quarta-feira, 15 de outubro de 2014

O Deus que Intervém na História - Ev. Isaías de Jesus
Publicado em 15 de Outubro de 2014 as 20:19:56 Comente

TEXTO ÁUREO = “Falou Daniel e disse: Seja bendito o nome de Deus para todo o sempre, porque dele é a sabedoria e a força; ele muda os tempos e as horas; ele remove os reis e estabelece os reis; ele dá sabedoria aos sábios e ciência aos inteligentes” (Dn 2.20,21).

VERDADE PRÁTICA = Deus intervém na historia, pois sua é a terra e os que nela habitam.
LEITURA BIBLICA = Daniel 2.12-23
INTRODUÇÃO
Os maiores homens são os mais expostos às preocupações e transtornos da mente, que perturbam o seu repouso noturno, enquanto o sono do trabalhador é doce e profundo.
Não conhecemos a inquietação de muitos que vivem com grande pompa e, conforme outros pensam de modo vão, com prazer.
O rei pediu aos seus sábios que lhe declarassem o próprio sonho, caso contrário, todos eles seriam executados como enganadores.
Os homens estão mais ansiosos por perguntar sobre os acontecimentos futuros do que por aprender o caminho da salvação ou a senda do dever; porém, o conhecimento antecipado dos sucessos aumenta a ansiedade e o transtorno.
Aqueles que enganavam, pretendendo fazer aquilo que não podiam, foram sentenciados à morte por não conseguirem levar adiante seus enganos.

Nabucodonosor pede aos sábios que lhe revelem seu sonho, 2: 1-3.
2: 1 - Os críticos se referem a esta data do “segundo ano do reinado de Nabucodonosor” como prova de que o livro não foi inspirado porque, dizem eles, Daniel, por este tempo, não poderia ter terminado seus três anos de preparação.
Mas, de acordo com o sistema babilônio de contagem, o segundo ano de Nabucodonosor seria realmente seu terceiro ano no trono, desde que um ano não seria contado enquanto não se completasse (veja 1: 1).
Portanto, isto não contradiz a possibilidade do sonho ter ocorrido no fim do “segundo ano” de Nabucodonosor, e que Daniel assim interpretou o sonho logo que ele tivesse completado seu terceiro ano de preparação.
Outra explicação plausível é que Daniel e seus três amigos estavam ainda em preparação, mas bastante avançados para serem contados entre os sábios, 2:14-18,24-28.
2:2-3 - Mágicos, astrólogos, feiticeiros e caldeus representam todos os tipos de sábios na Babilônia. Ainda que Caldeia literalmente descrevesse o território ao sul da Babilônia, o termo “caldeus” chegou a representar a nata da sociedade babilônia, homens de grande conhecimento que influenciaram os negócios políticos e religiosos do reino.
Os sábios perguntaram primeiro sobre o sonho para que pudessem interpretá-lo, 2:4-13.
2:4 - Começando neste versículo e continuando até 7:28, os manuscritos existentes de Daniel são escritos em aramaico (siríaco). Todo o restante do livro é escrito em hebraico (veja a Introdução).
O aramaico era a língua predominante falada no reino e foi adotada até pelos exilados judeus, que continuaram a falá-la quando retomaram à Palestina.
2:5-6 - O decreto do rei punha à prova a autenticidade destes sábios. Se tivessem realmente capacidade sobrenatural, eles poderiam revelar a Nabucodonosor tanto o sonho como a interpretação. Se pudessem fazer isso receberiam grande honra, mas se não pudessem, então morreriam.
2:7-9 - Eles começaram a ganhar tempo repetindo o pedido para que o rei revelasse seu sonho.
Nabucodonosor percebeu o seu estratagema de preparação de mentiras quando eles se detiveram algum tempo na esperança de que a situação pudesse mudar. Mas se recusou a alterar o seu decreto.
2: 1 0-11 - Eles descreveram a exigência do rei como insensata e impossível. Naturalmente, isto era admitir que eles eram embusteiros.
2:12-13 - Nabucodonosor enfureceu-se e emitiu o decreto para que os sábios fossem mortos. Isto incluía Daniel e seus companheiros.
Daniel pede tempo para revelar o sonho, 2:14-16.
2:14-16 - Quando Arioque, o capitão dos algozes do rei, veio prender Daniel, ele lhe fez saber tudo o que tinha acontecido.Daniel requereu ao rei que lhe desse tempo para estudar o sonho e sua interpretação.
Daniel rende glória a Deus pela revelação do sonho, 2: 17 -30.

A oração e a resposta quando o pedido é concedido, 2: 17-23.
2: 17 -18 - A fé de Daniel em Deus era inabalável. Ele tinha firme esperança que este segredo seria revelado, mas buscou seus três companheiros para juntarem-se a ele em orações a Deus, pedindo a revelação. A confiança não lhe permitiu esquecer sua dependência de Deus.
2: 19-22 - O segredo do sonho foi revelado numa visão noturna e Daniel, agradecido, louvou o Deus do céu. “Dele é a sabedoria e o poder” (Ele é absoluto em todos os seus caminhos).
“É ele quem muda o tempo e as estações.” (Comanda a ascensão e a queda dos reinantes da terra).
“Remove reis e estabelece reis.” (Deus é o supremo dominador do universo). “Dá sabedoria aos sábios…” (É a fonte da sabedoria).
“Ele revela o profundo e o escondido” (É capaz de conhecer o futuro).
2:23 - Daniel agradeceu a Deus pela sabedoria e poder concedidos a ele. Qualquer êxito que tivesse com Nabucodonosor não seria por sua própria força, mas pela de Deus, e Daniel humildemente reconhecia esse fato.
Daniel louva a Deus diante de Nabucodonosor, 2:24-30.
2:24-25 - Daniel persuadiu Arioque a não matar os sábios porque agora ele poderia satisfazer o pedido do rei. Arioque levou Daniel rapidamente a Nabucodonosor.
2:26-28 - Daniel reconheceu que nenhum homem, por si só, tinha capacidade para revelar segredos. Somente Deus no céu tem essa capacidade.
Daniel falou ousadamente do Deus verdadeiro ao rei pagão e idólatra. A expressão “últimos dias” sempre se refere à era messiânica ou àqueles dias que precederam o período messiânico, quando o reino de Deus seria estabelecido (veja Gênesis 49: 1,9-1 O; Números 24: 14, 17; Isaías 2:2-3).
É o mesmo período do qual Joel falou (2:28-32), citado por Pedro no Pentecostes e aplicado ao seu próprio tempo (Atos 2: 17). O período dos “últimos dias” está em contraste com “os tempos passados” quando Deus ainda planejava as dispensações futuras na terra para o homem (veja Hebreus 1: 1-2).
Estamos agora vivendo nos “últimos dias” na terra porque, depois disto haverá julgamento e eternidade (l Coríntios 15:23-26).
2:29-30 - Daniel afirma claramente que ele é apenas o instrumento através do qual Deus está dando a conhecer a história mesmo antes que ela ocorra.
A revelação e a interpretação do sonho de Nabucodonosor, 2:31-49.
1. O sonho, 2:31-35.
2:31-33 - Nabucodonosor tinha visto em seu sonho uma imagem brilhante e terrível composta de diferentes metais.
A cabeça era de ouro; o peito, de prata; o abdômen de bronze; as pernas de ferro e os pés de ferro e argila.
2:34-35 - Uma pedra talhada sem o auxílio de mãos (de origem divina) feriu a imagem de modo que ela foi demolida.
Então a pedra se tornou uma grande montanha que encheu toda a terra. 2. A interpretação do sonho, 2:36-45.
2:36-38 - Nabucodonosor ou, realmente, o reino de Babilônia, é representado pela cabeça de ouro. Este era um grande império, um domínio governando o mundo.
Deus era a fonte do poder, força e glória deste reino (veja 2:21; 4:25). Deus é o soberano governante do universo (Jeremias 27:5-8). Se alguém questionar esta declaração, então que explique como Daniel pôde tão exatamente predizer a queda da Babilônia, bem como as sucessivas ascensões e quedas de outros três impérios mundiais? Além do mais, porque não houve outros impérios mundiais? Desde os dias do império romano (durante o qual o reino de Deus foi estabelecido, 2:44), não houve outro domínio imperante mundial.
2:39 - Outros reinos que terão “domínio sobre toda a terra” sucederiam a Babilônia. O peito e os braços de prata representavam o reino da Medo-Pérsia (veja 5:28; 8:20). Este seria sucedido pelo reino da Grécia (Macedônio) conduzido por Alexandre o Grande (veja 8:21). Daniel não se estende sobre nenhum destes impérios mundiais.
Esta não é uma lição de história, mas o objetivo é mostrar pela inspiração profética que Deus está no comando e que seu reino seria estabelecido. Todos estes reinos terrestres caíram por decreto divino.
A brevidade desta descrição é diferente do que qualquer homem teria escrito.
A exatidão desta profecia é diferente do que qualquer homem poderia ter escrito. O poder da profecia cumprida confirma a inspiração das Escrituras e repele os esforços dos infiéis que negam a inspiração.
2:40-43 - O quarto reinado é o império romano, representado pelas pernas de ferro e os pés de ferro e de argila lodosa.

