desvios doutrinários evoluindo para doutrinas heréticas.5

4. Ele promove espanto — ‘Pois não sabiam o que dizia, porque estavam assombrados” (v.6). Uma das tragédias do cristianismo hodierno é que ele não promove mais espanto! Um grande número de cristãos parece ter se acostumado com uma vida religiosa onde nada mais é novo. Não há espanto algum! Mas experimentar espanto diante do sagrado é um fenômeno presente nas religiões. Mircea Elliade (2008, pp.16,17) destaca que o homem “descobre o sentimento de pavor diante do sagrado, diante desse mysterium tremendum, dessa majestas que exala uma superioridade esmagadora de poder; encontra o temor religioso diante do mysterium fascinans, em que se expande a perfeita plenitude do ser.”6

Elias no Monte da Transfiguração - Pr. Altair Germano

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Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro, e a Tiago, e a João, seu irmão, e os conduziu em particular a um alto monte. E transfigurou-se diante deles; e o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes se tornaram brancas como a luz. E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele. E Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, façamos aqui três tabernáculos, um para ti, um para Moisés e um para Elias. E, estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu. E da nuvem saiu uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; escutai-o. E os discípulos, ouvindo isso, caíram sobre seu rosto e tiveram grande medo. E, aproximando-se Jesus, tocou-lhes e disse: Levantai-vos e não tenhais medo. E, erguendo eles os olhos, ninguém viram, senão a Jesus. (Mateus 17.1-8)
Muito já se escreveu sobre o episódio da transfiguração, e para este subsídio gostaria apenas de trazer uma reflexão sobre a necessidade de uma fé que não se limita, nem se contenta com a ausência do sobrenatural, das visões e da percepção inconfundível da presença do Senhor.
As visões, os sonhos e outros fenômenos espirituais não estão restritos ao Novo Testamento:
E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos jovens terão visões, e os vossos velhos sonharão sonhos; (At 2.17)

Após o derramar do Espírito no dia de Pentecostes, as visões se tornaram frequentes, e algumas delas ficaram registradas nas Escrituras:
Mas, de noite, um anjo do Senhor abriu as portas da prisão e, tirando-os para fora, disse: Ide, apresentai-vos no templo e dizei ao povo todas as palavras desta vida. E, ouvindo eles isto, entraram de manhã cedo no templo e ensinavam. Chegando, porém, o sumo sacerdote e os que estavam com ele, convocaram o conselho e a todos os anciãos dos filhos de Israel e enviaram servidores ao cárcere, para que de lá os trouxessem. (At 5.19-21) E, indo no caminho, aconteceu que, chegando perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu. E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? E ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões. (At 9.3-5) E havia em Damasco um certo discípulo chamado Ananias. E disse-lhe o Senhor em visão: Ananias! E ele respondeu: Eis-me aqui, Senhor! E disse-lhe o Senhor: Levanta-te, e vai à rua chamada Direita, e pergunta em casa de Judas por um homem de Tarso chamado Saulo; pois eis que ele está orando; e numa visão ele viu que entrava um homem chamado Ananias e punha sobre ele a mão, para que tornasse a ver. E respondeu Ananias: Senhor, de muitos ouvi acerca deste homem, quantos males tem feito aos teus santos em Jerusalém; e aqui tem poder dos principais dos sacerdotes para prender a todos os que invocam o teu nome.    Disse-lhe, porém, o Senhor: Vai, porque este é para mim um vaso escolhido para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis, e dos filhos de Israel. E eu lhe mostrarei quanto deve padecer pelo meu nome. E Ananias foi, e entrou na casa, e, impondo-lhe as mãos, disse: Irmão Saulo, o Senhor Jesus, que te apareceu no caminho por onde vinhas, me enviou, para que tornes a ver e sejas cheio do Espírito Santo. (At 9.10-17)

Elias no Monte da Transfiguração - Rede Brasil de Comunicação

LIÇÃO 09 - ELIAS NO MONTE DA TRANSFIGURAÇÃO - 1º TRIMESTRE 2013

INTRODUÇÃO

O mistério da Transfiguração é, dentre todos apresentados pela Sagrada Escritura, o que traduz de maneira mais sublime e profunda, toda a teologia da divinização do homem Jesus, pois no monte, sua glória interna tornou-se visível externamente. O mistério da Transfiguração tem uma íntima ligação com o mistério Pascal (sacrifício). Poderíamos dizer que a Transfiguração é a “ponte”, que liga ou, que introduz ao Calvário e finalmente à Ressurreição. O Cristo que contemplamos na Transfiguração é o mesmo que contemplaremos em sua glória na eternidade.

I - DEFINIÇÃO DA PALAVRA TRANSFIGURAR
A palavra Transfigurar, que traduz o termo “metamorfose” mantém o sentido de mudança de aparência, ou forma. A palavra “morphe” significa “forma” e o termo “meta” diz respeito a “mudança”, mas não mudança de essência (Mt 17.2; Mc 9.2; Rm 12.2). Entendemos que a Transfiguração foi uma experiência de origem divina, uma revelação dada aos apóstolos sobre a glória do Reino futuro no qual, Jesus é Rei. Ele foi metamorfoseado quando “transformou-se” no monte mudando sua APARÊNCIA física e não a sua ESSÊNCIA divina. A palavra traduzida em português como “transfigurado” corresponde ao vocábulo grego metamorphoõ” que significa também “transformar”, “mudar em outra forma”, “transfigurar”.

II - LOCALIZAÇÃO DO MONTE DA TRANSFIGURAÇÃO
A transfiguração é registrada em cada um dos evangelhos sinóticos (Mt 17.1-9, Mc 9.2-10, Lc 9.28-36) e também em (2 Pe 1.16-21). O local deste evento é “um alto monte” (Mt 17.1; Mc 9.2). A associação com uma montanha também é encontrada em (Lc 9.28; 2 Pe 1.18). Várias localizações geográficas têm sido sugeridas: Monte Hermon, Monte Carmelo, e o local tradicional do Monte Tabor. Os escritores bíblicos, aparentemente, não estavam interessados em localizar exatamente onde este evento aconteceu, mas sim, registrar o que ocorreu.

