sexta-feira, 10 de maio de 2013

A Infidelidade Conjugal - Pr. Elinaldo Renovato de Lima

Dica do comentarista, Pr. Elinaldo Renovato de Lima, para a Lição 6: A Infidelidade Conjugal.


A Infidelidade Conjugal



A Infidelidade Conjugal - Pr. Altair Germano

A infidelidade conjugal (adultério), do hebraico na’aph é uma das práticas condenadas nos Dez Mandamentos: “Não adulterarás” (Êx 20.14).

Um caso de infidelidade conjugal no Antigo Testamento bastante conhecido é o de Davi:
E enviou Davi e perguntou por aquela mulher; e disseram: Porventura, não é esta Bate-Seba, filha de Eliã e mulher de Urias, o heteu? Então, enviou Davi mensageiros e a mandou trazer; e, entrando ela a ele, se deitou com ela (e já ela se tinha purificado da sua imundície); então, voltou ela para sua casa. (2 Sm 11.3-4)
As consequências deste episódio foram trágicas, pois culminou na trama da morte do marido de Bate-Seba, Uriaz (2 Sm 11.14-17). Davi pagou um alto preço por isso (2 Sm 12.14-19). Apesar do grande erro cometido, ao assumir seu pecado e demonstrar sincero arrependimento, a graça e a misericórdia de Deus se manifestaram em forma de perdão absoluto (2 Sm 12.13), isentando Davi das consequências legais de sua inflação:

Também o homem que adulterar com a mulher de outro, havendo adulterado com a mulher do seu próximo, certamente morrerá o adúltero e a adúltera. (Lv 20.10)

Em soberania e graça Deus concedeu o seu perdão a Davi. Quem pode contestá-lo? Quem é o legalista que confrontará o Senhor por ministrar em graça o seu perdão?
No Novo Testamento o tema infidelidade conjugal (adultério) é tratado por Jesus:
Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu porém, vos digo que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar já em seu coração cometeu adultério com ela. (Mt 5.27-28)
O termo grego para “adultério” é moicheúseis, e para “cobiçar” epithumesai, que no contexto implica em ansiar, desejar possuir. Jesus foi para além da letra da Lei e dos comportamentos aparentes, enfatizando o “espírito” da Lei e as intenções do coração (homem interior). Conforme A. T. Robertson:
Jesus situa o adultério nos olhos e no coração antes do ato externo. Wunsche (Beitrage) cita duas declarações rabínicas pertinentes ao tema traduzidas por Bruce: “Os olhos e o coração são dois corretores do pecado”. (Comentário Mateus & Marcos: à luz do Novo Testamento Grego. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p. 73)

Dessa forma, mais uma vez os legalistas sofreram um duro golpe, pois com certeza, muitos dos que condenavam e apontavam os pecados alheios “concretizados” se viram incluídos no rol de adúlteros.
Outro episódio bastante conhecido no Novo Testamento é o da mulher pega em fragrante adultério:
E os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério. E, pondo-a no meio, disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando, e, na lei, nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes? Isso diziam eles, tentando-o, para que tivessem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo na terra. E, como insistissem, perguntando-lhe, endireitou-se e disse-lhes: Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela. E, tornando a inclinar-se, escrevia na terra. Quando ouviram isso, saíram um a um, a começar pelos mais velhos até aos últimos; ficaram só Jesus e a mulher, que estava no meio. E, endireitando-se Jesus e não vendo ninguém mais do que a mulher, disse-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? E ela disse: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai-te e não peques mais. (Jo 8.3-11)
Mais uma vez a graça é manifesta em forma de atenção, compaixão, perdão e responsabilização. Sim, a graça perdoa, mas responsabiliza: “Vai-te em paz e não peques mais“.
INFIDELIDADE CONJUGAL E PERDÃO

