sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
1º Trimestre de 2013 o tema: "Elias e Eliseu – Um Ministério de Poder para toda a Igreja”.
Revista da Escola Bíblica Dominical, no 1º Trimestre de 2013 estudaremos através das Lições Bíblicas da CPAD o tema: "Elias e Eliseu – Um Ministério de Poder para toda a Igreja”.
Comentário: José Gonçalves
Lição 1 – A Apostasia no Reino de Israel
Lição 2 - Elias, o Tisbita
Lição 3 - A Longa Seca Sobre Israel
Lição 4 - Elias e os Profetas de Baal
Lição 5 - Um homem de Deus em Depressão
Lição 6 - A Viúva de Sarepta
Lição 7 - A Vinha de Nabote
Lição 8 - O Legado de Elias
Lição 9 - Elias no Monte da Transfiguração
Lição 10 - Há um Milagre em Sua Casa
Lição 11 - Os Milagres de Eliseu
Lição 12 - Eliseu e a Escola dos Profetas
Lição 13 - A Morte de Eliseu
Ficha Técnica
Revista Escola Dominical | Lições Bíblicas - Jovens e Adultos
- Autor(es): Eliezer de Lira e Silva
- Número de páginas: 96
- Formato: 27x17
- Encadernamento: Brochura
- Editora: CPAD
Sofonias - O Juízo Vindouro - Luciano de Paula Lourenço
Texto Básico: Sofonias 1:1-10
“Cala-te diante do Senhor JEOVÁ, porque o dia do SENHOR esta perto, porque o SENHOR preparou o sacrifício e santificou os seus convidados” (Sf 1:7).
INTRODUÇÃO
Nesta lição, estudaremos o oráculo de Sofonias. Ele profetiza para advertir ao povo que o juízo de Deus estava para vir. Sofonias apresenta os pecados que o povo praticava: eles adoravam a Baal, uma divindade cananita; adoravam os elementos da natureza, o sol e a lua, e também as estrelas, desprezando o Criador. Eles misturavam a adoração a Deus com a adoração a outras “divindades”. Aos poucos, foram abandonando o culto ao Senhor e, finalmente, manifestaram um claro descaso para com a obediência aos preceitos divinos. Este aspecto degradante do caráter do povo insultou a santidade de Deus e provocou a Sua ira. Sofonias fala do “Dia do Senhor”, e esta descrição não é da manifestação do Messias, e sim da ira de Deus. O juízo de Deus seria destinado não somente a Judá; também, sua abrangência será universal, como reação de Deus aos pecados cometidos pelos moradores de toda a Terra.
De forma intrigante, Sofonias começa sua profecia com um lamento, mas termina com um cântico de alegria (Sf 1:2; 3:14-20); ele aborda o julgamento divino numa perspectiva escatológica de restauração.
I. O LIVRO DE SOFONIAS
INTRODUÇÃO
Nesta lição, estudaremos o oráculo de Sofonias. Ele profetiza para advertir ao povo que o juízo de Deus estava para vir. Sofonias apresenta os pecados que o povo praticava: eles adoravam a Baal, uma divindade cananita; adoravam os elementos da natureza, o sol e a lua, e também as estrelas, desprezando o Criador. Eles misturavam a adoração a Deus com a adoração a outras “divindades”. Aos poucos, foram abandonando o culto ao Senhor e, finalmente, manifestaram um claro descaso para com a obediência aos preceitos divinos. Este aspecto degradante do caráter do povo insultou a santidade de Deus e provocou a Sua ira. Sofonias fala do “Dia do Senhor”, e esta descrição não é da manifestação do Messias, e sim da ira de Deus. O juízo de Deus seria destinado não somente a Judá; também, sua abrangência será universal, como reação de Deus aos pecados cometidos pelos moradores de toda a Terra.
De forma intrigante, Sofonias começa sua profecia com um lamento, mas termina com um cântico de alegria (Sf 1:2; 3:14-20); ele aborda o julgamento divino numa perspectiva escatológica de restauração.
I. O LIVRO DE SOFONIAS
1. Contexto histórico. Sofonias profetizou durante o reinado de Josias, rei de Judá (640-609 a.C). Aproximadamente 100 anos antes da profecia de Sofonias, o Reino do Norte (Israel) havia sido derrotado pela Assíria. O povo havia sido levado cativo, e a terra havia sido recolonizada por estrangeiros. Sob o reinado de Manassés e do rei Amom, pai do rei Josias, tributos haviam sido pagos para se evitar que a Assíria invadisse o Reino do Sul. A aliança com a Assíria não somente afetou a Judá politicamente, mas também as práticas religiosas, sociais e de comportamento da Assíria impuseram sua tendências em Judá. Proteção oficial foi dada em Judá para as artes mágicas e adivinhadores e encantadores. A religião astral se tornou tão popular, que o rei Manassés construiu altares para adoração do sol, lua, estrelas, signos do zodíaco e todos os astros do céu, à entrada da Casa do Senhor (2Rs 23:11). A adoração da deusa-mãe da Assíria se tornou uma prática que envolvia todos os membros das famílias de Judá (Jr 7:18). Em fim, a nação achava-se envolvida com a violência e a idolatria em alta escala. Havia indiferença e zombaria para com o Senhor Deus.