III - O SIGNIFICADO DO MONTE DA TRANSFIGURAÇÃO
Durante toda a Sua vida, Jesus estava sob aquele véu (seu corpo). Apenas uma única vez em Sua vida aquele véu foi “aberto” e a Sua glória brilhou por meio da Sua carne humana, e essa vez foi no monte da transfiguração. Foi apenas por um período curto de tempo e, então, aquele véu caiu sobre Ele novamente até que foi rasgado na cruz do Calvário. Jesus é “o resplendor da glória” de Deus e “a expressão exata do seu Ser” (Hb 1.3). Ele reflete perfeitamente a natureza e o caráter de Deus. Quando olhamos para Jesus, podemos ver “a glória do Senhor” (2 Co 3.18; 4.6).Vejamos:
  • Só podemos compreender a transfiguração de Jesus a partir da Sua encarnação. “O Verbo se fez carne e habitou (tabernaculou-se) entre os homens, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14). Quando o Filho de Deus veio a este mundo, Ele tomou sobre Si a carne humana e essa carne serviu como um véu sobre Ele. Por esta razão, enquanto estava na Terra, quando os homens olhavam para Ele, viam apenas um Homem. Não viam a glória do Filho de Deus porque Ele estava coberto pelo véu. “pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne”. (Hb 10.20).
  •  
  • Simbolicamente, o aparecimento de Moisés e Elias representava a Lei e os Profetas. Entretanto, a voz de Deus do céu - “Ouçam a Ele!” - mostrou claramente que a Lei e os Profetas deviam dar lugar a Jesus. “E disse-lhes: São estas as palavras que vos disse estando ainda convosco: Que convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moisés, e nos profetas e nos Salmos.” (Lc 24.44). Aquele que é o novo e vivo caminho está substituindo o antigo; Ele é o cumprimento da Lei e das inúmeras profecias no AT. Além disso, em Sua forma glorificada eles tiveram uma breve visualização da Sua glorificação e entronização vindoura como Rei dos reis e Senhor dos senhores (Ap 19.16).
  •  
  •  João escreveu em seu evangelho: “Vimos a sua glória, glória como do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade.” Pedro também escreveu: “De fato, não seguimos fábulas engenhosamente inventadas, […] Ele recebeu honra e glória da parte de Deus Pai, quando da suprema glória lhe foi dirigida […]. Nós mesmos ouvimos essa voz vinda do céu, quando estávamos com ele no monte santo” (2 Pe1.16-18).
  •  
  • IV - O MONTE DA TRANSFIGURAÇÃO E OS ERROS DOUTRINÁRIOS
    Essa passagem tem gerado muitas interpretações errôneas que tentam apoiar doutrinas sobre reencarnação e manifestação dos mortos se comunicando com os vivos. A Escritura, contudo, não se contradiz. Ela condena doutrinas que apoiam a invocação de mortos e a necromancia. A presença de Elias e Moisés na transfiguração significa que Jesus estava apoiado pela Lei (Moisés) e pelos profetas representado por Elias (II Rs 2.1-11). Há ainda alguns intérpretes que veem nesse acontecimento da Transfiguração, Moisés representando os que passaram pela experiência da morte, já que ele morreu (Dt 34.5) e Elias como a figura dos redimidos que serão arrebatados sem ver a morte (1Ts 4.16-17).

    V - OS PROPÓSITOS DA VISÃO NO MONTE DA TRANSFIGURAÇÃO
    Um dos principais motivos da visão no monte da transfiguração é o de demonstrar que a Lei de Moisés (Pentateuco) e todos os profetas (Os demais livros) do AT tiveram seu real cumprimento na pessoa magnífica do Senhor Jesus Cristo (Lc 24.44). Importante também notar que a visão teve o propósito de fortalecer a fé dos apóstolos, pois estes estavam prestes a ver o Senhor ser crucificado e morto. Eles deveriam entender que antes da sua ressurreição, era necessário o sofrimento e a morte do Cordeiro de Deus, a fim de que os pecados deles e os nossos fossem expiados pela morte do Justo. Evidência disto são as palavras que o Senhor Jesus lhes dirigiu imediatamente após a visão: “E, descendo eles do monte, ordenou-lhes Jesus: A ninguém conteis a visão, até que o Filho do Homem ressuscite dentre os mortos” (Mt 17.9).

Elias no Monte da Transfiguração - Pr. Geraldo Carneiro Filho

TÍTULO: “ELIAS NO MONTE DA TRANSFIGURAÇÃO”
TEXTO ÁUREO – Mt 17.2-3
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Mt 17.1-8


I – INTRODUÇÃO:

Jesus dissera, seis dias antes da Sua transfiguração que alguns então presentes não morreriam antes de vê-Lo no Seu reino. Mateus, Marcos e Lucas ligam cuidadosamente essa promessa à narrativa da Sua transfiguração. Portanto, essa cena deslumbrante “no monte santo” (II Pe 1:18) é uma amostra, um penhor, do reino de Cristo. Na transfiguração foi permitido aos homens um olhar momentâneo para dentro do reino prometido e ver o Rei na Sua formosura (Sl 27:4 e Is 33:17).

II – A TRANSFIGURAÇÃO:

Mc 9.2 cf Lc 9.37 - Foi após uma noite inteira de oração no deserto que Cristo convidou os três apóstolos. E, estando Ele orando, transfigurou-se a aparência de seu rosto. Sua intercessão resultou no milagre da transfiguração.

