domingo, 10 de março de 2013

Há um Milagre em sua Casa - Rede Brasil de Comunicação


LIÇÃO 10 - HÁ UM MILAGRE EM SUA CASA - 1º TRIMESTRE 2013

INTRODUÇÃO

O milagre ocorrido na casa da viúva nos tempos do profeta Eliseu traz-nos lições valiosas e perfeitamente aplicáveis aos nossos dias. Veremos os dois fatores principais que motivam a realização do milagre da parte de Deus. Por ser misericordioso, o Senhor atenta para as nossas necessidades e intervém miraculosamente. Ele pode fazer isso diretamente ou através dos seus instrumentos humanos, aos quais concede poder e ousadia para a execução de grandes sinais. Mas ainda veremos que um dos cenários em que acontecem os milagres de Deus é o interior de uma casa.

I - A MOTIVAÇÃO DO MILAGRE
Podemos enfatizar pelo menos dois aspectos que acarretam na realização de umMILAGRE, de um ato especial de Deus que interrompe o curso natural dos eventos, os quais são: a necessidade humana e a misericórdia divina.
1.1 A necessidade humana. O texto de II Rs 4.1-7 nos mostra uma viúva desesperada com a possibilidade de ver o que restou de sua família se desfazer pelas mãos dos credores. Para que a sua casa fosse preservada, ela precisava de um milagre. Em todos os casos na Bíblia, os milagres foram operados, principalmente, na vida daqueles que necessitavam. Vejamos alguns exemplos:
  • Sara, que era estéril, precisava de um filho, por quem a promessa messiânica teria continuidade (Gn 18.12);
  • De igual modo, Rebeca e Raquel, esposas de Isaque e Jacó, também eram estéreis e necessitavam de filhos (Gn 25.21; 29.31);
  • A nação de Israel só conseguiu ser liberta da terra do Egito mediante uma série de intervenções sobrenaturais da parte de Deus, que foram as dez pragas (Ex 7-10);
  • Na jornada de Israel pelo deserto em direção à terra de Canaã, o povo de Deus experimentou constantes milagres durante quarenta anos, como por exemplo: a descida diária do maná (Êx 16.11-15); a presença constante da coluna de nuvem durante o dia e da coluna fogo durante a noite (Êx 13.21,22); águas amargas que se tornaram doces (Êx 15.23-25), e águas que fluíram de rochas (Êx 17.5,6).
1.2 A misericórdia divina. A palavra misericórdia, hesedhno hebraico, aponta para uma característica no caráter de Deus e significa: “benevolência, benignidade, compaixão, bondade, fidelidade, amor e beneficência”. É dessa forma que Deus olha para os necessitados. O clamor daquela viúva sensibilizou o coração de Deus, que se moveu para ajudá-la (II Rs 4.1-7), de igual maneira foi que o clamor de Israel, depois de quatrocentos anos de escravidão, chegou até a presença de Deus que, sensibilizado, resolveu libertar o povo (Êx 3.7,8). Também sucedeu assim com Ana, que estava mui aflita por causa de sua esterilidade e derramou as suas lágrimas no templo até que foi atendida (I Sm 1.10-18). Ninguém recebe um milagre por merecimento, senão, por misericórdia.

II - OS INSTRUMENTOS DO MILAGRE
Todos os milagres autênticos são operados por Deus, pois somente Ele é poderoso para realizá-los. Há ocasiões em que Ele interfere diretamente em determinada situação, sem a instrumentalidade humana. Por exemplo, quando Misael, Ananias e Azarias foram lançados na fornalha de fogo ardente, aquecida sete vezes mais, o “quarto homem” se lhes apresentou e retirou a força do fogo (Dn 3.19-25). Foi uma intervenção direta do próprio Deus. O que acontece, porém, é que na maioria das vezes os milagres de Deus são realizados através do instrumento humano. Observemos alguns casos na Bíblia:
  • Deus fez questão de mostrar a Faraó e a todo povo de Israel que as suas maravilhas ocorreriam através das mãos de Moisés que, com uma simples vara, operaria todos os grandes sinais (Ex 4.17);
  • Através de Josué, filho de Num, servidor de Moisés, Deus realizou uma das maiores intervenções de toda a história da humanidade, pois o Sol e a Lua ficaram detidos no mesmo lugar durante um espaço de quase 24 horas. A cosmologia moderna entende que para isso acontecer, é necessário que todo o universo pare de se movimentar. Lembramos, porém, que isso se deu através de um homem (Js 10.14);
  • Pelas mãos de Elias, o tisbita, grandes sinais foram operados em Israel. Isso aconteceu para que todos reconhecessem que só o Senhor era Deus e que Elias era o seu profeta (I Rs 17.1,13-16,19-24; 18.30-39);
  • No ministério de Eliseu não foi diferente. O nome do Senhor foi glorificado e Eliseu foi reconhecido como profeta de Deus (II Rs 2.19-22; 3.16-20; 4.1-7, 32-36, 40-44; 6.5,6);
  • O próprio Jesus exemplifica bem essa realidade, pois na condição humana foi ungido pelo Espírito de Deus para realizar grandes milagres no seu ministério (Mt 4.23,24);
  • Na igreja primitiva, os milagres ocorriam por mão dos discípulos: “E muito sinais e prodígios eram feitos entre o povo pelas mãos dos apóstolos…” (At 5.12). Vemos ainda outros exemplos (At 3.1-8; 5.14-16; 8.5-7; 19.11).