Roma era forte, e o ferro era um símbolo apropriado (veja 7:7). Contudo, este reino era fraco dentro de si, o que é representado pela mistura de ferro com argila. Ainda que fosse capaz de conquistar o mundo, Roma jamais seria capaz de combinar o povo em um só.
Roma teve muitas dificuldades em manter o império coeso e, finalmente, o império caiu tanto por causa das fraquezas de dentro como pelos exércitos de fora. É digno de se notar que em nenhum lugar “dez” dedos foram especificados. Muito é dito sobre isto pelos pré-milenaristas, que tentam dar “interpretação” adicional ao sonho em seu esforço para negar o que realmente é dito (isto é, que o reino de Deus foi estabelecido nos dias do quarto reinado, que era o romano). Não há qualquer outra interpretação simbólica dos dedos que não seja a fraqueza do reino tendo ferro e argila misturados.
2:44 - “Nos dias destes reis” (império romano), o reino de Deus seria estabelecido. Jesus confirmou esta profecia (Marcos 1:14-15; 9:1). Este reino é de origem divina e de duração eterna (Hebreus 12:28).

2:45 - A pedra não era de origem humana, indicada pelo fato que era cortada sem mãos. A igreja é o reino de Deus (Mateus 16: 18-19). Ainda sendo Deus o soberano Senhor de todo o mundo, ele tem um povo especial que se submeteu voluntariamente ao domínio de Jesus Cristo (Colossenses 1:13-14; Apocalipse 1:5-6; 5:9-10; 12:5; 17:14; 19:15; 1 Pedro 3:22; Efésios 1 :20-23). O reino de Deus é um reino espiritual (Lucas 17:20-21).
O reino de Deus não permanece forte por causa de sua força física, mas por causa do uso da espada do Espírito (João 18:36; 2 Coríntios 10:3-5).
O reino de Deus que foi estabelecido nos dias do império romano continua até agora. O evangelho tem sido pregado através do mundo, e onde quer que tenha ido obteve vitória ao voltar os corações dos pecadores para o domínio de Cristo. Os reinos dos homens têm vindo e ido. Mas desde os dias do império romano não tem havido nem haverá outro império mundial dominado pelos homens. Todas as tentativas para fazer isso levaram a nada. Mas o reino de Deus continuará na terra até a segunda vinda de Cristo, quando será entregue ao Pai (1 Coríntios 15:23-36).
3. A reação de Nabucodonosor, 2:46-49
2:46-47 - O rei “engrandeceu a Daniel” no sentido que ele o honrou.Mais importante, ele honrou o Deus a quem Daniel representava. Contudo, os acontecimentos registrados no próximo capítulo mostram claramente que Nabucodonosor não renunciou aos modos pagãos nem se converteu completamente ao Senhor. Talvez ele fosse como muitos hoje em dia que sabem e reconhecem a verdade, mas nunca se submetem plenamente em obediência.
2:48-49 - Daniel foi posto como chefe supervisor da província da Babilônia, e seus companheiros também receberam cargos oficiais no reino.

Aplicações para os Dias de Hoje:
1. DanieI2:21,37 - Deus domina nos reinos dos homens. Ainda que ele tenha feito do homem um agente moral, livre para escolher entre o bem e o mal, Deus tem o comando soberano do destino da terra. As nações perversas podem existir durante um período de tempo, mas, no final, o Senhor as reduzirá a nada (provérbios 14:34; 16: 12; Apocalipse 1:5; Efésios 1 :20-23).
2. Daniel 2:40-45 - O reino de Deus tinha de ser estabelecido nos dias do império romano. Quando os pré-milenaristas negam que isto tenha acontecido, eles esvaziam a profecia. Cristo disse “o tempo está cumprido” (Marcos 1:14-15; 9:1), e os discípulos acreditaram que o reino foi estabelecido no tempo previsto, porque eram cidadãos dele (Colossenses 1: 13; Apocalipse 1:9; Hebreus 12:28).

Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de JesusIgreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados - MS
BIBLIOGRAFIAwww.estudosdabiblia.netComentário Bíblico Mathew Henry

O SONHO DE NABUCODONOSOR, 2.1-49
1. Sonhos Assombrosos Impossíveis de Lembrar (2.1-3)
Os três primeiros versículos dessa seção continuam a narrativa em hebraico. Após as palavras: E os caldeus disseram ao rei em siríaco (4) começa a seção em aramaico que continua até o final do capítulo 7.
A maior parte dos expositores evangélicos identifica esse capítulo e seu correlato, o capítulo 7, como os textos-chave do livro. Aqui vemos o Deus dos céus revelando a um rei pagão o plano divino ao longo das épocas e estágios da história até a consumação no Reino de Deus.
Nabucodonosor (1) era ainda bastante jovem e acabara de herdar o trono. O poder que estava em suas mãos estava crescendo rapidamente. Além disso, por meio de um programa criativo e ousado de construção de cidades em seu próprio país ele estava conquistando a confiança dos líderes religiosos e da população que apoiavam entusiasticamente a sua liderança.
Nessa fase da sua carreira, o rei mostrou uma qualidade marcante de grandeza. Em vez de seguir em um frenesi crescente de realizações, ele buscou acalmar-se para poder pensar acerca do significado da sua própria vida e do poder que estava em suas mãos. Qual seria o seu destino? E qual seria o destino do império que havia ajudado tão recentemente a fundar? Enquanto ponderava, começou a sonhar.
Embora seus sonhos fossem confusos, serviram para provocar pensamentos e perguntas ainda mais profundos acerca do destino e significado da vida.
O seu espírito se perturbou, e passou-se-lhe o seu sono (1). Deus estava por trás desses questionamentos e sonhos.
Esse assunto se tornou tão urgente para Nabucodonosor que tomou medidas extremas para resolver seus problemas. Seus próprios esforços intelectuais não eram suficientes para responder às suas perguntas. Ele chamou os eruditos e especialistas em ciência, filosofia e religião para uma consulta.
A função especial de cada um dos quatro grupos mencionados não está inteiramente clara. Mas parece que os magos (2) eram peritos nas artes ocultas, os astrólogos deveriam ter acesso ao conhecimento sobrenatural por meio do estudo dos céus, os encantadores eram manipuladores de poderes sobrenaturais por meio da feitiçaria, e os caldeus eram os líderes de uma casta sacerdotal na sociedade babilônica.
Surge naturalmente uma pergunta: Por que Nabucodonosor não incluiu Daniel e seus amigos em sua primeira convocação? É bem provável que esses recém-chegados ainda não houvessem conquistado um lugar reconhecido entre os conselheiros sábios e profissionais.
Além disso, esses hebreus, apesar de serem altamente dotados, não haviam sido aceitos na casta sacerdotal.

2. As Exigências Impossíveis do Déspota (2.4-13)
O rei apresentou a esses homens sábios o problema da sua profunda preocupação acerca do sonho que o havia acordado e fizera seus pensamentos fluir em uma correnteza inquietante. Os representantes sacerdotais, os caldeus (4), tornaram-se os porta-vozes para o restante do grupo e pediram uma descrição mais exata do problema.
Eles pediram detalhes específicos do sonho antes de aventurar uma interpretação. Esse pedido irritou o rei. Ele os acusou de falar até que se mude o tempo (9), i.e., simplesmente protelando para conseguir mais tempo.
Se a habilidade sobrenatural deles era genuína, eles deveriam garantir sua interpretação ao contar-lhe o sonho. Isso, obviamente, tirou a máscara da sua hipocrisia, porque não tinham meios de contar-lhe o sonho.
Visto que o rei tinha tornado isso uma questão de vida ou morte para todos os sábios, eles começaram desesperadamente a procurar uma forma de sobrevivência.
Quando descobriram que nem mesmo o rei poderia ajudá-Ios porque havia esquecido seu sonho, eles perceberam como a sua situação era desesperadora. Postos contra a parede, eles foram impelidos à verdade. Porquanto a coisa que o rei requer é difícil, e ninguém há que a possa declarar diante do rei, senão os deuses, cuja morada não é com a carne (11).
Keil insiste em que o rei, na verdade, não tinha esquecido o sonho, mas estava determinado a testar a veracidade das habilidades desses denominados sábios. Se eles pudessem relatar os detalhes do seu sonho, ele estaria certo de que a interpretação deles teria validade. Mas se eles não tinham a habilidade nem mesmo de descrever o sonho, a professa habilidade sobrenatural deles era uma farsa e o castigo horrendo com que o rei os havia ameaçado seria o seu Justo destino.
Quer o sonho tenha sido esquecido, quer não, a situação dos sábios havia se tornado desesperadora.
O castigo decretado “por Nabucodonosor era bastante comum entre os babilônios (veja 3.29). A despedaçamento de cativos de guerra havia sido praticado até pelos hebreus (1 Sm 15.33) como uma manifestação de julgamento extremo. Nabucodonosor acrescentou a esse horror o confisco de propriedade e a profanação das casas das vítimas. tornando-as um monturo (5), i.e., depósitos de lixo públicos.