Lc 9.29 – É nas noites inteiras de oração que podemos esperar as experiências mais gloriosas:
(A) - O rosto para ser desfigurado por açoites e pela coroa de espinhos, então brilhava como o fulgor do sol;
(B) – As vestes que estavam destinadas a serem adquiridas pelo jogo, resplandeciam, não apenas como a neve, mas como a luz;
(C) – Em vez dos dois ladrões, um a cada lado do Senhor, havia Moisés e Elias;
(D) – Em vez das trevas ao meio dia, havia uma nuvem luminosa à noite;
(E) – Em vez de gritos do Senhor: - “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”, ouviu-se dos céus a voz de Deus-Pai: - “Este é meu Filho, o meu Escolhido, ouvio-O”.
A palavra “TRANSFIGURAÇÃO”, no original, também é encontrada em Rm 12.2 e II Cor 3.18.
Podemos ilustrar a transfiguração de Jesus por meio de um fato muito familiar a todos nós: O vidro de uma lâmpada elétrica tem a aparência de qualquer vidro; o filamento parece algum arame fino. Mas, ao entrar a energia elétrica, a lâmpada torna-se incandescente.
A transfiguração assinala um importante estágio na revelação de Jesus como o Cristo e Filho de Deus. Foi uma experiência semelhante à de Seu batismo – Mt 3.13-17; Mc 1.9-11; Lc 3.21 e ss.
Existem muitas características sobre esse relato que derivam sua significação do A.T..
(1) – Moisés e Elias representam a Lei e os Profetas a testificarem sobre o Messias, como coisas cumpridas e superadas por Ele.
(2) – Cada um deles teve uma visão da glória de Deus em uma montanha: Moisés, no monte Sinai (Ex 24.15); e Elias, no monte Horebe (I Rs 19.8).
(3) – Nenhum deles deixou neste mundo sepulcro conhecido – Dt 34.6; II Rs 2.11.
(4) – A lei de Moisés e a vinda de Elias são mencionadas juntamente nos últimos versículos do A.T. – Ml 4.4-6.
(5) – A voz celestial que disse: - “Este é meu Filho amado: a ele ouvi” – Mc 9.7, assinalou Jesus não apenas como Messias, mas, igualmente, como o Profeta de Dt 18.15 e ss.
(6) – A nuvem representa a coberta da presença divina – Ex 24.15-18; Sl 97.2 – houve uma nuvem que ocultou a Cristo da vista dos Seus discípulos, por ocasião da ascensão – At 1.9. A volta de Cristo será entre nuvens – Apc 1.7
(7) – Em Lucas somos informados que o assunto da conversa que Moisés e Elias tiveram com Jesus foi acerca do êxodos que Ele estava prestes a realizar em Jerusalém. Isso parece significar não simplesmente a Sua morte ressurreição como meio de redenção para o Seu povo, tipificado pelo êxodo do Egito, no A.T..
A transfiguração, por conseguinte, é um ponto focal na revelação do reino de Deus, pois olha de volta para o A.T. e mostra como Cristo o cumpria, e também olha para os futuros grandes eventos da cruz, da ressurreição, da ascensão e da parousia, ou seja, a manifestação gloriosa de Cristo.
Pedro equivocou-se por tentar fazer permanente aquela experiência. O que era necessário era a presença exclusiva de Jesus, e atenção à Sua voz.
III - PROFECIAS SOBRE O NASCIMENTO DO MESSIAS:

(1) – ELE NASCERIA DA SEMENTE DA MULHER – Gn 3:15 – Esta é a primeira referência sobre o Salvador do mundo; foram as palavras de Deus a satanás (a serpente).
(1.1) – O cumprimento está nas palavras de Paulo falando sobre Cristo – Gl 4:4 – Jesus nasceu para esmagar a cabeça da serpente (satanás) e reconduzir a humanidade a Deus.
(2) - ELE NASCERIA DE UMA VIRGEM – Cerca de oito séculos antes do nascimento de Jesus, Isaías profetizou: Is 7:14 - No idioma hebraico existem duas palavras com o significado de VIRGEM. Porém, entre ambas há uma pequena diferença que aumenta ainda mais a certeza de que o profeta Isaías, ao falar sobre a mãe do Messias, referiu-se a Maria, mãe de Jesus:
(A) - A primeira palavra utilizada com o sentido de virgem é BETHULAH = UMA MOÇA VIRGEM. Ela é empregada com relação à Rebeca (Gn 24:16); à esposa do sumo-sacerdote (Lv 21:13); nas leis da castidade e do casamento (Dt 22:14, 23, 28); com relação à filha de Jefté (Jz 11:37) e a respeito de Abisaque (I Rs 1:2-3). Porém, não foi esta a palavra utilizada pelo profeta Isaías.
(B) - A palavra utilizada em Is 7:14 é ALMAH = MOÇA VIRGEM, QUE ESTÁ NA IDADE DE SE CASAR, QUE TENHA SIDO PROMETIDA EM CASAMENTO OU JÁ CASADO, MAS QUE NÃO TENHA IDO PARA A COMPANHIA DO MARIDO. Esta era a situação de Maria: moça virgem, que já havia inclusive desposado José, mas ainda não coabitrada com ele.
(2.1) – Assim registrou o evangelista Mateus o nascimento de Jesus: Mt 1:18, 24-25; Lc 1:26-35.
(3) - O MESSIAS NASCERIA EM BELÉM - Mq 5:2 - Belém é também chamada a CASA DE PÃO. O Pão da Vida descido dos céus nasceria nos seus arredores! A esperança de que Cristo nasceria em Belém era muito antiga (Mt 2:4-6; Jo 7:42)
(3.1) - Cumpriu-se esta profecia em Jesus Cristo (Lc 2:4-7; Mt 2:1)
(4) - O MESSIAS SERIA HOMENAGEADO COM PRESENTES - Sl 72:10; Is 60:6 – No salmo messiânico sobre o rei justo e o seu reinado, vemos que o Messias receberia presentes.
Já o profeta Isaías profetizou sobre os presentes que seriam trazidos ao Senhor, cuja luz resplandeceria sobre Jerusalém. Ora, os magos que vieram adorar a Jesus e trazer-Lhe presentes eram orientais. Sabá e Sebá ficavam no Oriente, precisamente na Arábia, que é chamada em Gênesis de terra oriental – Gn 25:6.
(4.1) – Cumpriram-se estas profecias em Jesus – Mt 2:1, 11 - O que os magos trouxeram para presentear o menino Jesus, eram produtos genuinamente orientais.
(5) - HAVERIA MATANÇA DOS INOCENTES - Jr 31:15 – Jeremias escreveu esta profecia quase seis séculos antes do nascimento do Messias.
(5.1) – O cumprimento da profecia em Jesus - Mt 2:16-18.
(6) - O MESSIAS SERIA CHAMADO FILHO DE DEUS – O mais conhecido versículo no A.T. que revela a filiação divina do Messias está no livro de Salmos – Sl 2:7.
Mas foi no tempo do rei Davi que o Senhor Deus, através do profeta Natã, anunciou que enviaria Seu Filho, o Messias, para sempre – I Cr 17:11-14 cf II Sm 7:12-16