sábado, 2 de março de 2013

Lição 9 ELIAS NO MONTE DA TRANSFIGURAÇÃO



O relato sobre a transfiguração, conforme narrado nos evangelhos sinóticos é um dos mais emblemáticos do Novo Testamento (Mt 17.1-13; Mc 9.2-8; Lc 9.28-36). Além do nome de Moisés, o texto põe em evidência também o nome de Elias. Todavia diferentemente dos outros textos até aqui estudados, Elias não aparece como a figura central, mas como uma figura secundária! O centro é deslocado do profeta de Tisbe para o Profeta de Nazaré. Jesus, e não mais Elias, é o centro da revelação bíblica. Moisés, Elias, Pedro, Tiago e João, também nominados nesse texto aparecem como figurantes numa cena onde Cristo, o Messias prometido, é a figura principal.


Antes de uma análise puramente exegética e teológica da passagem de Marcos 9.2-29, quero compartilhar o seu lado devocional que muito tem me edificado. Resolvi estender a leitura do capítulo 9 do Evangelho de Marcos até o versículo 29, incluindo o episódio da libertação de um jovem possesso, porque uma leitura paralela do Evangelho de Lucas (Lc 9.28-43) revela que a libertação dele aconteceu “no dia seguinte, quando eles desceram do monte” (Lc 9.37). Em outras palavras, os eventos da transfiguração e da libertação do jovem lunático, ocorreram dentro da mesma sequência dos fatos ali narrados.

Pois bem, a pergunta chave que aparece logo após ter ocorrido a libertação do jovem lunático e, portanto, após o evento da Transfiguração é: “Porque nós não pudemos expulsá-lo?” (Mc 9.28).

Acredito que essa é uma das perguntas mais pertinentes para o atual momento em que vive a igreja evangélica brasileira. Essa pergunta poderia ser feita de uma outra forma e ainda assim o seu sentido seria o mesmo: “Qual a causa de nossa ineficiência?”Por que estamos crescendo numericamente, mas ainda assim padecemos de um cristianismo fraco e que pouco tem salgado a sociedade? Qual a razão de nosso caos teológico? São perguntas que demandam uma resposta.

Se olharmos com cuidado para o que revela o texto de Marcos 9.229, observaremos algumas características do cristianismo transfigurado, isto é, que brilha. Quais, pois, seriam essas características desse cristianismo que brilha? Aqui vão algumas delas:

1. Ele escala montes — “dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro, Tiago e João e levou-os sós, à parte, a um alto monte” (Mc 9.2). E interessante observarmos que os outros discípulos, nove deles, haviam ficado embaixo, pois, o Senhor Jesus levou consigo somente a Pedro, Tiago e João (v.2). Os outros haviam ficado embaixo, não subiram o monte. Quem não sobe o Monte não terá vitória nas lutas espirituais. Escrevi sobre isso quando tratei sobre a vida do patriarca Abraão:

“Vai-te a terra de Moriá” (Gn 22.1). Deus mandou Abraão subir o monte Moriá! Ninguém será abençoado sem escalar o monte! É necessário subir o Moriá de Deus e encontrar a bênção no seu cimo. Hoje está na moda subir o “monte” como um lugar místico em busca da bênção! Mas a Escritura mostra que como princípio, subir o monte está associado à necessidade de se buscar ou subir até a presença de Deus e não a geografia de um lugar (Jo 4.20-24). O monte pode ser o nosso quarto ou o templo da igreja ou ainda qualquer outro lugar (Mt 6.6; At 16.13,16). Quem ora hoje no monte Sinai, monte Moriá ou mesmo em Jerusalém não leva nenhuma vantagem sobre quem, por exemplo, ora numa pequena cidade do sertão nordestino ou na grande São Paulo. A geografia não é mais importante e sim a esfera e a atitude na qual a oração acontece, isto é, no Espírito (Ef 6.18; 1 Tm 4.7)”.1