A infidelidade conjugal (adultério) na vida do cristão geralmente é resultado de uma associação de fatores, dentre os quais: Acomodação com a vida espiritual (negligência na vida de oração e falta de vigilância), vida carnal, conflitos no casamento, etc.
A infidelidade promove na vida dos cônjuges e dos familiares dores, frustrações, angústias e tantos outros males (espirituais, sociais, morais e emocionais), podendo inclusive destruir o casamento e a harmonia familiar.
Diante de toda essa realidade é preciso deixar claro que a infidelidade conjugal se enquadra na categoria de pecado, e nesta condição é possível de ser perdoado. Essa possibilidade é geralmente negligenciada por cônjuges que aguardam a mínima (ou máxima) falha do outro, no sentido de ver nisso oportunidade e causa para o divórcio e novo casamento (em algumas situações a ideia já está maquinada em mentes perversas, pervertidas ou sem temor a Deus). Entre os textos que fundamentam a necessidade de perdoar os nossos ofensores destacamos:
Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores. (Mt 6.12)
Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão. (Mt 18.15)
Não devias tu, igualmente, ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti? E, indignado, o seu senhor o entregou aos atormentadores, até que pagasse tudo o que devia. Assim vos fará também meu Pai celestial, se do coração não perdoardes, cada um a seu irmão, as suas ofensas. (Mt 18.33-35)

Temos uma grande dificuldade em aplicar os textos acima no contexto da infidelidade conjugal. Geralmente duas posições extremas são adotadas. A primeira é a legalista, que exige em todos os casos a exposição e a punição eclesiástica pública (mesmo em casos que não ganharam tal dimensão), o castigo severo, a exclusão arbitrária, a impossibilidade do perdão e da reconciliação conjugal. A segunda é extremamente liberal, e trata a infidelidade conjugal de maneira banal, como algo comum, inclusive podendo ser vivenciada e tolerada em nome de uma “graça” que não é a graça bíblica, racionalizando o fato, e usando a liberdade cristã para dar ocasião a carne, privando do Reino de Deus os que assim agem (Gl 5.13, 16-21). É preciso buscar o equilíbrio nos posicionamentos.

Não tenho dúvida alguma que a vontade do Pai celestial nos casos de infidelidade conjugal, onde o arrependimento da parte infiel é notório e verdadeiro, é a liberação do perdão. O próprio Deus foi vitimado pela infidelidade de Israel:
O relacionamento entre Deus e Israel é frequentemente comparado a um contrato matrimonial (e.g. Is 54.5; Jr 3.14; cf. Ef 5.22-32). “Desviando-se do Senhor”, a fim de adorar aos ídolos, Israel foi considerado por Deus como um caso de infidelidade ou prostituição espiritual. O casamento de Oséias deveria ser, portanto, uma lição prática para o infiel Reino do Norte. (Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, p. 1273)

O perdão do Senhor para com a infidelidade de Israel é descrito da seguinte forma:
E desposar-te-ei comigo para sempre; desposar-te-ei comigo em justiça, e em juízo, e em benignidade, e em misericórdias. E desposar-te-ei comigo em fidelidade, e conhecerás o SENHOR. E acontecerá, naquele dia, que eu responderei, diz o SENHOR, eu responderei aos céus, e estes responderão à terra. E a terra responderá ao trigo, e ao mosto, e ao óleo; e estes responderão a Jezreel. E semeá-la-ei para mim na terra e compadecer-me-ei de Lo-Ruama; e a Lo-Ami direi: Tu és meu povo! E ele dirá: Tu és o meu Deus! (Os 2.19-23)

Algumas palavras quero destacar no texto bíblico acima. São elas: benignidade, misericórdia e fidelidade. Israel sofreu por sua infidelidade, mas o Senhor retribuiu a infidelidade de Israel com fidelidade, bondade e misericórdia.