(6.1) - Houve o cumprimento em Jesus Cristo – No N.T. existem 41 referências a Jesus como Filho de Deus:
(A) – Os discípulos assim O reconheceram (Mt 14:33);
(B) – Pedro O confessou publicamente (Mt 16:16);
(C) – Natanael O confessou individualmente (Jo 1:4);
(D) - O centurião e os soldados romanos também reconheceram Sua filiação divina (Mt 27:54);
(E) – Até os demônios O reconheceram como Filho de Deus (Mt 8:29; Mc 3:11; 5:7; Lc 4:41);
(F) – Na ocasião do batismo de Jesus, o próprio Deus Pai O reconheceu como Seu Filho Mt 3:16-17 – Dentre todas as declarações, esta é a que tem maior peso e autoridade.
(7) – O MESSIAS SERIA DESCENDENTE DE ABRAÃO – Gn 12:7; 22:18
(7.1) – O cumprimento em Cristo – Mt 1:11 cf Gl 3:16
(8) - O MESSIAS SERIA DESCENDENTE DE ISAQUE - Gn 21:12.
(8.1) – O cumprimento em Jesus – Lc 3:23, 34 – Do verso 23 ao 34 vemos que a genealogia de Jesus mostra que Ele é descendente do patriarca Isaque
(9) - O MESSIAS SERIA DESCENDENTE DE JACÓ - Nm 24:17 – O livro de Números foi escrito cerca de 13 séculos antes do nascimento de Jesus.
(9.1) – O mesmo versículo de Lucas que mostra ser Jesus descendente de Isaque, revela que Ele é também descendente de Jacó – Lc 3:34
(10) – O MESSIAS SERIA DA TRIBO DE JUDÁ – Entre as bênçãos proféticas do patriarca Jacó sobre seus doze filhos, coube a Jduá a seguinte promessa – Gn 49:10.
SILÓ = PACIFICADOR. O profeta Isaías disse que Príncipe da Paz seria um dos nomes do Messias – Is 9:6
(10.1) – O cumprimento em Jesus - Mt 1:1; Lc 3:23, 33-34 – Uma leitura em linha reta (do verso 23 ao 34) mostra que Jesus é o descendente de Judá.
(11) - O MESSIAS FOI SERIA UM RENOVO NA CASA DE DAVI - Jr 23:5 – O ministério do profeta Jeremias iniciou-se em 625 a.C. e terminou por volta de 586 a. C. Portanto, quase seis séculos antes do nascimento de Jesus, aquele profeta falou sobre um Renovo que nasceria da descendência de Davi.
Mais de 100 anos antes do profeta Jeremias, Isaías havia escrito – Is 1:11
O rei Davi também falou destas promessas - Sl 132:11
(11.1) – O cumprimento em Jesus - Mt 1:1; 9:27; 15:22; 20:30; 21:9, 15; 22:41-46; Mc 9:10; 10:47-48; Lc 18:38-39; At 13:22-23; Apc 22:16 - Entre os judeus, a expressão FILHO DE… significa também DESCENDENTE DE…, DA FAMÍLIA DE…
(12) - O MESSIAS SERIA CHAMADO SENHOR – No salmo de Davi sobre o reino e o sacerdócio do Messias, lemos as seguintes palavras proféticas - Sl 110:1
(12.1) – O cumprimento em Jesus – Lc 2:11; 20:41-44 - Na verdade, Jesus Cristo é o Senhor do rei Davi e não propriamente seu filho. Jesus deixou bem claro para os escribas e saduceus que Ele, apesar de humanamente descender do rei Davi, estava acima dele como Rei dos reis e Senhor dos senhores.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

O Legado de Elias - Rede Brasil de Comunicação

LIÇÃO 08 - O LEGADO DE ELIAS - 1º TRIMESTRE 2013
INTRODUÇÃO

Nesta lição definiremos o que significa o termo legado. Destacaremos qual foi o legado que Elias deixou. Veremos ainda que, apesar de Elias pensar que estava sozinho o Senhor lhe dirigiu a palavra dizendo que havia ainda sete mil adoradores verdadeiros que não se curvaram diante de Baal. Pontuaremos como se deu a chamada, formação e capacitação do profeta Eliseu como substituto de Elias. E, por fim, elencaremos quais as lições que podemos extrair do chamado de Eliseu.

I - O QUE SIGNIFICA LEGADO
O dicionário Aurélio traduz a palavra “legado” da seguinte forma: “dádiva deixada em testamento; valor previamente determinado, ou objeto previamente endividado, que alguém deixa a outrem por meio de testamento”. No contexto da nossa lição, a palavra legado diz respeito a herança moral, ministerial e espiritual que o profeta Elias, deixou para o seu sucessor Eliseu, bem como também para todos os servos de Deus em todas as épocas.

II - QUAL FOI O LEGADO DE ELIAS
Elias como um profeta de Deus, deixou como legado seu exemplo de vida, seu caráter. O Aurélio define a palavra “caráter” como: “o conjunto de traços particulares, o modo de ser de um indivíduo; índole; natureza”. A Bíblia nos revela o caráter moral, ministerial e espiritual deste homem de Deus. Vejamos cada um deles detalhadamente:

2.1 Moral. Esta expressão diz respeito aos “princípios que regem a vida do ser humano, mostrando o que é certo e o que é errado” (ANDRADE, 2006, p. 270). Elias manteve-se íntegro num período de tanta apostasia sob o governo de ímpio rei Acabe e da maldosa Jezabel (I Rs 16.30,31). Ele mesmo descreve-se como um servo muito zeloso pelo Senhor 

(I Rs 19.10).
2.2 Ministerial. Já vimos que, Elias recebera de Deus o chamado para ser profeta (I Rs 17.1). O registro bíblico nos mostra que ele exerceu seu ministério como um verdadeiro mensageiro de Deus, pois anunciou que haveria seca sobre Israel, apoiado na Escritura, como sentença pela indiferença espiritual (Dt 28.23,24; II Cr 7.13); denunciou a idolatria de Acabe (I Rs 18.18); confrontou Acabe e os profetas de Baal e Aserá no Monte Carmelo a fim de erradicar a adoração ao ídolo e mostrar para Israel quem era o verdadeiro Deus (I Rs 18.19-40); e fez conhecida a injustiça cometida contra Nabote, pronunciando a sentença por este pecado (I Rs 21.17-24).
2.3 Espiritual. O profeta Elias se tornou uma referência espiritual. Ele é chamado diversas vezes de “homem de Deus” (I Rs 17.18,24; II Rs 1.6,9,11,13). Isto também porque as palavras proféticas que saiam da sua boca vinham da parte de Deus, porque tinha real cumprimento, eis algumas: (1) Elias profetizou que não choveria e não choveu (I Rs 17.1-b); (2) Em seguida anunciou que choveria e realmente choveu (I Rs 18.41,45); (3) falou a viúva de Sarepta que a farinha e o azeite da botija não faltaria e não faltou (I Rs 17.14-16); (4) Orou a Deus pela ressurreição do filho desta mesma viúva e ela asseverou: “…nisto conheço agora que tu és homem de Deus, e que a palavra do Senhor na tua boca é verdade” (I Rs 18.24); (5) No monte Carmelo clamou por fogo e o fogo caiu sobre o altar (I Rs 18.36,38).