2. Ele é metamorfoseado — “Foi transfigurado diante deles” (v.2). A palavra traduzida em português como “transfigurado” corresponde ao vocábulo grego metemorphôté, que é o aoristo passivo de metamorphóô? Esse mesmo vocábulo é usado pelo apóstolo Paulo em Romanos 12.1,2: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.

O expositor bíblico William Barclay em seu comentário da Epístola aos Romanos, observa que: “Não devemos adotar as formas do mundo; sem transformar-nos, quer dizer, adquirir uma nova maneira de viver. Para expressar esta verdade Paulo usa duas palavras gregas quase intraduzíveis, que requerem uma frase para transmitir seu sentido. A palavra que usa para amoldar-nos ao mundo é syschematizesthai, da raiz schema—de onde vem a palavra portuguesa e quase internacional schema —, que quer dizer forma exterior que muda de ano em ano e quase de dia a dia. O schema de uma pessoa não é o mesmo quando tem 17 anos e quando tem 70; nem quando sai do trabalho e quando está numa festa. Está mudando constantemente. E como se Paulo dissesse: Não cuideis de estar sempre em dia com todos os modismos deste mundo; não sejais ‘camaleões’, tomando sempre a cor do ambiente”.3 Por outro lado, continua Barclay em sua análise:

“A palavra que (Paulo) usa para transformai-vos de uma maneira distinta da palavra do mundo é metamorphusthai, da raiz morfé, que quer dizer a natureza essencial e inalterável de algo. Uma pessoa não tem o mesmo schema aos 17 e aos 70 anos, todavia possui a mesma morphè (essência); o macacão não tem o mesmo schema do vestido de uma cerimônia, mas possui a mesma morphê; muda seu aspecto exterior; pelo que segue sendo a mesma pessoa. Assim, disse Paulo, para dar culto e servir a Deus temos que experimentar uma mudança, não de aspecto, senão de personalidade. Em que consiste essa mudança? Paulo diria que, por nós mesmos, vivíamos kata sarka (segundo a carne), dominados pela natureza humana em seu nível mais baixo; em Cristo vivemos kata Christon (segundo Cristo) ou kata Pneuma (segundo o Espírito), sob o controle de Cristo e do Espírito. O cristão é uma pessoa que mudou em sua essência: agora vive, não uma vida egocêntrica, senão cristocêntrica. Isto deve ocorrer, diz Paulo, pela renovação da mentalidade. A palavra que ele emprega para renovação é anakainosis. No grego há duas palavras para novo: neós e kainós. Neós se refere ao tempo, e kainós ao caráter e a natureza. Um lápis recém fabricado é neós\ mas uma pessoa que era antes pecadora e agora e está chegando a ser santa é kainós. Quando Cristo entra na vida de um homem, este é um novo homem; tem uma mentalidade diferente, porque tem a mente de Cristo.”4

3. Ele é fundamentado na Palavra de Deus — ‘E apareceu-lhes Elias com Moisés” (v.4). Todos os intérpretes entendem que os nomes “Elias” e “Moisés” representam figuradamente a Palavra de Deus. Elias representa os profetas enquanto Moisés, a Lei. O cristianismo deixa de ser autêntico quando se distancia da palavra de Deus. Em outro livro de minha autoria, escrevi: Uma igreja modelo possui como fundamento a Palavra e o Espírito. Somente o Espírito sem a Palavra de Deus incorre-se em fanatismo; todavia a Palavra sem o Espírito não passa de ortodoxia morta. O correto é termos o equilíbrio entre a Palavra e o Espírito. O principal mal do pentecostalismo contemporâneo é essa falta de equilíbrio entre a Palavra e o Espírito. Como vimos um carismatismo sem fundamento bíblico transforma-se em desvios, modismos, inovações, desvios doutrinários evoluindo para doutrinas heréticas.5