3. Deus Concede a Daniel a Interpretação (2.14-23)
Embora Daniel e seus companheiros tivessem escapado da convocação do rei, não escaparam da inclusão no decreto de matar os sábios (14). Eles também estavam entre aqueles que seriam executados.
Quando Daniel ficou sabendo da natureza do decreto e do motivo da sua severidade, imediatamente se dirigiu ao rei. O fato de ter esse tipo de acesso testemunha a alta posição que havia herdado nos exames ocorridos tão recentemente (1.19-20). Na presença de Nabucodonosor,
Daniel corajosamente prometeu que daria a interpretação (16), se lhe desse tempo. O rei, antes tão furioso com as manipulações desesperadas dos sábios, estava evidentemente impressionado com a sinceridade, firmeza e confiança de Daniel.
A própria ação de Daniel foi coerente com o homem de Deus que era.
Ele chamou seus três companheiros para juntos com ele passar um tempo em oração intercessora fervorosa. A resposta a essa oração não demorou a chegar. Quando Daniel recebeu o sonho em uma visão noturna, ele irrompeu em um hino de louvor exultante a Deus.
Louvado seja o nome de Deus para todo o sempre; a sabedoria e o poder a ele pertencem. Ele muda as épocas e as estações; destrona reis e os estabelece.
Dá sabedoria aos sábios e conhecimento aos que sabem discernir. Revela coisas profundas e ocultas; conhece o que jaz nas trevas, e a luz habita com ele (20-22, NVI).

4. A Apresentação de Daniel ao Rei (2.24-30)
A confiança de Daniel em Deus e na resposta que havia recebido era completa: darei ao rei a interpretação (24). A visão que Deus tinha lhe dado era idêntica à do rei, porque o mesmo Deus tinha concedido as duas visões. Sendo assim, ele nem precisou inquirir o rei para testá-la.
A alegria de Arioque em ver que Daniel estava pronto para dar a resposta ao rei ficou evidente em suas ações: Arioque depressa introduziu Daniel na presença do rei (25).
Quando o incrédulo rei perguntou se Daniel poderia cumprir sua difícil exigência, ele se deparou com um homem que estava firmado sobre um fundamento mais sólido do que o solo da Babilônia.
Daniel humildemente declarou que sua fonte de conhecimento era uma revelação do Deus nos céus, o qual revela os segredos (28). Ele negou qualquer revelação própria. Além disso, essa revelação particular foi dirigida de Deus para o próprio rei, para que soubesse os pensamentos do seu próprio coração e o que há de ser no fim dos dias.

5. A Interpretação de Daniel (2.31-45)
Tu, ó rei, estavas vendo, e eis aqui uma grande estátua; essa estátua, que era grande, e cujo esplendor era excelente, estava em pé diante de ti; e a sua vista era terrível (31; “sua aparência era amedrontadora”, RSV). Essa visão imensa e deslumbrante havia deixado o rei perplexo e confuso. Embora fosse apenas uma única imagem, ela era um composto.
Ela começava com ouro brilhante na cabeça (32) e gradualmente deteriorava em qualidade com o peito e os braços de prata, o ventre e as coxas de cobre, as pernas de ferro (33), e os pés com uma mistura de ferro e barro quebradiço.
Então foi cortada uma pedra (”uma pedra soltou-se”, NVI) sem auxílio evidente de uma mão (34).
Quando a pedra esmiuçou a imagem na sua base, toda estrutura ruiu e ela foi reduzida a pó como a pragana (35) e levado pelo vento. A pedra se transformou em um grande monte.
Daniel instantaneamente identificou o rei com a imagem que havia visto. Tu, ó rei, és rei de reis, pois o Deus dos céus te tem dado o reino, e o poder, e a força, e a majestade (37). E Daniel acrescentou especificamente: tu és a cabeça de ouro (38).
Não é difícil imaginar o espanto e a alegria que esse rei deve ter sentido ao ouvir essa revelação marcante. Nabucodonosor ouviu em detalhes o sonho do qual vagamente se lembrava. Isso trouxe uma garantia acerca da verdade da mensagem sobrenatural para Nabucodonosor. Enquanto ouvia, Nabucodonosor percebeu que ele era o primeiro de uma sucessão de impérios. Todos esses impérios tinham um alvo na história - a dissolução debaixo do triunfo e domínio do Reino do Deus dos céus, que nunca será destruído.
O reino de Deus esmiuçará e consumirá todos esses reinos e será estabelecido para sempre (44).
Então Daniel reiterou o propósito do sonho ao rei e lembrou-lhe que vinha de Deus. O Deus grande fez saber ao rei o que há de ser depois disso (45). Os questionamentos mais profundos do rei haviam sido respondidos.
O significado do destino para ele e para todos os governantes terrenos era que a mão de Deus está sobre o curso da história. O alvo final não é o governo do homem em esplendor crescente mas o governo de Deus sobre as ruínas da loucura do homem.
Embora os intérpretes não tenham chegado a um consenso na identificação dos cinco reinos do sonho de Nabucodonosor, a tradição e a interpretação evangélica têm concordado quase que unanimemente.
O primeiro reino (38) é expresso de forma clara; a cabeça de ouro é o Império Babilônico. O quinto (44) também está claro; trata-se do Reino de Deus. O segundo (39a) é geralmente reconhecido como o Império Medo-Persa. O terceiro (39b) e o quarto (40) têm recebido interpretações divergentes, principalmente entre aqueles que entendem que o quarto reino representa o governo grego ou o governo que sucedeu Alexandre.
Isso concentraria as últimas mensagens do livro de Daniel no reino de Antíoco Epifânio. Mas, para a maioria, desde os dias de Jerônimo, o terceiro reino tem sido identificado como o reino da Grécia, fundado por Alexandre e o quarto como o reino de Roma. O versículo 43 reflete as fraquezas de casamentos mistos ou o rápido declínio da sociedade no colapso do quarto reino (Berkeley, nota de rodapé).
Visto que a imagem do sonho de Nabucodonosor e a visão de Daniel no capítulo são obviamente paralelas, a interpretação do sonho deve ser restringida pelo conteúdo da visão.

6. A Exaltação de Daniel (2.46-49)
A reação de Nabucodonosor diante da notável revelação foi impressionante. Como pagão, ele reagiu da única maneira conhecida por ele. Nabucodonosor caiu em adoração diante de Daniel, que ele acreditava ser uma manifestação personificada do sobrenatural. Ele ordenou que fosse feita uma oferta de manjares (46) e de incenso. Então ele louvou o Deus de Daniel, o Deus dos deuses, e o SENHOR dos reis, e o revelador dos segredos (47). Para mostrar sua gratidão de maneira prática ele deu muitos presentes a Daniel e o colocou como governador de toda a província de Babilônia (48). A pedido de Daniel, seus três companheiros receberam importantes cargos políticos. Mas Daniel estava às portas do rei.
Comentário Bíblico Beacon

DANIEL O INTÉRPRETE DE SONHOS
TEXTO ÁUREO = “Ma há um Deus nos céus, o qual revela os segredos; ele, pois fez saber ao rei Nabucodonosor o que há de ser no fim dos dias” (Dn 2.28).
VERDADE PRÁTICA = Somente Deus é capaz dc revelar os acontecimentos futuros, pois Ele é Onisciente.

LEITURA EM CLASSE = DANIEL 2.1,2,10,12,16-19,27,28
INTRODUÇÃO
Havia-se passado algum tempo, desde que Daniel concluirá seu treinamento na escola palaciana. Ele fora aprovado por Nabucodonosor, e ficara “perante o rei” (Dn 1.18,19).