Os pecados dos quais Sofonias acusava Jerusalém e Judá (Sf 1:4-13; 3:1-7) indicam que ele profetizou antes do reavivamento e reformas promovidas por Josias. Período este marcado pela iniquidade dos reis que antecederam a Josias (Manasses e Amom). Foi somente no décimo segundo ano do reinado de Josias (isto é, 627 a.C) que o rei empreendeu a purificação do povo com o banimento da idolatria e a restauração do verdadeiro culto ao Senhor. Oito anos mais tarde, ordenaria o conserto e a purificação do templo. Nessa ocasião, foi descoberta uma cópia da Lei do Senhor (cf. 2Rs 22:1-10). A descrição que Sofonias faz das lamentáveis condições espirituais e morais de Judá deve ter sido escrita por volta de 630 a.C. É provável que a pregação de Sofonias tenha tido influência direta sobre o rei Josias, inspirando-o em suas reformas. O ano de 630 a.C é também indicado devido a ausência de referencias, no livro de Sofonias, à Babilônia, sendo esta uma potência reconhecida no cenário internacional. Babilônia só começou a galgar uma posição de destaque com a ascendência de Nabopolassar em 625 a.C. Mesmo assim, Sofonias profetizou a destruição da grande Assíria, evento este ocorrido em 612 a.C., com a queda de Nínive. Jeremias era um contemporâneo mais jovem de Sofonias.
Os pecados dos quais Sofonias acusava Jerusalém e Judá (Sf 1:4-13; 3:1-7) indicam que ele profetizou antes do reavivamento e reformas promovidas por Josias. Período este marcado pela iniquidade dos reis que antecederam a Josias (Manasses e Amom). Foi somente no décimo segundo ano do reinado de Josias (isto é, 627 a.C) que o rei empreendeu a purificação do povo com o banimento da idolatria e a restauração do verdadeiro culto ao Senhor. Oito anos mais tarde, ordenaria o conserto e a purificação do templo. Nessa ocasião, foi descoberta uma cópia da Lei do Senhor (cf. 2Rs 22:1-10). A descrição que Sofonias faz das lamentáveis condições espirituais e morais de Judá deve ter sido escrita por volta de 630 a.C. É provável que a pregação de Sofonias tenha tido influência direta sobre o rei Josias, inspirando-o em suas reformas. O ano de 630 a.C é também indicado devido a ausência de referencias, no livro de Sofonias, à Babilônia, sendo esta uma potência reconhecida no cenário internacional. Babilônia só começou a galgar uma posição de destaque com a ascendência de Nabopolassar em 625 a.C. Mesmo assim, Sofonias profetizou a destruição da grande Assíria, evento este ocorrido em 612 a.C., com a queda de Nínive. Jeremias era um contemporâneo mais jovem de Sofonias.
2. Genealogia. O nome “Sofonias” significa “o Senhor escondeu”. Há quem suponha que ele nasceu durante o “período de matança de Manassés”. Sofonias se identifica melhor do que qualquer outro dos profetas menores, remontando sua linhagem quatro gerações até Ezequias. Ele descreve assim a sua genealogia: Sofonias, filho de Cusi, filho de Gedalias, filho de Amarias, filho de Ezequias (Sf 1:1). Logo, ele era trineto do bom rei Ezequias, o qual levou o povo de volta a Deus durante o tempo do profeta Isaías. Entre os profetas, esta genealogia é a mais detalhada, cujo propósito mais provável era mostrar que ele era de linhagem real. É bom observar que a citação do nome do pai do profeta estabelecia o direito tanto à herança quanto à posição social ou aquisição de poder. A ausência de paternidade demonstrava que tal profeta não adveio de família tradicional.
Sua referencia a Jerusalém como “este lugar” (Sf 1:4), bem como a descrição minuciosa de sua topografia e de seus pecados, indicam que ele residia na cidade. Como fazia parte da linhagem real, haja vista que fora trineto do rei Ezequias, e era parente do rei Josias, então, isso lhe garantia livre acesso no governo real, bem como noutros segmentos da sociedade. De acordo com o arranjo das Escrituras hebraicas, Sofonias foi o último profeta a escrever antes do cativeiro.