Há muitos livros que tratam sobre o tema “perdão”, que mostram os benefícios do mesmo.
Lendo a biografia de Davi, escrita por Charles R. Swindoll, me deparei com a seguinte narrativa que exemplifica bem o que acabamos de colocar:
As palavras de perdão e graça ditas são maravilhosamente terapêuticas para o ofensor, não importa quão pequena ou quão grande seja a ofensa. Expressar nossos sentimentos remove toda a dúvida. Stuart Briscoe escreve:
Há alguns anos, uma mulher muito bem vestida me procurou no escritório, muito aflita. Ela havia aceitado o Senhor alguns dias antes, mas pedira para ver-me porque algo a perturbava. A mulher contou-me uma história desagradável de um caso que estava tendo com um dos amigos do marido. A seguir, ela insistiu que o marido tinha de saber e que eu devia contar-lhe! Essa foi uma experiência nova para mim!
Depois de alguma discussão com a mulher, telefonei para o marido. Quando chegou em meu escritório, contei-lhe o que tinha acontecido. A reação dele foi algo notável e belo de se ver. Voltando-se para a esposa em lágrimas e com medo, ele disse:- Amo você e a perdôo. Vamos começar de novo.
Muitas coisas tiveram de ser esclarecidas e muitas feridas curadas; mas a resposta dele mostrando perdão, por compreender o perdão de Deus, tornou-se a base de uma nova alegria e uma nova vida. (Davi: um homem segundo o coração de Deus. São Paulo: Mundo Cristão, 1998, p. 317)
Por ser, na dimensão humana, o mais íntimo dos relacionamentos (Gn 2.24), o casamento é o que mais sofre com a infidelidade.

Na condição de pastor, já tratei de vários casos envolvendo a infidelidade conjugal, e sempre trabalhei no sentido da manutenção dos casamentos, incentivando o perdão e a restauração dos mesmos. Cada caso é um caso, e implica em uma série de considerações, de acompanhamento, e de muito diálogo, sempre tendo a Bíblia como fundamento no processo do aconselhamento pastoral, buscando acima de tudo a glória de Deus.

Resolvi enfatizar o perdão no presente subsídio, visto que na lição bíblica a abordagem sobre a infidelidade conjugal concentra-se na questão descritiva e preventiva (questões muito pertinentes ao tema). O perdão é o melhor remédio para a restauração e a cura de casamentos vitimados pela infidelidade.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Conflitos na Família - AD Londrina


Conflitos na Família - Rede Brasil de Comunicação


LIÇÃO 05 - CONFLITOS NA FAMÍLIA - 2º TRIMESTRE 2013 (Ef 5.22-30)

INTRODUÇÃO

Deus instituiu a família visando o bem estar do homem. O propósito de Deus era que o homem vivesse em paz e harmonia com a esposa e os filhos. Mas, desde a Queda (Gn 3.1-7), as famílias passaram a experimentar conflitos, dissabores e aflições, tais como: violência, divórcio, vícios, infidelidade conjugal, rebeldia dos filhos, dívidas, dentre outros. Nesta lição, veremos o significado do termo “conflito”, exemplos de conflitos familiares, suas causas, e, como podemos superá-los. 