1. O SONHO DO REI NABUCODONOSOR
1. A crise provocada pelo sonho do rei. Nabucodonosor teve um sonho, mas não entendeu o que presenciou. Por isso, seu espírito se perturbou, a ponto de perder o sono, porque guardava a certeza, de que a visão encerrava algo de suma importância (v. 1). Convocou todos os sábios de seu reino, isto é, os magos, os encantadores, os astrólogos, os caldeus, para que lhe declarassem a revelação e a sua interpretação. Observamos que Daniel não foi convocado, mesmo, pouco tempo antes, tivesse sido avaliado dez vezes mais sábio que os entendidos do reino (Dn 1 .20). Talvez o consideraram muito jovem.
O rei, no princípio da conversa, prometeu uma recompensa material (v.6), e terminou sua mensagem com a ameaça da morte de todos (v.12). Como não puderam dar a resposta que ele exigia, este, muito irado, decretou o extermínio de todos os sábios da Babilônia. Daniel e seus amigos foram agora lembrados para serem mortos (v.13). Isto mostra que eles, efetivamente, faziam parte dos conselheiros do rei.

2. O pouco valor dado à vida humana. Em um momento de capricho do rei da Babilônia, todos os sábios do reino foram condenados à morte! Um pequeno exemplo do que o paganismo tem a oferecer a seus seguidores. A esperança da humanidade é o Evangelho de Jesus Cristo. Esta mensagem, divulgada e recebida entre os povos, através da obra missionária, fez com que o poder da palavra começasse a influenciar positivamente a atitude das pessoas frente à vida, e modificou até mesmo a legislação de muitos países. Os “direitos humanos” são fruto do Cristianismo.
O Evangelho trouxe também a valorização da mulher. Nos países pagãos, eia tem pouco ou nenhum valor. Mas a Bíblia ensina: “Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo” (Gl 3.28). Onde a Bíblia penetra e é praticada, a mulher tem o mesmo valor do homem.

3. Daniel, o homem certo, no momento apropriado. Daniel, sabedor do decreto real, pediu que lhe fosse dado um tempo, para que pudesse revelar e interpretar o sonho do rei (v.16). Foi um grande passo de fé, e mostra que ele já sabia, por experiência própria, que Deus nunca falha. Fez saber o caso aos seus amigos e, juntos, oraram, pediram misericórdia a Jeová quanto ao segredo, para que Daniel fosse o instrumento para a salvação não só deles próprios, mas também dos sábios da Babilônia, naquele momento crítico para todos (v. 17,18).

4. Deus responde a oração. Deus respondeu a oração, ao revelar o segredo a Daniel, numa visão de noite (v.19). Ele experimentou mais uma vez que a sombra das asas do Senhor é abrigo seguro nas calamidades (Sl 57.1), pois Jeová é socorro bem presente na angústia (Si 46.1), e quando lançamos o nosso cuidado sobre o Todo-Poderoso, Ele nos sustém (Sl 55.22). O louvor do profeta (vv.19-23) é um modelo de oração que brotou de um coração quebrantado diante da soberania divina. “Invoca-me no dia da angústia, e eu te livrarei, e tu me glorificarás (S 50.15).

5. Daniel conta o sonho ao rei. Daniel foi introduzido na presença de Nabucodonosor que estava ansioso (v.26). O profeta confirmou o que os sábios haviam anteriormente dito, isto é, aquilo que o rei requeria, ninguém era capaz de descobrir. Mas o Deus dos céus revela todos os segredos (v.28). Ele estava ali da parte do Todo-Poderoso, para contar ao rei o sonho, e dar- lhe a devida interpretação (vv. 31- 36).

II. DANIEL REVELOU E INTERPRETOU O SONHO
O sonho é um resumo profético dos acontecimentos que vão desde o cativeiro babilônico, até a vinda de Cristo em glória, no término da Grande Tribulação. Inteirar-se do significado desta visão é de suma importância para nós que vivemos às portas do Arrebatamento da Igreja, pois esta visão ajuda a compreender globalmente a palavra profética.

1. A cabeça de ouro, o reino babilônico (625 a 538 a.C., vv. 37,38).“Tu és a cabeça de ouro”, disse Daniel ao rei, “porque Deus te tem dado o reino, o poder, e a força, e a majestade”. Babilônia, nos dias de Nabucodonosor, detinha a hegemonia mundial, após ter derrotado a Assíria, em 612 a.C. No ano 587 a.C.
Jerusalém foi destruída, e o povo leito cativo, para cumprir-se o que Deus falara por Jeremias : “. ..e os farei tornar a esta cidade, e pelejarão contra ela, e a tomarão, e a queimarão a fogo” (Jr 34.22).
Depois da morte de Nabucodonosor, encontramos entre os seus sucessores o rei Nabonido (556-538 a.C.).
Belsazar, seu filho, estava como co-regente na cidade da Babilônia, quando o Império Caldeu ruiu derrotado por Ciro, rei da Pérsia.

2. O peito e os braços de prata, o reino medo-persa (538 a 330 a.C., v.39). Ciro, o grande, logo no início de seu reinado, fez a famosa proclamação que permitiu aos judeus de seu reino retornarem a Judá e reconstruírem o templo de Jerusalém que Nabucodonosor havia destruído (Ed 1.1-3). Desta forma, cumpriu-se a palavra de Isaías acerca de Ciro, proferida 200 anos antes (Is 44.26- 28; 45.1).
Enquanto grande número deles voltou a Jerusalém, muitos permaneceram na Babilônia, agora sob o domínio persa. Neste contexto político-histórico, inserem-se os fatos relatados no livro de Ester. O reino medo-persa foi conquistado por Alexandre, o Grande, rei da Grécia.

3. O ventre e as coxas de cobre, o reino grego (330 a 167 a.C., v.39).A respeito deste reino, Daniel disse: “Terá domínio sobre toda a terra”(v.39). O rei Alexandre morreu aos 33 anos, sem deixar herdeiros, e oimpério foi dividido entre seus quatro principais generais.

4. As pernas de ferro, o império romano (167 a.C. a 476 d,C., v.40).Quando Jesus nasceu, a Palestina estava sob o domínio de Roma. Pilatos, um governante romano, ratificou a sentença de morte de Cristo. Depois que o império romano foi derrotado em 476 d.C., não surgiu mais outro reino mundial.

5. Pés com dedos de ferro, misturado com barro, um conjunto de reinos (vv.41-43). O versículo 44 mostra que estes dedos representam reis. Esta profecia relaciona-se com as visões proféticas que João teve na ilha de Patmos. Lemos, em Apocalipse 13.1, que ele viu uma besta, a qual tinha sete cabeças e dez chifres. Eles, conforme Apocalipse 17.12, também representam dez reis. Vemos, assim, que no fim da presente dispensação, surgirá um conjunto de remos que dará apoio político ao Anticristo, conforme estudaremos em outra lição.

6. Uma pedra cortada sem mão. Esta parte da visão fala da derrota do reino do Anticristo, que acontecerá como resultado da intervenção divina (v.34).A Bíblia usa várias vezes o vocábulo “pedra”, como símbolo de Cristo. Exemplos: “Chegando-vos a ele, pedra viva…”(l Pe 2.4); “eis que ponho em Sião a pedra principal de esquina…” (1 Pe 2.6); “sobre esta pedra edificarei a minha igreja” (Mt 16.18); “bebiam da pedra espiritual que os seguia, e a pedra era Cristo” (1 Co 10.3); etc.
Ela feriu a estátua nos seus pés, isto é, destruiu o conjunto de reinos que apoiavam o Anticristo. Não só eles serão vencidos, mas também as duas bestas serão presas e lançadas no lago de fogo (Ap. 19.20).

7. “Fez-se um grande monte, e encheu toda a terra” (v.35). Esta parte da visão fala da vinda de Cristo em glória, para estabelecer um reino mundial de paz. Ele terá como rei o próprio Senhor Jesus, e abrangerá toda a Terra.