4. Ele promove espanto — ‘Pois não sabiam o que dizia, porque estavam assombrados” (v.6). Uma das tragédias do cristianismo hodierno é que ele não promove mais espanto! Um grande número de cristãos parece ter se acostumado com uma vida religiosa onde nada mais é novo. Não há espanto algum! Mas experimentar espanto diante do sagrado é um fenômeno presente nas religiões. Mircea Elliade (2008, pp.16,17) destaca que o homem “descobre o sentimento de pavor diante do sagrado, diante desse mysterium tremendum, dessa majestas que exala uma superioridade esmagadora de poder; encontra o temor religioso diante do mysterium fascinans, em que se expande a perfeita plenitude do ser.”6

Elias no Monte da Transfiguração - Pr. Altair Germano

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Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro, e a Tiago, e a João, seu irmão, e os conduziu em particular a um alto monte. E transfigurou-se diante deles; e o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes se tornaram brancas como a luz. E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele. E Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, façamos aqui três tabernáculos, um para ti, um para Moisés e um para Elias. E, estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu. E da nuvem saiu uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; escutai-o. E os discípulos, ouvindo isso, caíram sobre seu rosto e tiveram grande medo. E, aproximando-se Jesus, tocou-lhes e disse: Levantai-vos e não tenhais medo. E, erguendo eles os olhos, ninguém viram, senão a Jesus. (Mateus 17.1-8)
Muito já se escreveu sobre o episódio da transfiguração, e para este subsídio gostaria apenas de trazer uma reflexão sobre a necessidade de uma fé que não se limita, nem se contenta com a ausência do sobrenatural, das visões e da percepção inconfundível da presença do Senhor.
As visões, os sonhos e outros fenômenos espirituais não estão restritos ao Novo Testamento:
E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos jovens terão visões, e os vossos velhos sonharão sonhos; (At 2.17)

Após o derramar do Espírito no dia de Pentecostes, as visões se tornaram frequentes, e algumas delas ficaram registradas nas Escrituras:
Mas, de noite, um anjo do Senhor abriu as portas da prisão e, tirando-os para fora, disse: Ide, apresentai-vos no templo e dizei ao povo todas as palavras desta vida. E, ouvindo eles isto, entraram de manhã cedo no templo e ensinavam. Chegando, porém, o sumo sacerdote e os que estavam com ele, convocaram o conselho e a todos os anciãos dos filhos de Israel e enviaram servidores ao cárcere, para que de lá os trouxessem. (At 5.19-21) E, indo no caminho, aconteceu que, chegando perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu. E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? E ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões. (At 9.3-5) E havia em Damasco um certo discípulo chamado Ananias. E disse-lhe o Senhor em visão: Ananias! E ele respondeu: Eis-me aqui, Senhor! E disse-lhe o Senhor: Levanta-te, e vai à rua chamada Direita, e pergunta em casa de Judas por um homem de Tarso chamado Saulo; pois eis que ele está orando; e numa visão ele viu que entrava um homem chamado Ananias e punha sobre ele a mão, para que tornasse a ver. E respondeu Ananias: Senhor, de muitos ouvi acerca deste homem, quantos males tem feito aos teus santos em Jerusalém; e aqui tem poder dos principais dos sacerdotes para prender a todos os que invocam o teu nome.    Disse-lhe, porém, o Senhor: Vai, porque este é para mim um vaso escolhido para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis, e dos filhos de Israel. E eu lhe mostrarei quanto deve padecer pelo meu nome. E Ananias foi, e entrou na casa, e, impondo-lhe as mãos, disse: Irmão Saulo, o Senhor Jesus, que te apareceu no caminho por onde vinhas, me enviou, para que tornes a ver e sejas cheio do Espírito Santo. (At 9.10-17)

Elias no Monte da Transfiguração - Rede Brasil de Comunicação

LIÇÃO 09 - ELIAS NO MONTE DA TRANSFIGURAÇÃO - 1º TRIMESTRE 2013

INTRODUÇÃO

O mistério da Transfiguração é, dentre todos apresentados pela Sagrada Escritura, o que traduz de maneira mais sublime e profunda, toda a teologia da divinização do homem Jesus, pois no monte, sua glória interna tornou-se visível externamente. O mistério da Transfiguração tem uma íntima ligação com o mistério Pascal (sacrifício). Poderíamos dizer que a Transfiguração é a “ponte”, que liga ou, que introduz ao Calvário e finalmente à Ressurreição. O Cristo que contemplamos na Transfiguração é o mesmo que contemplaremos em sua glória na eternidade.