I - DEFINIÇÃO E EXEMPLOS DE CONFLITOS FAMILIARES
O termo grego para a palavra conflito é agõn que também pode ser traduzida por“combate” e encontra-se nos seguintes textos (Fp 1.30; I Ts 2.2; Cl 2.1). Aurélio define conflito como “combate”, “desavença” ou “discórdia”.
Encontramos na Bíblia, diversos exemplos de conflitos familiares, tais como:
  • O assassinato de Abel, por seu irmão Caim (Gn 4.8,9);
  • A crise conjugal entre Abraão e Sara, por causa de Hagar (Gn 16.5,6; 21.9-21);
  • As desavenças entre Esaú e Jacó, por causa da bênção da primogenitura (Gn 27.1-46);
  • Os conflitos entre Raquel e Jacó, porque ela não gerava filhos (Gn 30.1);
  • Discórdias entre Jacó e seu sogro Labão, por causa dos rebanhos (Gn 31.1-55);
  • O envolvimento de Diná, filha de Jacó, com Hamor e a consequente traição de Simeão e Levi (Gn 34.1-31);
  • O incesto de Rubem, filho de Jacó, com Bila, concubina de seu pai (Gn 35.22);
  • A inveja dos irmãos de José, a ponto de vendê-lo para os ismaelitas e mentirem para seu pai (Gn 37.1-36);
  • A rebeldia dos filhos de Eli (I Sm 2.12-17, 22-24);
  • O incesto entre Amnom e Tamar (II Sm 13.1-14), filhos de Davi;
  • O plano de Absalão para matar seu irmão Amnom (II Sm 13.23-29);
  • A traição de Absalão (II Sm 15.1-37) e Adonias (I Rs 1.5-9), filhos de Davi; dentre outros.
Estes e outros exemplos nos ensinam que: (1) os conflitos familiares existem desde os tempos mais remotos; (2) até mesmo os grandes homens de Deus enfrentaram crises e problemas familiares; logo, nós também não estamos isentos; (3) Os conflitos familiares ocorrem, não apenas por causa dos ataques do inimigo, mas, também, pelo mau procedimento dos membros da família. Se não fora a inveja de Caim (Gn 4.5); a precipitação de Sara aconselhando Abraão possuir Hagar (Gn 16.1-4); a preferência de Rebeca por Jacó (Gn 25.28); a cobiça e ambição dos filhos de Davi (II Sm 13.1-14; II Sm 15.1-37; I Rs 1.5-9), muitos males poderiam ser evitados.

II - CONFLITOS FAMILIARES NA ÁREA CONJUGAL
2.1 Ira. Casamento é a união de duas pessoas de sexos opostos, imperfeitas, e, geralmente, de temperamentos diferentes. Por isso, é comum surgirem os atritos conjugais, inclusive a ira. O apóstolo Paulo reconheceu que é possível um crente irar-se, quando disse: “Irai-vos, e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira” (Ef 4.26). O termo grego para ira é thumos e significa “raiva” ou “fúria” que podem acarretar em agressões físicas e verbais. A Palavra de Deus nos adverte quanto aos perigos da ira e como podemos superá-la (Sl 37.8; Pv 1919; 29.22; Ec 7.9; Ef 4.31; 6.4; Cl 3.8; Tg 1.19).

2.2 Orgulho. Do grego, alazonia ou alazoneia. O termo é traduzido em (I Jo 2.16) por “soberba”. Uma pessoa orgulhosa é aquela que possui um amor próprio demasiado, a ponto de pensar somente em si. O orgulho foi o primeiro sentimento pecaminoso a ser introduzido no universo (Ez 28.17) e é uma das características dos homens dos últimos tempos (II Tm 3.1-5). O antídoto contra o orgulho é o amor recíproco e verdadeiro, que, de acordo com o ensino paulino, não busca os seus interesses (I Co 13.5).

2.3 Ciúme. Este termo deriva-se do grego zeloo e do latim zelumen e significa“zelo por alguma coisa”. Em certo aspecto, o ciúme é um sentimento positivo, quando se trata de um cuidado com a pessoa amada. A própria Bíblia diz que o Espírito Santo tem ciúmes (zelo) de nós (Tg 4.5). No entanto, o ciúme humano, muitas vezes, ultrapassa a barreira do amoroso cuidado, torna-se possessivo e doentio, e tem sido a causa de muitas tragédias nos lares. O antídoto contra o ciúme é o amor. O apóstolo Paulo diz que “o amor não arde em ciúmes” (I Co 13.4 - Almeida Revista e Atualizada).

III - CONFLITOS FAMILIARES NA ÁREA FINANCEIRA

3.1 Dívidas. Muitas famílias encontram-se endividadas, por causa do uso irracional de benefícios oferecidos pelo mercado, como: cartão de crédito, cheque pré-datado, crediário, empréstimos, etc. As dívidas podem causar muitos males aos lares, tais como: desequilíbrio financeiro, inadimplência, intranquilidade; provocando até doenças psicossomáticas e desavenças no lar; perda de autoridade e mau testemunho perante os ímpios (Pv 6.1-5; 11.15; 22.7).