CONCLUSÃO
A interpretação do sonho de Nabucodonosor fala da Onisciência e da Soberania de Deus. Para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos como um dia (2 Pe 3.8). Ele se mostra nesta revelação como o Soberano de todos os tempos e povos. A história secular confirma que todas as previsões divinas, acerca dos remos mundiais, cumpriram-se integralmente. E aquelas que falam de tempos, os quais estão por vir, com absoluta certeza, terão fiel cumprimento. Cristo aniquilará o reinado do Anticristo e estabelecerá um reino de paz que jamais será destruído: “Será estabelecido para sempre” (v.44). E todos nós, que temos o privilégio de chamar este maravilhoso Deus de nosso Pai, pronunciamos de coração a oração que Jesus ensinou: “Pai nosso, que estás no céu, santificado seja o teu nome. VENHA TEU REINO!”.
Lições bíblicas CPAD 1995

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

A Firmeza de Caráter Moral e Espiritual de Daniel - Pr. Altair Germano
Publicado em 9 de Outubro de 2014 Comente

“Então, Daniel foi introduzido à presença do rei. Falou o rei e disse a Daniel: És tu aquele Daniel, dos cativos de Judá, que o rei, meu pai, trouxe de Judá?” (Dn 5.13)
Quem foi Daniel? No que sua vida e conduta são relevante como exemplo para a geração de líderes atual? São algumas questões que tentaremos responder neste breve artigo.
Daniel (Deus é meu juiz) foi descendente da alta nobreza judaica (Dn 1.3; Josefo, Anti. 10.10,1).
 Foi levado cativo para a Babilônia por Nabucodonosor em 605 a.C. juntamente com outros jovens judeus com as mesmas qualidades.
O Livro de Daniel nos revela que apesar das condições adversas, este grande servo de Deus
conseguiu manter um padrão de conduta moral e de vida espiritual, que nos serve de exemplo para uma conduta cristã em meio a moderna Babilônia, caracterizada pela pluralidade religiosa, pelo relativismo moral, e por um academicismo frívolo e conivente com estas questões.

A INFÂNCIA DE DANIEL: TEMPO DE LANÇAR AS BASES
Não temos detalhes sobre a infância de Daniel. Há fortes evidências de que ela foi vivida em Jerusalém.
 Alguns historiadores afirmam que por volta dos doze e dezesseis anos de idade, Daniel já se encontrava na Babilônia.
Apesar da falta de informações sobre a infância de Daniel, podemos deduzir algumas coisas.

A EDUCAÇÃO DE DANIEL
Daniel, assim como toda criança judaica, teve como referencial teórico educacional o Livro da Lei (Dt 6.1-9).
 As realizações, os mandamentos e as promessas de Deus para o seu povo foram por ele conhecidas e apropriadas. Sua base educacional foi a família. Não havia escolas judaicas formais no tempo de Daniel.
A educação se voltava para os aspectos práticos da vida, levando em consideração a moral, a vida espiritual, a cultura e outros aspectos sociais.
Nestes termos, a condição econômica e social da criança pouco importava.
Nobre ou não, todos deveriam ser educados por seus pais com o mesmo amor, observando-se os mesmos princípios e fundamentos.
Como estamos cuidando da educação de nossos filhos? Como pais ou responsáveis, estamos fazendo a nossa parte, promovendo sólidos fundamentos morais e espirituais em nossos lares a partir do culto domésticos, da leitura e do estudo da Palavra, ou como muitos, já terceirizamos para a escola e para a igreja estas responsabilidades?

AS CONVICÇÕES DE DANIEL
Acredito que Daniel não apenas aprendeu com o que ouviu de seus pais, mas, acima de tudo, pelo exemplo dos mesmos. Onde não existe o exemplo, as palavras perdem a força. Algumas questões precisam ser consideradas, e se encontram nas entrelinhas da narrativa histórica.
Imagine um jovem crente em plena adolescência, que aprendeu que o seu Deus era o criador e sustentador de todas as coisas, e que elegeu soberanamente sua nação como propriedade peculiar, vendo o templo de adoração a este Deus sendo destruído, a cidade de Jerusalém assolada, e as propriedades de sua família confiscadas. Uma verdadeira tragédia e calamidade que podem abalar as estruturas de qualquer indivíduo, removendo-o em pouco tempo de sua fé para um estado de revolta e incredulidade.
Mas isso não aconteceu com Daniel.
As calamidades não se tornaram maior do que as suas convicções.
Daniel não conhecia apenas parte da Lei do Senhor, dos Escritos e dos Profetas, ele sabia que a mesma Escritura que prometia bênçãos para a nação por sua obediência, alertava para as maldições face a desobediência e rebeldia do povo (Dt 28; 2 Cr 7.11-22; Jr 25.1-14).
Conhecia também as promessas de restauração, quando arrependido este povo se voltasse para o Senhor (Jr 29.10-14; Dn 9.1-3); Dessa forma, submeteu-se a vontade de Deus sem reclamar, sem maldizer, sem blasfemar.
Daniel foi levado prisioneiro para Babilônia deixando para trás a sua terra, mas levando adiante a sua fé em Deus.
As lembranças dos tristes acontecimentos não lhe ofuscaram a visão de uma gloriosa restauração.

A JUVENTUDE DE DANIEL: TEMPO DE CONSOLIDAR AS CONVICÇÕES
O Livro de Daniel, em seus primeiros capítulos, registra os desafios na vida de um jovem distante de sua terra, num ambiente hostil, permissivo e violento, em situações concretas de riscos e enfrentamentos.
“Disse o rei a Aspenaz, chefe dos seus eunucos, que trouxesse alguns dos filhos de Israel, tanto da linhagem real como dos nobres, jovens sem nenhum defeito, de boa aparência, instruídos em toda a sabedoria, doutos em ciência, versados no conhecimento e que fossem competentes para assistirem no palácio do rei e lhes ensinasse a cultura e a língua dos caldeus.
Determinou-lhes o rei a ração diária, das finas iguarias da mesa real e do vinho que ele bebia, e que assim fossem mantidos por três anos, ao cabo dos quais assistiriam diante do rei.
Entre eles, se achavam, dos filhos de Judá, Daniel, Hananias, Misael e Azarias.” (Dn 1.3-6)
Com o propósito de buscar assistentes para as diversas atividades em seu palácio, o rei promoveu um rígido processo seletivo, onde juntamente com outros jovens, Daniel foi escolhido. Estou pesquisando e buscando informações sobre a formação “em ciência”, e sobre os “conhecimentos” em que Daniel era versado, visto que Israel, na época, não tinha tradição acadêmica.
 Como já mencionei na primeira parte deste artigo, a educação entre os judeus era ministrada para a vida prática.
Não havia um conjunto de saberes científicos sistematizados, apropriados para a formação intelectual do jovem hebreu.
O fato é que um dos primeiros grandes desafios do jovem Daniel na Babilônia foi participar de um curso onde o aprendizado da cultura e da língua dos caldeus faziam parte do currículo. Literatura, astrologia, astronomia, noções de magia e adivinhação, agricultura, arquitetura, leis, matemática e língua acádica, seriam algumas das disciplinas. Os estudos científicos mesclavam-se com magia e adivinhação.
O quadro é muito parecido com o que enfrenta os nossos jovens cristãos nas universidades e faculdades norteadas pelas ideias pós-modernas, onde nestes espaços a ciência e as experiências místicas se fundem, o espírito de “tolerância” e “pluralismo religioso” dá o tom, a vida moral é relativizada e onde a felicidade é confundida e reduzida ao mero prazer.
Percebo que o grande problema da atualidade é que muitos dos nossos jovens, diferentes de Daniel, não estão preparados para lidar com este ambiente hostil. A negligência com os estudos bíblicos informais e formais (cultos de doutrinas, escola dominical, seminários, conferências, congressos etc.) contribui para isso. Mas a culpa não está apenas nos jovens. O descaso das famílias cristãs na formação moral e espiritual dos filhos, a falta de qualidade dos estudos bíblicos informais e formais, associado à dificuldade de uma leitura clara da realidade, da contextualização e aplicação dos princípios cristãos por parte da liderança, acaba agravando o quadro. O envolvimento cada vez maior dos pais e dos pastores com as coisas da igreja, em detrimento das pessoas, deixa os jovens expostos aos ataques, e o pior, sem terem em quem buscar ajuda e orientação.
O texto de Dn 1.8 nos diz que “Resolveu Daniel, firmemente, não contaminar-se com as finas iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; então, pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não contaminar-se“. Isto é muito bonito de ser lido e pregado, mas, esta firme decisão de Daniel não é fruto do acaso. Há uma história, há investimentos eternos, há experiências envolvidas que pesam e consolidam as convicções do jovem Daniel.