III - O REMANESCENTE FIEL NO TEMPO DE ELIAS
A grande apostasia no Reino do Norte durante o reinado de Acabe e as ameaças de Jezabel aos profetas de Deus, levou o profeta Elias, em sua fragilidade, algumas vezes, fazer declarações precipitadas, pensando ele que era o único servo de Deus que restara “…só eu fiquei por profeta do Senhor…” (I Rs 18.22). Confira também (I Rs 19.10,14). No entanto, a voz divina assegura ao profeta que havia um remanescente que não tinha se corrompido com a adoração a Baal (I Rs 19.18). Entre os sete mil adoradores verdadeiros, podemos citar o nome de alguns, vejamos:
  • Micaías. Havia no palácio de Acabe profetas falsos que comiam da mesa de Jezabel, e profetizavam apenas o que lhe agradava (II Cro 18.5; I Re 18.19). No entanto, existia também um profeta do Senhor, o seu nome é Micaias que significa: “quem é como Deus”. Ele era um mensageiro de Jeová que se opunha severamente a práticas do rei Acabe como este mesmo declara (I Rs 22.8). Ele se manteve fiel ao que Deus lhe mandava dizer (II Rs 22.14,28), apesar de lhe custar prisão, espancamento e privações (I Rs 22.24, 27).
  • Obadias. Seu nome significa “servo de Jeová”. Apesar de ser um “mordomo” do monarca Acabe (I Rs 18.3,5). Este homem, temia muito a Deus e aos homens de Deus (I Rs 18.7). Ele ajudou a ocultar os servos do Senhor a fim de que não fossem mortos por Jezabel (I Rs 18.13).
  • Eliseu. Seu nome quer dizer “Deus é salvação”. Sem dúvida alguma, para que Deus escolhesse Eliseu para ser sucessor do profeta Elias, ele deveria ser um servo fiel. Observa-se isso também pela sua atitude ao receber o chamado divino, quando obedeceu sem hesitar, despedindo-se deu seu pai e mãe, mostrando assim ser um bom filho (I Rs 19.20,21).

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

A Viúva de Sarepta - Pb. José Roberto A. Barbosa

Texto Áureo: Lc. 4.25,26 - Leitura Bíblica: I Rs. 17.8-16
Prof. José Roberto A. Barbosa

INTRODUÇÃO
A sociedade contemporânea matou Deus, preferiu fugir da Sua realidade. Mas, a Bíblia, a Palavra de Deus, nos mostra que Ele está vivo. Na lição de hoje estudaremos a respeito da viúva de Sarepta e da providência divina através do profeta Elias. Inicialmente trataremos a respeito do contexto no qual aquela viúva viveu, em seguida, a atuação de Elias diante da adversidade da viúva, e por fim, a providência de Deus como resposta à oração.

1. A VIÚVA DE SAREPTA Sarepta era uma pequena cidade costeira, fora das fronteiras de Israel, pertencia ao domínio dos sidônios. Aquela região também passou por dificuldades em razão dos três anos e meio de seca, a respeito da qual profetizou Elias. Durante a seca, o próprio profeta se refugiou próximo ao ribeiro de Querite, até que este secou. Por providência divina Elias era alimentado pelo Senhor, os corvos lhe traziam comida. Quando a privação chegou, o profeta recebeu uma orientação do Senhor, para que se dirigisse à Sarepta, pois ali seria alimentado por uma viúva (I Rs. 17.9). Ao chegar naquela pequena cidade, o homem de Deus se deparou com a viúva catando gravetos, isso mesmo, não era lenha, pois pretendia fazer um pequeno fogo. Isso mostra que a comida era escassa, e a dificuldade abundante. Depois de horas de viagem e de cansaço, o profeta do Senhor pede àquela mulher que lhe dê comida. A mulher, obedecendo ao instinto materno, responde que tem apenas um pouco de farinha e azeite, que comerá aquela porção com o seu filho, e depois morrerá (I Rs. 17.12). O profeta, por revelação divina, revela-lhe que se ela o alimentar, tendo em vista que estava faminto, o Senhor os preservaria. Essa declaração do profeta estava fundamentada em Deus, não em interesses meramente humanos. Há muitos falsos profetas nos dias atuais, pseudoevangélicos, que se apropriam indevidamente das posses das pessoas, com promessas que Deus não fez. Mas diante da Palavra de Deus, a mulher creu, e colocou a sua fé em ação, obedecendo à mensagem profética.

2. O PROFETA E A VIÚVA DE SAREPTA
De fato, a panela de farinha nunca esvaziou, e a botija de azeite jamais secou, o Senhor supriu as necessidades daquela família. Esse é um ensinamento relevante para os dias atuais, nos quais as pessoas querem sempre mais do que precisam. Ao invés de confiarem na providência de Deus, angustiam-se demasiadamente, vivem ansiosas, perdem a fé e a confiança em Deus (Mt. 6.26-30). A teologia da ganância está fazendo estragos na fé evangélica brasileira. O contentamento, ensinamento bíblico que nada tem a ver com comodismo, não é admoestado nos púlpitos (I Tm. 6.6; Hb. 13.5). A providência divina não nos isenta do sofrimento, pois depois disto adoeceu o filho da mulher, da dona da casa, e a sua doença se agravou tanto, que ele morreu (I Rs. 17.17). A viúva de Serepta, mesmo tendo crido na mensagem do profeta, teve um momento de fraqueza, e quis culpá-lo pela morte do seu filho. Essa teologia da causa e efeito é bastante comum ainda hoje, e antiga, desde os tempos dos amigos de Jó. As pessoas querem sempre encontrar um culpado pelos sofrimentos. Os próprios discípulos de Jesus queriam saber o porquê de o homem ter nascido cego (Jo. 9.1). Ao invés de tentar justificar a teologia equivocada da mulher, Elias resolveu agir, e confiante no Deus da providência, pediu o filho, tomou-o dos seus braços, o levou para cima, e o deitou sobre a cama (I Rs. 17.19). O silêncio de Elias teve uma razão de ser naquele contexto, pois há momentos em que simplesmente as palavras não resolvem. O profeta também não questiona Deus pelo ocorrido, ele se entrega à soberania dAquele que tem todas as coisas sob o Seu comando.