3. Estrutura e mensagem.
a) Estrutura. Na sua maior parte, o livro de Sofonias é uma advertência sóbria a respeito do Dia do castigo divino contra o pecado. Embora percebesse um castigo vindouro em escala mundial (Sf 1:2;3:8), Sofonias focaliza especialmente o julgamento que viria contra Judá (Sf 1:4-18; 3:1-7). Ele faz um apelo à nação para que se arrependa e busque o Senhor em humildade antes que o decreto divino entre em vigor (Sf 2:1-3). O arrependimento nacional ocorreu parcialmente durante o reavivamento de Josias (627 - 609 a.C).
Sofonias também profetizou o juízo vindouro contra cinco nações estrangeiras: Filistia, Amom, Moabe, Etiópia e Assíria (Sf 2:4-15). Depois de dirigir sua atenção aos pecados de Jerusalém (Sf 3:1-7), o profeta prediz um tempo em que Deus reuniria, redimiria e restauraria o seu povo. Os fiéis gritariam de alegria como verdadeiros adoradores do Senhor Deus, que estaria no meio deles como um guerreiro vitorioso (cf. Sf 3:9-20).
b) Mensagem. Sofonias advertiu o povo de Judá e disse-lhe que caso se recusasse a se arrepender, a nação inteira, inclusive a amada cidade de Jerusalém, seria destruída. O povo sabia que no final Deus o abençoaria, mas Sofonias deixou claro que primeiramente haveria juízo e, mediante o arrependimento, depois viria a bênção. Este julgamento não seria meramente o castigo pelo pecado, mas também um meio de purificar o povo.
Embora vivamos em um mundo decaído e cercado pelo mal, podemos aguardar com esperança a vinda do Reino de Deus. E devemos permitir que qualquer castigo que nos sobrevenha no presente sirva para nos purificar de nossas transgressões.
II. O JUIZO VINDOURO
Sua referencia a Jerusalém como “este lugar” (Sf 1:4), bem como a descrição minuciosa de sua topografia e de seus pecados, indicam que ele residia na cidade. Como fazia parte da linhagem real, haja vista que fora trineto do rei Ezequias, e era parente do rei Josias, então, isso lhe garantia livre acesso no governo real, bem como noutros segmentos da sociedade. De acordo com o arranjo das Escrituras hebraicas, Sofonias foi o último profeta a escrever antes do cativeiro.
3. Estrutura e mensagem.
a) Estrutura. Na sua maior parte, o livro de Sofonias é uma advertência sóbria a respeito do Dia do castigo divino contra o pecado. Embora percebesse um castigo vindouro em escala mundial (Sf 1:2;3:8), Sofonias focaliza especialmente o julgamento que viria contra Judá (Sf 1:4-18; 3:1-7). Ele faz um apelo à nação para que se arrependa e busque o Senhor em humildade antes que o decreto divino entre em vigor (Sf 2:1-3). O arrependimento nacional ocorreu parcialmente durante o reavivamento de Josias (627 - 609 a.C).
Sofonias também profetizou o juízo vindouro contra cinco nações estrangeiras: Filistia, Amom, Moabe, Etiópia e Assíria (Sf 2:4-15). Depois de dirigir sua atenção aos pecados de Jerusalém (Sf 3:1-7), o profeta prediz um tempo em que Deus reuniria, redimiria e restauraria o seu povo. Os fiéis gritariam de alegria como verdadeiros adoradores do Senhor Deus, que estaria no meio deles como um guerreiro vitorioso (cf. Sf 3:9-20).
b) Mensagem. Sofonias advertiu o povo de Judá e disse-lhe que caso se recusasse a se arrepender, a nação inteira, inclusive a amada cidade de Jerusalém, seria destruída. O povo sabia que no final Deus o abençoaria, mas Sofonias deixou claro que primeiramente haveria juízo e, mediante o arrependimento, depois viria a bênção. Este julgamento não seria meramente o castigo pelo pecado, mas também um meio de purificar o povo.
Embora vivamos em um mundo decaído e cercado pelo mal, podemos aguardar com esperança a vinda do Reino de Deus. E devemos permitir que qualquer castigo que nos sobrevenha no presente sirva para nos purificar de nossas transgressões.
II. O JUIZO VINDOURO
1. Toda a face da terra será consumida. “Inteiramente consumirei tudo sobre a face da terra, diz o SENHOR. Arrebatarei os homens e os animais, consumirei as aves do céu, e os peixes do mar, e os tropeços com os ímpios; e exterminarei os homens de cima da terra, disse o SENHOR” (Sf 1:2,3). Esta ampla declaração nos lembra que Deus é juiz de toda a humanidade.