A PROSPERIDADE DO JOVEM DANIEL
A prosperidade de Daniel, resultado de sua aplicação aos estudos e da bênção de Deus sobre a sua vida (Dn 1.9, 17-21), não mudou o seu caráter. Há ainda muitos jovens que querem a bênção de Deus, a prosperidade nos estudos e nas realizações, mas não querem se aplicar, não investem em sua formação e carreira. Apesar das dificuldades que ainda vivenciou (Dn 2.1-13),
Daniel via em cada situação a oportunidade de glorificar ao seu Deus, o que naturalmente fazia com que continuasse crescendo e prosperando em terras estranhas (Dn 2.46-48), além de ser canal de bênção para o crescimento e a prosperidade de seus amigos, que também se encontravam devidamente qualificados para os cargos e funções que ocupariam (Dn 2.49).
Atualmente existem milhares de vagas de emprego, que não são preenchidas por falta de mão-de-obra qualificada.
Muitos jovens se esquecem de Deus quando alcançam o “sucesso” acadêmico e profissional.
Cuidado! Não se embriague, não se entorpeça, não se iluda com as ofertas, com os prazeres e com o sistema babilônico moderno. Continue temente a Deus. Consagre e mantenha dedicado a Ele todo o teu ser, todo o teu saber, todo o teu fazer.
A MATURIDADE E A VELHICE DE DANIEL: TEMPO DE VIGIAR E DE CONTINUAR CRESCENDO
Na vida moral e espiritual não basta começar bem, é preciso terminar bem. Na medida em que o tempo passava, o agora maduro e velho Daniel crescia em intimidade e experiências com Deus.
Muitos, a partir dos 40 anos, e proporcionalmente no avançar destes anos, dão uma certa “acomodada” e descuidam-se um pouco da moralidade e da espiritualidade.
Muitos homens e mulheres de Deus, nesta fase da vida, caem e fracassam, causando grandes prejuízos para si mesmos e para o Reino de Deus.

O DESEJO PELO PODER
Vários pesquisadores e escritores já afirmaram que nesta fase da vida surge certo desejo e busca desenfreada pelo “poder”. Não foi o caso do maduro Daniel, cujo poder foi uma consequência natural do patrimônio sapiencial, moral e espiritual que construiu ao longo dos anos, e acima de tudo, dentro da vontade de Deus (Dn 5.29; Dn 6.28).
Nesta fome e sede de poder, características nesta fase da vida, o patrimônio sapiencial, moral e espiritual desaba, na medida em que o indivíduo, a todo o custo, tenta usurpar cargos, conquistar espaços e dominar sobre pessoas, negociando a própria alma com Satanás, quebrando todos os princípios éticos e morais, e passando por cima de todos que atravessam o seu caminho.
O desejo de ir além das possibilidades, da legalidade e da legitimidade no exercício do poder, o orgulho e a arrogância, derrubou Lúcifer e continuará derrubando todos os que pensam e agem desta forma (Is 14.12-15; Ez 28.11-19).

FRUTOS, VISÕES E SONHOS PROFÉTICOS
Os capítulos 5 a 12, fazem parte de um período que se inicia em aproximadamente 538 a.C, ou seja, quando Daniel já beirava os 70 anos de idade. Nesta época, encontramos o velho Daniel em plena atividade, atuando e prosperando nos negócios do reino (Dn 5.29; 6.1-3, 28), e melhor, mantendo uma vida de regularidade nas orações (Dn 6.10) e na leitura das sagradas escrituras (Dn 9.1-3).
O resultado desta vida devocional exemplar, foi que as visões, as revelações e a unção profética lhe acompanharam até ao final de seus dias (Dn 5.18-28; Dn 7.1ss; 8.1ss; 9.20ss; 10.1ss; 12.13).

Cumpre-se em Daniel o que diz a Bíblia:
“O justo florescerá como a palmeira, crescerá como o cedro no Líbano.
Plantados na Casa do SENHOR, florescerão nos átrios do nosso Deus. Na velhice darão ainda frutos, serão cheios de seiva e de verdor, para anunciar que o SENHOR é reto. Ele é a minha rocha, e nele não há injustiça.” (Sl 92.12-15)
Como crentes e líderes, assim como Daniel, mantenhamos o padrão, o equilíbrio e o crescimento em todo o tempo, e em todas as áreas de nossas vidas, para o louvor e a glória do nome do Senhor!
* O texto acima foi publicado na obra “Uma Igreja com Saúde”, sob o título “O Profeta Daniel: Crescimento em tempos de crise.

Publicado no Blog do Pr. Altair Germano

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

A Atualidade dos Últimos Conselhos de Tiago - Rede Brasil de Comunicação
Publicado em 25 de Setembro de 2014 as 14:35:17 PM Comente
Igreja Evangélica Assembleia de Deus - Recife / PE

Superintendência das Escolas Bíblicas Dominicais

Pastor Presidente: Aílton José Alves

Av. Cruz Cabugá, 29 - Santo Amaro - CEP. 50040 - 000 Fone: 3084 1524

LIÇÃO 13 - A ATUALIDADE DOS ÚLTIMOS CONSELHOS DE TIAGO - 3º TRIM. 2014

(Tg 5.7-20)

INTRODUÇÃO

Nesta última lição deste trimestre, analisaremos diversos conselhos práticos para a vida cristã ensinados por Tiago, tais como: a importância de se esperar em Deus com paciência,
 tendo como exemplo a figura agricultor e do patriarca Jó; o apóstolo exorta que utilizemos o eficaz recurso da oração nas aflições, enfermidades e confissão de pecados.
E, por fim, exorta-nos a resgatarmos os irmãos que se desviaram fazendo-os regressarem a comunhão perdida.

I - O AGRICULTOR: UM EXEMPLO DE ESPERANÇA, PACIÊNCIA E PERSEVERANÇA

“Tiago agora passa a aconselhar o pobre oprimido. Suas instruções são no sentido do pobre suportar com paciência sua situação econômica e social à vista da iminente volta, do Senhor. Como exemplo de alguém que deve exercitar a paciência,
Tiago cita o caso do lavrador que espera “o precioso fruto da terra”. Na Palestina, as primeiras chuvas (outubro/novembro) vinha depois da semeadura e as últimas chuvas (abril/maio) quando os campos já estavam amadurecendo.
 Ambas eram de suma importância para o sucesso da colheita. Do mesmo modo o cristão, diz Tiago, não deve perder a paciência diante das adversidades, mas deve estabelecer firmemente o seu coração à vista do fato de que “a vinda do Senhor está próxima” (MOODY, sd, p. 24 - acréscimo nosso).

CARACTERÍSTICAS DO AGRICULTOR DEFINIÇÃO E REFERÊNCIAS
a) Esperança. “Eis que o lavrador espera o precioso fruto da terra” (Tg 5.7-a). No grego “elpis” que quer dizer “expectativa favorável e confiante”. Tem a ver com o que não se vê e o futuro (Rm 8.24,25).
b) Paciência. “aguardando-o com paciência” (Tg 5.7-b).
No grego “hupomone”, que significa literalmente “permanência em baixo de”. A paciência que só se desenvolve nas provas (Tg 1.3).
c) Perseverança. “até que receba a chuva temporã e serôdia” (Tg 5.7-c).
No grego “proskarteresis” que significa “constância”, “paciência”. A forma verbal desta palavra significa “aderir”, “persistir”, “ocupar-se em”, “passar muito tempo em” (Ef 6.18).


II - TIAGO EXORTA QUANTO A PACIÊNCIA, PRUDÊNCIA E A ORAÇÃO

2.1 Exortação a paciência tendo como modelo o patriarca Jó (Tg 5.10,11). “Além dos lavradores, também, os profetas são citados como exemplos de “sofrimento e paciência”.
 Jó era tradicionalmente considerado um profeta, e aqui foi explicitamente citado como um exemplo de perseverança. Este é o único lugar do NT, onde Jó foi mencionado.
 O ponto principal da ilustração de Jó é que a paciente perseverança mantém-se sobre a convicção de que as dificuldades não são sem significado, mas que Deus tem alguma finalidade e propósito nelas, o que Ele há de realizar” (MOODY, sd, p. 24).
A Bíblia ensina que a tribulação produz paciência (Rm 5.3; Tg 1.3).

2.2 Exortação quanto aos juramentos tendo como base o ensinamento de Cristo (Tg 5.12).
 “Uma vez mais, Tiago menciona as palavras de Jesus em seu ensino doutrinário (Mt 5.33-37).
 O irmão de Jesus e pastor da Igreja em Jerusalém não está condenando os juramentos solenes, pois eram uma antiga prática judaica, legalmente válida, quando se precisava atestar uma palavra empenhada (Êx 22.11).
 Assim como foi instado a fazer Jesus perante Caifás (Mt 26.63,64), e Paulo, ao expressar seu zelo para com a Igreja (Rm 1.9; 9.1).
 Tiago está condenando o uso leviano do santo nome de Deus ou de qualquer pessoa ou objeto sagrado para garantir a verdade do que se diz. Os cristãos devem ser conhecidos como pessoas cujas palavras são absolutamente dignas de crédito, sem nem mesmo a necessidade de juramentos” (JAMES, 2007, p. 09).