3. A PROVIDÊNCIA DE DEUS ATRAVÉS DA ORAÇÃO
A confiança do profeta repousava sob a providência de Deus, com ternura Elias coloca o menino em sua cama, e recorre a último recurso do crente: a oração (I Rs. 17.20). O silêncio de Elias, diante da mãe daquele menino, se transformou em palavras diante do Senhor. Deus não receia nossa sinceridade, sua maior preocupação é com o nosso desdém em relação a Ele. Quantos hoje já não oram mais? Essa, certamente, é a geração que se esqueceu de orar. As pessoas, confiantes em seus aparatos tecnológicos, vivem como se Deus pudesse ser desconsiderado. A oração é uma necessidade para todo cristão. O apóstolo Paulo é incisivo ao orientar os crentes para que orem sem cessar (I Ts. 17). Jesus já havia orientado os Seus discípulos quanto à importância da oração (Mt. 26.41). Oramos não determinando o que Deus deve ou não fazer, pois é a vontade dEle que prevalece (I Jo. 5.14,15). O modelo de oração a ser seguido pelos cristãos não é o de Jabez, mas o de Cristo, pois Ele nos ensinou corretamente a orar (Mt. 6.5-13). Conforme nos instruiu o próprio Mestre, as orações não devam ser meras repetições, mas uma entrega total, e confiante na providência divina. Muitas vezes não sabemos orar como convém, mas o Espírito Santo nos auxilia na oração, com gemidos inexprimíveis (Rm. 8.26,27). A fé é um elemento imprescindível na oração, pois aquele que se aproxima do Senhor deve saber que Ele é galardoador dos que O buscam (Hb. 11.1,6). A perfeição não é condição para a oração, pois Elias, como bem lembra Tiago, era um homem simples, mas orou, e o Senhor o ouviu (Tg. 5.17,18).

CONCLUSÃO
Em resposta à oração do profeta Deus fez com que o menino revivesse (I Rs. 17.22-24).  Elias era um homem sujeito as mesmas paixões que nós, e não desprezou a oração. Esse é um estímulo para buscamos o Senhor em oração, sempre com a motivação maior, de nos relacionarmos com Ele. Jesus, o homem perfeito, também orou, e se Ele assim o fez, não podemos agir diferentemente (Mc. 1.35; Mt. 14.23; Lc. 6.12).

BIBLIOGRAFIA
GETZ. G. Elias: um modelo de coragem e fé. São Paulo: Mundo Cristão, 2003.
SWINDOLL, C. R. Elias: um homem de heroísmo e humildade. São Paulo: Mundo Cristão, 2001.
Publicado no blog Subsídio EBD

sábado, 26 de janeiro de 2013

O Profeta Elias - Doutrinas Bíblicas


Os seis últimos capítulos de 1 Reis ocupam-se do ministério do profeta Elias no reino do norte, o reino das dez tribos. Este espetacular homem de Deus chama nossa atenção para um bom propósito. Ele é uma das figuras mais notáveis em toda a história de Israel. Sua proeminência é vista na reforma religiosa que executou e no fato de que o Novo Testamento fala mais dele do que de qualquer outro profeta do Antigo Testamento. Além disso, ele foi o escolhido para aparecer com Moisés na transfiguração do Senhor. Ademais, é a partir deste ponto que o ministério dos profetas nos dois reinos judaicos se torna mais enfático. Um dos personagens mais surpreendentes e fantásticos de Israel, Elias aparece repentinamente em cena como um profeta da crise, com trovões na voz e tempestades no olhar. Ele desaparece também de modo súbito, levado para o céu num carro de fogo. Entre a primeira e a última aparição, estende-se uma sequência de milagres espantosos. Chamaremos atenção aqui para três coisas: seu caráter, seu ministério e seu significado.
Seu caráter

A grandeza do caráter de Elias é reconhecida por todos. Mesmo os críticos que puseram em dúvida seus milagres concordam com ela. Ele parece ter sido notável até mesmo fisicamente. Não era homem da cidade, mas do campo. De fato, parece ter sido um verdadeiro beduíno, apreciando os esconderijos dos montes e vales, percorrendo as vastas Pastagens desabitadas de Basã. Sua aparência austera e sóbria sem dúvida teria atraído imediatamente a atenção do homem da cidade, vestido de forma mais agradável. Ao lermos sobre o confronto entre Elias e Acabe, quando o profeta anunciou a aproximação de um período de seca, devemos imaginar um xeque barbudo, de cabelos longos e pele queimada pelo sol, ou um daroês magro, de olhos penetrantes, vestido com peles de ovelha, entrando ousadamente na presença do rei e levantando um braço rijo para o céu ao acusá-lo de pusilânime em tons que soavam como os ecos temíveis das montanhas. Mas Elias surpreende também no que diz respeito à sua formação moral. Três qualidades destacam-se em especial: coragem, fé e zelo. Vaja a coragem. Este é o Martinho Lutero do Antigo Israel, que sozinho desafiou todos os sacerdotes da religião do Estado e todos os cidadãos do reino para um teste decisivo no Monte Carmelo. Veja também sua fé. Ela reforça a coragem. Era necessário ter muita fé para apresentar-se a Acabe e dizer: “… nem orvalho nem chuva haverá nestes anos segundo a minha palavra” (1 Rs 17.1)! A natureza, por si só, pode fazer o orvalho e a chuva faltarem por dias ou semanas e, em casos bem raros, até por alguns meses; mas para que o orvalho e a chuva sejam retidos durante anos é necessário que haja uma intervenção sobrenatural. Observe agora o zelo de Elias. Ele verdadeiramente expressou sua principal paixão, ao afirmar: “Tenho sido zeloso pelo Senhor, Deus dos Exércitos” (1 Rs 19.10). Quanto este filho do deserto, queimado pelo sol e inculto, pode nos ensinar sobre o zelo pela honra divina, sobre a indignação ardente diante da transigência religiosa e sobre a lealdade veemente à palavra de Deus!