I - DEFINIÇÃO DA PALAVRA TRANSFIGURAR
A palavra Transfigurar, que traduz o termo “metamorfose” mantém o sentido de mudança de aparência, ou forma. A palavra “morphe” significa “forma” e o termo “meta” diz respeito a “mudança”, mas não mudança de essência (Mt 17.2; Mc 9.2; Rm 12.2). Entendemos que a Transfiguração foi uma experiência de origem divina, uma revelação dada aos apóstolos sobre a glória do Reino futuro no qual, Jesus é Rei. Ele foi metamorfoseado quando “transformou-se” no monte mudando sua APARÊNCIA física e não a sua ESSÊNCIA divina. A palavra traduzida em português como “transfigurado” corresponde ao vocábulo grego metamorphoõ” que significa também “transformar”, “mudar em outra forma”, “transfigurar”.

II - LOCALIZAÇÃO DO MONTE DA TRANSFIGURAÇÃO
A transfiguração é registrada em cada um dos evangelhos sinóticos (Mt 17.1-9, Mc 9.2-10, Lc 9.28-36) e também em (2 Pe 1.16-21). O local deste evento é “um alto monte” (Mt 17.1; Mc 9.2). A associação com uma montanha também é encontrada em (Lc 9.28; 2 Pe 1.18). Várias localizações geográficas têm sido sugeridas: Monte Hermon, Monte Carmelo, e o local tradicional do Monte Tabor. Os escritores bíblicos, aparentemente, não estavam interessados em localizar exatamente onde este evento aconteceu, mas sim, registrar o que ocorreu.

III - O SIGNIFICADO DO MONTE DA TRANSFIGURAÇÃO
Durante toda a Sua vida, Jesus estava sob aquele véu (seu corpo). Apenas uma única vez em Sua vida aquele véu foi “aberto” e a Sua glória brilhou por meio da Sua carne humana, e essa vez foi no monte da transfiguração. Foi apenas por um período curto de tempo e, então, aquele véu caiu sobre Ele novamente até que foi rasgado na cruz do Calvário. Jesus é “o resplendor da glória” de Deus e “a expressão exata do seu Ser” (Hb 1.3). Ele reflete perfeitamente a natureza e o caráter de Deus. Quando olhamos para Jesus, podemos ver “a glória do Senhor” (2 Co 3.18; 4.6).Vejamos:
  • Só podemos compreender a transfiguração de Jesus a partir da Sua encarnação. “O Verbo se fez carne e habitou (tabernaculou-se) entre os homens, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14). Quando o Filho de Deus veio a este mundo, Ele tomou sobre Si a carne humana e essa carne serviu como um véu sobre Ele. Por esta razão, enquanto estava na Terra, quando os homens olhavam para Ele, viam apenas um Homem. Não viam a glória do Filho de Deus porque Ele estava coberto pelo véu. “pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne”. (Hb 10.20).
  •  
  • Simbolicamente, o aparecimento de Moisés e Elias representava a Lei e os Profetas. Entretanto, a voz de Deus do céu - “Ouçam a Ele!” - mostrou claramente que a Lei e os Profetas deviam dar lugar a Jesus. “E disse-lhes: São estas as palavras que vos disse estando ainda convosco: Que convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moisés, e nos profetas e nos Salmos.” (Lc 24.44). Aquele que é o novo e vivo caminho está substituindo o antigo; Ele é o cumprimento da Lei e das inúmeras profecias no AT. Além disso, em Sua forma glorificada eles tiveram uma breve visualização da Sua glorificação e entronização vindoura como Rei dos reis e Senhor dos senhores (Ap 19.16).
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  •  João escreveu em seu evangelho: “Vimos a sua glória, glória como do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade.” Pedro também escreveu: “De fato, não seguimos fábulas engenhosamente inventadas, […] Ele recebeu honra e glória da parte de Deus Pai, quando da suprema glória lhe foi dirigida […]. Nós mesmos ouvimos essa voz vinda do céu, quando estávamos com ele no monte santo” (2 Pe1.16-18).
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  • IV - O MONTE DA TRANSFIGURAÇÃO E OS ERROS DOUTRINÁRIOS
    Essa passagem tem gerado muitas interpretações errôneas que tentam apoiar doutrinas sobre reencarnação e manifestação dos mortos se comunicando com os vivos. A Escritura, contudo, não se contradiz. Ela condena doutrinas que apoiam a invocação de mortos e a necromancia. A presença de Elias e Moisés na transfiguração significa que Jesus estava apoiado pela Lei (Moisés) e pelos profetas representado por Elias (II Rs 2.1-11). Há ainda alguns intérpretes que veem nesse acontecimento da Transfiguração, Moisés representando os que passaram pela experiência da morte, já que ele morreu (Dt 34.5) e Elias como a figura dos redimidos que serão arrebatados sem ver a morte (1Ts 4.16-17).