2.3 Exortação quanto a prática da oração tendo como exemplo o profeta Elias (Tg 5.13-18). Para exemplificar o poder da oração, Tiago cita o profeta Elias, que sendo um homem com as mesmas limitações que temos, orou ao Senhor para que não chovesse e não choveu; em seguida orou para que chovesse e assim foi (I Rs 17.1; 18.1). Segundo Tiago, a oração de um justo realiza muitas coisas (Tg 5.16-b), entre as quais podemos citar: (1) leva-o mais perto de Deus (Hb 7.25); (2) abre caminho para uma vida cheia do Espírito Santo (Lc 11.13; At 1.14); (3) dá-lhe poder para servir e para a devoção cristã (At 1.8; 4.31,33; Ef 3.14-21); (4) edifica-o espiritualmente (Jd 20); (5) dá-lhe compreensão da provisão de Cristo por nós (Ef 1.18,19); (6) ajuda-o a vencer a Satanás (Dn 10.12,13; Ef 6.12,18); (7) esclarece a vontade de Deus para ele (Sl 32.6-8; Pv 3.5,6 Mc 1.35-39); (8) capacita-o a receber dons espirituais (I Co 14.1); (9) leva-o a comunhão com Deus (Mt 6.9; Jo 7.37; 14.16,18,21) e, (10) outorga-lhe graça, misericórdia e paz (Fp 4.6,7; Hb 4.16).

III - CONSELHOS DE TIAGO PARA QUEM SOFRE, PARA QUEM ESTÁ ENFERMO E EM PECADO

Em sua epístola, Tiago deu o devido valor a prática da oração mencionando-a várias vezes (Tg 1.5,6; 4.2,3; 5.13-18). A Bíblia ensina o cristão a orar em todo tempo (I Ts 5.17).
Todavia, o apóstolo elenca alguns momentos e circunstâncias na vida onde devemos buscar o socorro de Deus em oração:

3.1 Oração na aflição (Tg 5.13). Essa palavra do apóstolo visa descrever aqueles que sofrem por qualquer tribulação, aperto, necessidade, privação ou enfermidade. Diante de qualquer circunstância difícil diz Tiago “ore”.
Temos diversos exemplos de pessoas que recorreram a Deus em momentos de aflição e foram por Ele aliviados (2 Cr 32.12,13; Sl 18.6; Lc 22.44; 2 Co 12.7-10).
 Mas, por quais razões devemos orar na aflição? (1ª)
Porque a oração é um ato de fé que pode solucionar problemas e trazer alegria (Gn 25.21; I Sm 1.10-18); (2ª) porque a oração pode ajudar o crente a mostra-se capaz de suportar suas tribulações (II Co 12.8,9; Ef 6.18); (3ª) porque a oração pode distrair a mente do salvo em suas tribulações (Fp 4.6,7; I Pe 5.7); e, (4ª) porque a oração é um exercício espiritual que melhora a qualidade espiritual da alma, ainda que o homem mortal continue a padecer sob circunstâncias adversas (Lc 22.44; At 7.60).

3.2 Oração quando se está enfermo (Tg 5.14,15). Certamente o texto em foco refere-se aos doentes no corpo físico. A recomendação do apóstolo para aqueles que encontram-se nessa condição é de recorrerem ao presbítero a fim de pedir oração, crendo que sua saúde pode ser restaurada. Isto não é uma sugestão de que Deus sempre atende a oração do crente com um sim. Toda oração, inclusive a oração pela cura, fica sujeita à vontade de Deus (II Co 12.8,9; I Jo 5.14).
Deve-se destacar também que a prática de ungir a cabeça do enfermo, não indica que o óleo possui poder curador. Embora na cultura judaica o azeite de oliveira era considerado com propriedades medicinais (Lc 10.34).
A ideia original é que esse óleo fosse usado como um sinal visível e tangível do poder de Deus representando a unção do Espírito Santo. Biblicamente, o que pode proporcionar cura é o nome do Senhor conforme o próprio Jesus e os seus santos apóstolos ensinaram (Mc 16.17,18; At 3.6,7; Tg 5.14,15).

3.3 Confissão de pecados contra Deus e contra o próximo (Tg 5.15-16). A origem das enfermidades está no pecado original, nem sempre num pecado pessoal (Gn 3.17-19; Jo 9.1-3).
Todavia, existem casos também onde a pessoa encontra-se enferma por causa de uma transgressão cometida (Sl 32.3,4; II Cr 26.19; Jo 5.14).
Por isso, Tiago diz: “e, se houver cometido pecados” lançando luz sobre esta verdade. Em caso de pecado que fira a santidade da igreja, o transgressor confessa a Deus e pede orientação ao pastor e/ou presbítero para que se necessário for, seja aplicada a disciplina pela igreja, dependendo da gravidade do pecado (Tg 5.15; I Co 5;6). No segundo caso, se o pecado está no campo dos relacionamentos interpessoais, o apóstolo recomenda “confessar as suas culpas uns aos outros”.
 Isso visa o encorajamento mútuo, como também a busca da reconciliação e perdão dos irmãos entre si.

IV - A PERSPECTIVA DE TIAGO EM RELAÇÃO AOS IRMÃOS DESVIADOS

4.1 A possibilidade do abandono da fé (Tg 5.19). A expressão “se algum dentre vós se tem desviado” indica claramente a possibilidade do crente se afastar da verdade que abraçou.
 “A palavra “se desviar” usada por Tiago no grego é “planao”, que quer dizer “desviar-se” ou “fazer desviar-se”; em seu uso moral significa o desvio da fé para o pecado, da verdade para o erro” (CHAMPLIN, 2005, p. 84).
O apóstolo possivelmente está fazendo alusão aos judeus cristãos que sofriam perseguições por parte dos judeus patrícios por haverem deixado o judaísmo e aceitado Jesus como Messias (I Ts 2.14; At 8.1,3; 12-1-3; 17.1-8; Hb 10.33,34).
Nas Escrituras encontramos alguns exemplos dessa triste realidade. Os cristãos da Galácia estavam à beira de se desviar de que a justificação diante de Deus é pela fé, sem as obras da lei (Gl 3.1; 4.8-10; 5.7). Há casos individuais como Himeneu e Alexandre (I Tm 2.20; II Tm 4.14) e Demas (II Tm 4.10).
 A exortação a perseverar na fé indica claramente que a ideia de uma vez salvo, salvo para sempre é enganosa e extremamente nociva (Jo 8.31; 15.1-6; At 11.23; 13.43; 14.22; I Ts 3.2-5; Ap 2.25).

4.2 A possibilidade do regresso a fé (Tg 5.19,20).
Assim como existe a possibilidade do crente desviar-se da verdade, Tiago diz que ele também pode ser reconduzido (Tg 5.19).
A expressão “converter” literalmente é “fazer que a pessoa se volte completamente”.
Trata-se de uma reviravolta completa que as Escrituras usualmente retratam como “arrependimento” (Is 6.10; Ez 33.11; At 3.19; 9.35; 2 Co 3.16).
 “O cristão, que se desvia do Caminho, mas que é reintegrado, tem todos os seus pecados absolvidos pelo poder do sangue remidor de Cristo, além de produzir grande júbilo espiritual em seus irmãos na Igreja, e a manutenção do bom testemunho dos cristãos perante o mundo (Hb 6.4-8; 2 Pe 2.20-21; 1Co 11.30; 1Jo 5.16)” (JAMES, 2007, p. 10).

CONCLUSÃO

Os conselhos do apóstolo Tiago são extremamente necessários para a saúde espiritual da igreja em todo tempo. Paciência, oração, confissão de pecados e amor ao próximo são atitudes que revelam o verdadeiro cristianismo.

REFERÊNCIAS

STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
MOODY, D. L. Comentário Biblico de Tiago. PDF.
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. HAGNOS.

terça-feira, 23 de setembro de 2014




O currículo de Escola Dominical CPAD é um aprendizado que acompanha toda a família. 
A cada trimestre, um reforço espiritual para aqueles que desejam edificar suas 
vidas na Palavra de Deus. Neste 4º trimestre de 2014, estudaremos: Integridade Moral e Espiritual.
Comentário das lições será feito por: Elienai Cabral

Sumário:
1- Daniel, Nosso “Contemporâneo”
2- A Firmeza do Caráter Moral e Espiritual de Daniel
3- O Deus que Intervém na História
4- A Providência Divina na Fidelidade Humana
5- Deus Abomina a Soberba
6- A Queda do Império Babilônico
7- Integridade em Tempos de Crise
8- Os Impérios Mundiais e o Reino do Messias
9- O Prenúncio do Tempo do Fim
10- As Setenta Semanas
11- O Homem Vestido de Linho
12- Um Tipo de Futuro Anticristo
13- O Tempo da Profecia de Daniel

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

O Perigo da Busca pela Autorrealização Humana - Ev. José Roberto A. Barbosa

O PERIGO DA BUSCA PELA AUTORREALIZAÇÃO HUMANA

Texto Áureo Tg. 4.10 - Leitura Bíblica Tg. 4.1-10
Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa

www.subsidioebd.blogspot.com

INTRODUÇÃO

A sociedade moderna está impregnada pela ideia do sucesso, muitas vezes alcançado a qualquer custo, sem qualquer consideração ética, mais que isso, sem o aval divino. Na aula de hoje estudaremos a respeito dos perigos da busca desenfreada pela autorrealização pessoal, ressaltando, sobretudo, as implicações que essa pode trazer, quando distanciadas dos princípios divinos. Destacaremos, na aula de hoje, que a autorrealização pressupõe uma ética, e que essa deve se respaldar nos princípios cristãos.