Seu ministério 
O Dr. Kitto comenta: “Havia dois tipos de profeta: os de ação e os de palavras. Dentre estes últimos, o maior é, sem dúvida, Isaías. Entre os primeiros, jamais houve alguém maior do que Elias”. Este é, portanto, o primeiro faio sobre o ministério de Elias: ele era um profeta de ação. Segundo nos consta, ele não escreveu nada, mas isto não nos surpreeende. Uma impetuosidade e um dinamismo como os de Elias dificilmente se unem à paciência de um escritor. Muitos dos mais entusiastas e enérgicos reformadores não tinham absolutamente qualquer dom como escritores, tram homens de ação e não de discurso. Sempre há necessidade de homens assim. O ministério de Elias também foi de milagres. A todo momento encontramos milagres. Em vista disso, alguns recentes “eruditos” descartatram sumariamente esta seção das Escrituras como sendo mítica. Todavia, a narrativa é tão sóbria e detalhada que, se não fossem palos milagres, o crítico mais destrutivo jamais questionaria sua veracidade. O ministério de Elias incluiu igualmente reforma. Ele não deu origem a nada. Contudo, protestou contra a apostasia religiosa e a degradação resultante de seu povo, chamando os homens de volta aos bons e antigo* caminhos que o Deus de Israel havia lhes designado através de Moisés. Hoje, há necessidade de denúncias assim diretas.

Seu significado 
Em primeiro lugar, Elias demonstra a verdade de que Deus tem sempre um homem que se apresenta na hora exata. As coisas já estavam suficientemente negras quando Acabe começou a reinar, mas ele logo as tornou cem vezes piores. Está escrito: “Ninguém houve, pois, como Acabe, que se vendeu para fazer o que era mau perante o Senhor, porque Jezabel, sua mulher, o instigava” (1 Rs 21.25). Sob a liderança real foi feito um esforço determinado para eliminar a religião do Senhor. Este foi o período mais medonho de toda a história de Israel. Todavia, justamente na hora crítica surge o herói de Deus. A mesma coisa repete-se continuamente na história, Quando a luz da verdade evangélica parece estar a ponto de extinguir-se da cristandade, e o papado sufoca milhares de europeus sob seu manto perverso, Deus tem seus Luteros e Calvinos para chamar o continente de volta àquela fé entregue de uma vez por todas aos santos. Quando a política, a religião e a moral se tornam tão degenerativas na Inglaterra que a própria essência da nação é prejudicada, Deus tem os seus John Wycliffes, William Tyndales, Whitefields e Wesleys. Outro aspecto que Elias ilustra é que, quando a perversidade atinge proporções extraordinárias, Deus a confronta com medidas extraordinárias Os deuses fenícios que Jezabel e Acabe ensinaram Israel a adorar representavam essencialmente os elementos materiais que produzem o orvalho e a chuva - Baal, Astarote e Aserá. Assim sendo, o Deus verdadeiro mostra sua superioridade sobre todos os poderes da natureza, suspendendo a chuva e o orvalho por três anos e seis meses. Em oposição aos milagres fictícios da falsa religião, o Senhor intervém com milagres reais. Eis a razão pela qual o ministério de Elias é de milagres. Deus está enfrentando uma situação extraordinária com medidas extraordinária*. Acredito que também hoje, quando uma situação extraordinária começa a desenvolver-se, podemos esperar que Deus enfrente mais uma vez o desafio com medidas extraordinárias.
Extraído do livro “Examinai as Escrituras”, vol. 2, de J. Sidlow Baxter, editora Vida Nova, páginas 117-119.
Publicado no blog Doutrinas Bíblicas

Elias e os Profetas de Baal - Pr. Geraldo Carneiro Filho


ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL
IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS EM ENGENHOCA
NITERÓI - RJ
LIÇÃO Nº 04 - DATA: 27/01/2013
TÍTULO: “ELIAS E OS PROFETAS DE BAAL”
TEXTO ÁUREO - I Rs 18.21
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: I Rs 18.36-40
PASTOR GERALDO CARNEIRO FILHO
e-mail: geluew@yahoo.com.br
blog: http://pastorgeraldocarneirofilho.blogspot.com/

I - INTRODUÇÃO:
Novamente a palavra do Senhor veio a Elias, agora para dirigi-lo a uma nova fase de sua missão. Ele estava prestes a enfrentar uma tarefa difícil, mas obteria sucesso absoluto. Afinal de contas, os profetas de Baal representavam uma causa perdida, mas Elias representava o Deus vivo e verdadeiro. Havia chegado para Elias a ocasião de voltar a Samaria e enfrentar o rei Acabe novamente.

II - CONFRONTANDO OS FALSOS DEUSES:
Uma das áreas onde o ser humano é facilmente confundido e iludido é a área dos sinais e maravilhas, pelo seu caráter sensacionalista e espetacular.
O sensacionalismo é um instrumento facilmente manipulável para chamar a atenção da multidão.
Satanás ama usar deste meio para chamar atenção das suas vítimas. É próprio do caráter satânico chamar a atenção para si e roubar a glória que pertence somente a Deus. E as massas são facilmente iludidas por este tipo de propaganda. A multidão, quase sempre, está atrás dos sinais e maravilhas.
Vejamos alguns deuses constantes na Bíblia Sagrada:

II.1 - BAAL:
Consistia o culto em queimar crianças vivas diante do altar e foi praticado no próprio templo de Salomão durante o reino de Atalia, Acaz e Manassés.
O plural é BAALIM = Senhor, Principal, Dono.
Em sua origem, significa Senhor ou Possuidor.
Segundo a crença, Baal fecundava a terra por meio de suas fontes e a quem como dono divino, se devia tributo. O Baal introduzido em Israel por Acabe foi MELKART DE TIRO (ASTAROTE).
Baal era adorado nos lugares altos de Moabe, desde os dias de Balaão e Balaque.
Este culto idólatra era acompanhado de ritos lascivos (I Rs 14:24).
Os pais sacrificavam os seus filhos, passando-os pelo fogo (Jr 19:5) e osculavam as imagens de Baal (I Rs 19:18; Os 13:2).
Este deus estava associado à Astarote (Jr 2:13) e nas proximidades de seu altar havia frequentemente uma imagem da deusa Aserá (Jz 6:30; I Rs 16:32-33).
Não se deve confundir este Baal com o deus da Babilônia, BEL, apesar de ambos serem adorados do mesmo modo e com a mesma significação.
No templo de Baal havia um bosque em torno do altar (Ex 6:25, 28).