    V - OS PROPÓSITOS DA VISÃO NO MONTE DA TRANSFIGURAÇÃO
    Um dos principais motivos da visão no monte da transfiguração é o de demonstrar que a Lei de Moisés (Pentateuco) e todos os profetas (Os demais livros) do AT tiveram seu real cumprimento na pessoa magnífica do Senhor Jesus Cristo (Lc 24.44). Importante também notar que a visão teve o propósito de fortalecer a fé dos apóstolos, pois estes estavam prestes a ver o Senhor ser crucificado e morto. Eles deveriam entender que antes da sua ressurreição, era necessário o sofrimento e a morte do Cordeiro de Deus, a fim de que os pecados deles e os nossos fossem expiados pela morte do Justo. Evidência disto são as palavras que o Senhor Jesus lhes dirigiu imediatamente após a visão: “E, descendo eles do monte, ordenou-lhes Jesus: A ninguém conteis a visão, até que o Filho do Homem ressuscite dentre os mortos” (Mt 17.9).

Elias no Monte da Transfiguração - Pr. Geraldo Carneiro Filho

TÍTULO: “ELIAS NO MONTE DA TRANSFIGURAÇÃO”
TEXTO ÁUREO – Mt 17.2-3
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Mt 17.1-8


I – INTRODUÇÃO:

Jesus dissera, seis dias antes da Sua transfiguração que alguns então presentes não morreriam antes de vê-Lo no Seu reino. Mateus, Marcos e Lucas ligam cuidadosamente essa promessa à narrativa da Sua transfiguração. Portanto, essa cena deslumbrante “no monte santo” (II Pe 1:18) é uma amostra, um penhor, do reino de Cristo. Na transfiguração foi permitido aos homens um olhar momentâneo para dentro do reino prometido e ver o Rei na Sua formosura (Sl 27:4 e Is 33:17).

II – A TRANSFIGURAÇÃO:

Mc 9.2 cf Lc 9.37 - Foi após uma noite inteira de oração no deserto que Cristo convidou os três apóstolos. E, estando Ele orando, transfigurou-se a aparência de seu rosto. Sua intercessão resultou no milagre da transfiguração.

Lc 9.29 – É nas noites inteiras de oração que podemos esperar as experiências mais gloriosas:
(A) - O rosto para ser desfigurado por açoites e pela coroa de espinhos, então brilhava como o fulgor do sol;
(B) – As vestes que estavam destinadas a serem adquiridas pelo jogo, resplandeciam, não apenas como a neve, mas como a luz;
(C) – Em vez dos dois ladrões, um a cada lado do Senhor, havia Moisés e Elias;
(D) – Em vez das trevas ao meio dia, havia uma nuvem luminosa à noite;
(E) – Em vez de gritos do Senhor: - “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”, ouviu-se dos céus a voz de Deus-Pai: - “Este é meu Filho, o meu Escolhido, ouvio-O”.
A palavra “TRANSFIGURAÇÃO”, no original, também é encontrada em Rm 12.2 e II Cor 3.18.
Podemos ilustrar a transfiguração de Jesus por meio de um fato muito familiar a todos nós: O vidro de uma lâmpada elétrica tem a aparência de qualquer vidro; o filamento parece algum arame fino. Mas, ao entrar a energia elétrica, a lâmpada torna-se incandescente.
A transfiguração assinala um importante estágio na revelação de Jesus como o Cristo e Filho de Deus. Foi uma experiência semelhante à de Seu batismo – Mt 3.13-17; Mc 1.9-11; Lc 3.21 e ss.
Existem muitas características sobre esse relato que derivam sua significação do A.T..
(1) – Moisés e Elias representam a Lei e os Profetas a testificarem sobre o Messias, como coisas cumpridas e superadas por Ele.
(2) – Cada um deles teve uma visão da glória de Deus em uma montanha: Moisés, no monte Sinai (Ex 24.15); e Elias, no monte Horebe (I Rs 19.8).
(3) – Nenhum deles deixou neste mundo sepulcro conhecido – Dt 34.6; II Rs 2.11.
(4) – A lei de Moisés e a vinda de Elias são mencionadas juntamente nos últimos versículos do A.T. – Ml 4.4-6.
(5) – A voz celestial que disse: - “Este é meu Filho amado: a ele ouvi” – Mc 9.7, assinalou Jesus não apenas como Messias, mas, igualmente, como o Profeta de Dt 18.15 e ss.
(6) – A nuvem representa a coberta da presença divina – Ex 24.15-18; Sl 97.2 – houve uma nuvem que ocultou a Cristo da vista dos Seus discípulos, por ocasião da ascensão – At 1.9. A volta de Cristo será entre nuvens – Apc 1.7
(7) – Em Lucas somos informados que o assunto da conversa que Moisés e Elias tiveram com Jesus foi acerca do êxodos que Ele estava prestes a realizar em Jerusalém. Isso parece significar não simplesmente a Sua morte ressurreição como meio de redenção para o Seu povo, tipificado pelo êxodo do Egito, no A.T..
A transfiguração, por conseguinte, é um ponto focal na revelação do reino de Deus, pois olha de volta para o A.T. e mostra como Cristo o cumpria, e também olha para os futuros grandes eventos da cruz, da ressurreição, da ascensão e da parousia, ou seja, a manifestação gloriosa de Cristo.
Pedro equivocou-se por tentar fazer permanente aquela experiência. O que era necessário era a presença exclusiva de Jesus, e atenção à Sua voz.
III - PROFECIAS SOBRE O NASCIMENTO DO MESSIAS:

(1) – ELE NASCERIA DA SEMENTE DA MULHER – Gn 3:15 – Esta é a primeira referência sobre o Salvador do mundo; foram as palavras de Deus a satanás (a serpente).
(1.1) – O cumprimento está nas palavras de Paulo falando sobre Cristo – Gl 4:4 – Jesus nasceu para esmagar a cabeça da serpente (satanás) e reconduzir a humanidade a Deus.
(2) - ELE NASCERIA DE UMA VIRGEM – Cerca de oito séculos antes do nascimento de Jesus, Isaías profetizou: Is 7:14 - No idioma hebraico existem duas palavras com o significado de VIRGEM. Porém, entre ambas há uma pequena diferença que aumenta ainda mais a certeza de que o profeta Isaías, ao falar sobre a mãe do Messias, referiu-se a Maria, mãe de Jesus:
(A) - A primeira palavra utilizada com o sentido de virgem é BETHULAH = UMA MOÇA VIRGEM. Ela é empregada com relação à Rebeca (Gn 24:16); à esposa do sumo-sacerdote (Lv 21:13); nas leis da castidade e do casamento (Dt 22:14, 23, 28); com relação à filha de Jefté (Jz 11:37) e a respeito de Abisaque (I Rs 1:2-3). Porém, não foi esta a palavra utilizada pelo profeta Isaías.
(B) - A palavra utilizada em Is 7:14 é ALMAH = MOÇA VIRGEM, QUE ESTÁ NA IDADE DE SE CASAR, QUE TENHA SIDO PROMETIDA EM CASAMENTO OU JÁ CASADO, MAS QUE NÃO TENHA IDO PARA A COMPANHIA DO MARIDO. Esta era a situação de Maria: moça virgem, que já havia inclusive desposado José, mas ainda não coabitrada com ele.
(2.1) – Assim registrou o evangelista Mateus o nascimento de Jesus: Mt 1:18, 24-25; Lc 1:26-35.
(3) - O MESSIAS NASCERIA EM BELÉM - Mq 5:2 - Belém é também chamada a CASA DE PÃO. O Pão da Vida descido dos céus nasceria nos seus arredores! A esperança de que Cristo nasceria em Belém era muito antiga (Mt 2:4-6; Jo 7:42)
(3.1) - Cumpriu-se esta profecia em Jesus Cristo (Lc 2:4-7; Mt 2:1)
(4) - O MESSIAS SERIA HOMENAGEADO COM PRESENTES - Sl 72:10; Is 60:6 – No salmo messiânico sobre o rei justo e o seu reinado, vemos que o Messias receberia presentes.
Já o profeta Isaías profetizou sobre os presentes que seriam trazidos ao Senhor, cuja luz resplandeceria sobre Jerusalém. Ora, os magos que vieram adorar a Jesus e trazer-Lhe presentes eram orientais. Sabá e Sebá ficavam no Oriente, precisamente na Arábia, que é chamada em Gênesis de terra oriental – Gn 25:6.
(4.1) – Cumpriram-se estas profecias em Jesus – Mt 2:1, 11 - O que os magos trouxeram para presentear o menino Jesus, eram produtos genuinamente orientais.
(5) - HAVERIA MATANÇA DOS INOCENTES - Jr 31:15 – Jeremias escreveu esta profecia quase seis séculos antes do nascimento do Messias.
(5.1) – O cumprimento da profecia em Jesus - Mt 2:16-18.
(6) - O MESSIAS SERIA CHAMADO FILHO DE DEUS – O mais conhecido versículo no A.T. que revela a filiação divina do Messias está no livro de Salmos – Sl 2:7.
Mas foi no tempo do rei Davi que o Senhor Deus, através do profeta Natã, anunciou que enviaria Seu Filho, o Messias, para sempre – I Cr 17:11-14 cf II Sm 7:12-16