1. A AUTORREALIZAÇÃO HUMANA

Nas livrarias os livros que mais são vendidos são aqueles que motivam à autorrealização,
esses são comumente reconhecidos como “autoajuda”. Isso porque se fundamentam na concepção de sucesso,
independentemente de Deus. O mundo empresarial comprou essa concepção, que é considerada normal em um contexto no qual Deus se tornou desnecessário.
 Em consonância com Tiago, devemos ter cuidado com a competitividade exacerbada que predomina nos mundo dos negócios, e que, às vezes, está sendo adotado dentro das igrejas. As desavenças no âmbito eclesiástico não têm o respaldo divino (Tg. 4.1).
 As invejas e cobiças estão sendo colocadas em um patamar que os outros deixam de ser considerados. Há até aqueles que oram com intento de satisfazerem suas vaidades (Tg. 4.3). Devemos tomar cuidado com essas orações, na maioria das vezes elas refletem os desejos mais ocultos, e em alguns casos, sentimentos de ganância. Alcançar determinados espaços não pode ser a razão de ser, a competitividade também tem limites, o respeito ao próximo continua sendo o padrão ético de Jesus (Mt. 22.37).
 Paulo, em consonância com a mensagem de Tiago, nos orienta a deixar morrer nossos membros, para não sermos controlados pelas nossas paixões (Cl. 3.5-9).
 Não há limite para a cobiça, em uma sociedade de consumo, quanto mais se tem mais se quer. A propaganda incita à inveja, a buscar primeiro nossos interesses, e colocar os outros em segundo plano, inclusive o reino de Deus. Mas Jesus nos ensina que devemos colocar o reino de Deus primeiro, e as coisas necessárias nos serão acrescentadas (Mt. 6.33). Como o salmista, nosso maior desejo deve ser agradar a Deus, Ele precisa ser sempre nosso maior anelo (Sl. 63.1). Devemos lembrar sempre que o cristianismo nada tem a ver com esses padrões absorvidos pela sociedade. A igreja precisa ser diferente, não apenas no modo de vestir, mas também em seu proceder. Como bem destacou Kierkegaard, “no dia que o cristianismo e o mundo se tornarem amigos, o cristianismo deixará de existir”.

2. O PERIGO DA AUTORREALIZAÇÃO

Esse sistema de autorrealização em que os fins justificam os meios não é cristão, é diabólico. Não devemos esquecer que o mundo jaz no maligno (I Jo. 5.19) e que Satanás, o deus deste século, cegou o entendimento das pessoas (II Co. 4.4). Destacamos algumas das tendências atuais: valorização do temporário em detrimento do eterno (I Co. 7.32,33),
 a cobiça dos olhos, através da ostentação de bens, que alimenta a soberba da vida, não provém de Deus (I Jo. 2.16); e o desejo desenfreado de ter sempre mais, ao ponto de perder a própria vida (Mt. 16.26; Lc. 9.25).
 A parábola contada por Jesus, a respeito do rico insensato, deve servir de alerta a todos aqueles que se entregam desordenadamente aos interesses mundanos (Lc. 12.19-21). Muitas pessoas estão trocando o tesouro celestial, que a traça não corrói nem a ferrugem o atinge, pelos tesouros terrenos (Mt. 6.21).
 Tenhamos cuidado para não nos deixar levar pelo pensamento da maioria, nem sempre a voz do povo é a voz de Deus, como se costuma dizer. Fomos alcançados pela graça de Deus, e essa nos reclama a um modo de viver diferenciado, que não se pauta pelo mundanismo (Tt. 2.11,12).
 Os valores deste mundo nada têm a ver com os princípios da Palavra de Deus (I Jo. 2.15). Enquanto que a sociedade exalta aqueles que conseguiram “vencer na vida”, a mensagem evangélica diz “Deus resiste aos soberbos, dá, porém, graça aos humildes” (Pv. 3.34; Tg. 4.6).
 Existe um ranking daqueles que são considerados os mais ricos do mundo, e esse é divulgado todos os anos pelas principais revistas internacionais. Mas será que esses mesmos ricos podem ser considerados assim do ponto de vista de Deus? Os critérios do Senhor em relação ao sucesso são diferentes daqueles apregoados pelo mundo dos negócios. Na perspectiva divina o modelo de sucesso é o de Jesus, que se esvaziou, tomando a forma de servo, de igual modo, devemos considerar sempre os outros superiores a nós mesmos (Fp. 2.3).
 A fé cristã não exalta, ou pelo menos não deveria, aqueles que conseguiram seu “lugar ao sol”. A preocupação dos cristãos, como foi a de Cristo, deve ser com aqueles que se encontra em condição de vulnerabilidade. O auxílio aos mais pobres é uma missão a ser perseguida por todos os cristãos,
 levando às pessoas o evangelho integral, que percebe tanto o corpo quanto o espírito.

3. O EQUILIBRO NAS REALIZAÇÕES

A busca pela realização pessoal necessariamente não é pecado, todas as pessoas podem estudar, também comercializar, mas a soberba não deve ser o fundamento de qualquer empreendimento. Em tudo que fazemos devemos estar debaixo da sujeição de Deus, nada temos ou podemos ter sem que Ele nos permita. Ao invés de seguir os ditames deste mundo tenebroso,
 devemos ouvir a Palavra de Deus, e escolher ir após Jesus, como seus discípulos (Mt. 16.24-28). Para isso precisamos resistir ao diabo, revestindo-nos de toda armadura de Deus (Ef. 6.10-18), não nos dobrando aos seus ardis (Tg. 4.7; I Pe. 5.7,8).
 Quando mais nos aproximamos de Deus, mais nos distanciamos do alcance de Satanás (Tg. 4.8). O autor de Hebreus nos chama à aproximação de Deus, com um coração sincero e repleto de fé (Hb. 10.22). A adoração ao Senhor é o caminho por meio do qual nos achegamos ao trono da graça, o próprio Deus busca adoradores, que o fazem em espírito e em verdade (Jo. 4.24).
 É nessa disposição que podemos trabalhar, estudar e fazer qualquer coisa, tudo na fé em Cristo Jesus, que a todos abençoa (I Co. 10.31-33; II Tm. 3.16; I Pe. 2.9).
 Os cristãos não podem fazer parte do mundo (satânico), mas estão no mundo (físico) a fim de atrair o mundo (pessoas) para Deus. Nessa missão, devemos ter cuidado para não sermos engodados pelos padrões que podem nos distanciar de Deus. Não precisamos entrar nessa competitividade doentia, confiemos no Senhor, assim como fez Abraão (Gn. 13.8).
 Os cristãos não estão impedidos de estudarem, buscar promoções no trabalho, mas estão limitados pela ética bíblica. Atitudes que envergonham o evangelho não deve ser utilizadas para se alcançar determinado fim. As mãos dos cristãos devem estar limpas, nada de duplo ânimo, isto é, procedimentos contraditórios (Tg. 4.8).
 Não somos cristãos apenas durante o período que estamos dentro do templo, mas em todos os momentos da vida, vinte e quatro horas por dia.

CONCLUSÃO

Mas para aqueles que se arredaram com o pecado, Tiago nos traz uma mensagem de esperança. É preciso sentir a miséria da condição de distanciamento de Deus, e lamentar o desejo de autorrealização fora dos padrões bíblicos.
 A conversão é uma possibilidade, que se concretiza na vida daqueles que abandonam o orgulho.
 O sucesso, como um fim em si mesmo, não tem respaldo escriturístico.
 A advertência de Jesus nesse sentido é enfática: “Ai de vós, que estais fartos, porque tereis fome, ai de vós, o que agora rides, porque vos lamentareis e chorareis” (Lc. 6.25).