II.2 - ASERÁ:
Aserá ou Aserem (plural de Aserim), é a forma masculina; e Aserote, a feminina.
É palavra traduzida uniformemente por BOSQUE.
Aserim é o nome de um tronco de árvore de que foram tirados os ramos e que era tido como símbolo de uma deus e com este nome de Aserá, representando a abundante fertilidade (Ex 34:13).
Os profetas de Aserá do tempo de Acabe, foram mortos, juntamente com os profetas de Baal, na Torrente de Quisom (I Rs 16:33; 18:19-40).
As mulheres teciam cortinas para o Aserá do Templo (II Rs 23:7). O rei Josias, como parte de sua reforma religiosa, mandou tirar do templo todos estes símbolos idólatras e os queimou no Vale de Cedrom.

II.3 - ASTAROTE:
Salomão adorou Astarote, deusa dos sidônios (Jz 2:13; 10:6; I Sm 7:3).
A palavra é o plural de ASTARTE.
Astarote é o mesmo príncipe das trevas que foi adorado como Ísis, no Egito; Diana, em Éfeso; Iemanjá, na Umbanda e a Rainha dos Céus (sob o nome de Maria), na Igreja Católica.
Para os gregos, Astarote foi Afrodite e, para os romanos, Vênus, deusa da guerra e do amor. Como deusa do amor, Astarte patrocinava a volúpia e a fecundidade. O culto a Astarote envolvia práticas lascivas extremas.
As Escrituras mencionam “Astarotes”, que era a agregação dos vários tipos de imagem-mulher adorados pelos cananitas. Todas procedem, segundo a história da Babilônia, de Semíramis e de seu casamento com Ninrode. Como se vê, a coisa vem de tempos remotos, tendo efeitos nocivos na sociedade que agora entrou no Século XXI!
Onde opera, hoje, a influência desse príncipe?
Ele é o encarregado de promover o culto ao belo, ao perfeito e ao corpo, sempre ligando-o ao sensualismo.
Há hoje na sociedade um verdadeiro culto ao belo. Jovens que procuram as academias para apresentar um corpo perfeito, que frequentam salões de beleza a todo instante para evitar as rugas, impedir a velhice, etc. Sempre a preocupação é manter-se sensual.
Tudo o que induzir ao sexo, à sedução sexual, tudo o que levar uma pessoa a querer mostrar sua beleza e vestir-se com o fim de atrair alguém para o sexo, vive sob influência desse principado satânico. Toda pornografia e apelos sexuais são capitaneados por Astarote, cuja missão é levar a sociedade à perdição.

II.4 - MOLOQUE, MILCOM e CAMOS:
Um deus dos amonitas - Lv 18:21; I Rs 11:5, 33; II Rs 23:10; Jr 32:35; Am 5:26; At 7:43.
O segundo demônio que Salomão adorou foi MILCOM, abominação dos amonitas e a CAMOS, abominação de Moabe.
Milcom e Moloque são os mesmos deuses adorados em diferentes países.
Moloque exigia sacrifício de crianças.
Milcom era o deus de Amom cuja nação foi formada com os descendentes de Ló, que cometeu incesto com as suas duas filhas. Deduzimos, portanto, que esse deus está ligado ao lar, separando casais e levando à prática de incesto.
Desta forma, Milcom, Camos e Moloque trabalham na desestruturação dos lares.
Moloque ataca as crianças (hoje em forma violenta pela mídia, desenhos, filmes, etc).
Milcom e Camos, juntamente, operam na defesa do aborto, o que não deixa de ser uma espécie de sacrifício de crianças.

II.5 - VENTRE E BACO:
As Escrituras falam também de Ventre ou Baco. Ainda que não estejam mencionados no Antigo Testamento, esse príncipe leva as pessoas ao culto das coisas terrenas.
Paulo fala daqueles que adoram seus próprios ventres (Rm 16:18) “visto que só se preocupam com as cousas terrenas” (Fp 3:19).
A palavra BACANA procede desse contexto, e, por extensão, BACANAL! É uma mistura de prazer, sexo e comida, ou seja, orgia, onde sexo, banquete e festa são elementos presentes.
Dar-se o prazer de festas e comidas, mesmo com a ausência de sexo, ainda é servir a Baco, deus do ventre! E quantos crentes caem nesse laço de Baco!
A comunidade dos discípulos de Jesus pode ter seus momentos de festas, com alegria, comidas, etc. Jesus participou dessas festas.
A Igreja dos dias apostólicos tinha seus momentos de celebrações.
Deus mesmo instituiu as festas para o povo judeu no Antigo Testamento.
Mas quem era celebrado entre os discípulos? JESUS. Sempre que o pão era partido havia a lembrança de Jesus!
O problema maior da Igreja é que em suas festas Jesus é dispensado, apenas Baco ou Ventre são celebrados.

II.6 - “DEUS DE ISRAEL” - O VERDADEIRO DEUS
O nosso Deus é o Senhor soberano e o único que pode suspender as leis conhecidas como naturais e colocar uma outra lei em operação, para intervir na situação humana. Por isso, nosso Deus é o Deus dos milagres:
(1) - Abre uma estrada seca no meio dos mares para libertar o seu povo (Ex 14:15-25);
(2) - Derruba o muro de Jericó com o som da trombeta (Js 6);
(3) - Faz o Seu povo ganhar a guerra fazendo o sol e a lua pararem (Js 10:12-15);
(4) - Faz perecer Moabe, Amom e os da Montanha de Seir com os louvores dos levitas (II Cr 20);
(5) - Vence a morte (Jo 11);
(6) - Cura enfermos (Lc 14:1-6);
(7) - Dá vista aos cegos (Lc 18:35-43);
(8) - Limpa e cura leprosos (Lc 17:11-19);
(9) - Expulsa demônios (Mt 17:14-21);
(10) - Multiplica pães e peixes para a multidão (Mt 14:13-21);
Enfim, O NOSSO DEUS É O SENHOR DOS MILAGRES.     III -