(6.1) - Houve o cumprimento em Jesus Cristo – No N.T. existem 41 referências a Jesus como Filho de Deus:
(A) – Os discípulos assim O reconheceram (Mt 14:33);
(B) – Pedro O confessou publicamente (Mt 16:16);
(C) – Natanael O confessou individualmente (Jo 1:4);
(D) - O centurião e os soldados romanos também reconheceram Sua filiação divina (Mt 27:54);
(E) – Até os demônios O reconheceram como Filho de Deus (Mt 8:29; Mc 3:11; 5:7; Lc 4:41);
(F) – Na ocasião do batismo de Jesus, o próprio Deus Pai O reconheceu como Seu Filho Mt 3:16-17 – Dentre todas as declarações, esta é a que tem maior peso e autoridade.
(7) – O MESSIAS SERIA DESCENDENTE DE ABRAÃO – Gn 12:7; 22:18
(7.1) – O cumprimento em Cristo – Mt 1:11 cf Gl 3:16
(8) - O MESSIAS SERIA DESCENDENTE DE ISAQUE - Gn 21:12.
(8.1) – O cumprimento em Jesus – Lc 3:23, 34 – Do verso 23 ao 34 vemos que a genealogia de Jesus mostra que Ele é descendente do patriarca Isaque
(9) - O MESSIAS SERIA DESCENDENTE DE JACÓ - Nm 24:17 – O livro de Números foi escrito cerca de 13 séculos antes do nascimento de Jesus.
(9.1) – O mesmo versículo de Lucas que mostra ser Jesus descendente de Isaque, revela que Ele é também descendente de Jacó – Lc 3:34
(10) – O MESSIAS SERIA DA TRIBO DE JUDÁ – Entre as bênçãos proféticas do patriarca Jacó sobre seus doze filhos, coube a Jduá a seguinte promessa – Gn 49:10.
SILÓ = PACIFICADOR. O profeta Isaías disse que Príncipe da Paz seria um dos nomes do Messias – Is 9:6
(10.1) – O cumprimento em Jesus - Mt 1:1; Lc 3:23, 33-34 – Uma leitura em linha reta (do verso 23 ao 34) mostra que Jesus é o descendente de Judá.
(11) - O MESSIAS FOI SERIA UM RENOVO NA CASA DE DAVI - Jr 23:5 – O ministério do profeta Jeremias iniciou-se em 625 a.C. e terminou por volta de 586 a. C. Portanto, quase seis séculos antes do nascimento de Jesus, aquele profeta falou sobre um Renovo que nasceria da descendência de Davi.
Mais de 100 anos antes do profeta Jeremias, Isaías havia escrito – Is 1:11
O rei Davi também falou destas promessas - Sl 132:11
(11.1) – O cumprimento em Jesus - Mt 1:1; 9:27; 15:22; 20:30; 21:9, 15; 22:41-46; Mc 9:10; 10:47-48; Lc 18:38-39; At 13:22-23; Apc 22:16 - Entre os judeus, a expressão FILHO DE… significa também DESCENDENTE DE…, DA FAMÍLIA DE…
(12) - O MESSIAS SERIA CHAMADO SENHOR – No salmo de Davi sobre o reino e o sacerdócio do Messias, lemos as seguintes palavras proféticas - Sl 110:1
(12.1) – O cumprimento em Jesus – Lc 2:11; 20:41-44 - Na verdade, Jesus Cristo é o Senhor do rei Davi e não propriamente seu filho. Jesus deixou bem claro para os escribas e saduceus que Ele, apesar de humanamente descender do rei Davi, estava acima dele como Rei dos reis e Senhor dos senhores.