Sofonias começa anunciando o juízo divino que virá sobre o mundo inteiro (Sf 1:2,3), pois a raça humana, de maneira genérica, recusar-se-á a buscar o Senhor. Deus mesmo determinou um Dia em que destruirá todos os ímpios, bem como o próprio mundo. Será um tempo de aflição, angústia, perturbação e ruína (Sf 1:15).
Não obstante a declaração de que todos serão alcançados, o profeta, de imediato, chama nossa atenção para Judá (Sf 1:4-2:3). Por quê? Porque Deus é o juiz específico de seu próprio povo. Nós, que somos chamados por seu nome, somos, por isso mesmo, mais responsáveis em desenvolver padrões de comportamento mais elevados do que os outros. Conforme nos lembra 1Pedro 4:17, o juízo começa “pela casa de Deus[…]; ora, se primeiro vem por nós, qual será o fim daqueles que não obedecem ao evangelho de Deus?”.
2. A linguagem de Sofonias. A linguagem empregada por Sofonias sobre o juízo divino sobre todos os povos é literal. Muitos querem interpretar o texto como sendo um exagero, ou seja, uma hipérbole. Mas, quem não aceita que isto é literal não aceita, também, que o dilúvio ocorreu de verdade, é apenas uma história de ficção; não aceita que Israel (as 10 tribos do reino do Norte) foi subvertida pela Assíria, por ordem divina, por causa da idolatria, da degradação moral e injustiça social que imperavam em Israel; não acredita que Judá(o reino do Sul) foi subvertido pela Babilônia, sob o comando de Nabucodonosor, como juízo divino, pelas razões que levaram Israel à destruição.
Não haja dúvida, o juízo de Deus sobre os ímpios será tão literal como o foi sobre a Assíria e a Babilônia; nações estas, banidas de sobre a face da terra por causa de sua oposição ao Deus Supremo e Senhor.
Muitos, aliás, indagam a respeito de como Deus estabelecerá juízo sobre as pessoas que jamais tiveram conhecimento da existência de Cristo Jesus ou de sua obra no Calvário, mas o apóstolo Paulo nos deixa bem claro que todo ser humano, por si só, tem condições de saber que existe um Deus e que Ele é soberano e, portanto, deve ser adorado e reconhecido como tal. Deus se manifestou a todos os homens, independentemente do conhecimento que tenhamos a respeito da justificação que somente se opera por intermédio de Jesus Cristo. Por isso, vemos que nenhum homem poderá se apresentar diante de Deus com a desculpa de que nunca teve a oportunidade de ter ciência de que havia um Deus soberano. Paulo é peremptório: “o poder de Deus e a sua divindade entendem-se e claramente se veem pelas coisas que estão criadas, para que os homens fiquem inescusáveis” (Rm 1:20 ). Como Deus se manifesta, como Deus se revela aos homens? Através da criação. As coisas criadas, a criação de todas as coisas testifica o poder e a divindade do Senhor e, por meio delas, todos os homens são capazes de saber não só que Deus existe, como também que Ele é poderoso e soberano.
3. Descrição detalhada. Sofonias aborda este assunto sob três perspectivas: (a) Sua causa, pois Judá fora infiel ao Senhor (Sf 1:4-9); b) Sua universalidade, pois todas as classes sociais serão castigadas (Sf 1:10-13); c) seu terror, pois será marcado pelos horrores da destruição universal e literal da criação (Sf 1:3; cf Ap 16:1-21), por demais impressionantes que sejam para serem compreendidos (Sf 1:14-18); nessa ocasião, ocorrerá o reverso da criação registrada em Gênesis (Gn 1:20-26).
III. OBJETIVO DO LIVRO
O objetivo do Livro de Sofonias é advertir Judá e Jerusalém quanto ao juízo divino iminente e ameaçador. A aplicação imediata da palavra profética era que a apóstata nação de Judá receberia a justa retribuição por sua iniquidade, o mesmo acontecendo com as nações pagãs em derredor, alistadas nominalmente pelo profeta (Sf 2:4-15). O propósito de Deus era exterminar o baalismo, o sincretismo, as práticas divinatórias e as injustiças sociais que ocorriam em Judá. O alcance imediato da profecia aplica-se à igreja e ao mundo na conclusão da história.
1. Sincretismo dos sacerdotes. A mistura entre o santo e o profano nunca foi permitido por Deus. O povo de Deus deveria viver separado do mundo e qualquer mistura lhe será prejudicial, senão fatal. Balaão levou os filhos de Israel a prevaricarem contra o Senhor, caindo nas ciladas do sincretismo religioso e da prostituição (ver Num 25:1-8; 31: 9,15,16; 2Pe 2:9-15; Ap 2:14). Ele foi morto por causa disso (Num 31:8).
À época de Sofonias, os sacerdotes estavam envolvidos com o sincretismo religioso pagão. Veja o texto de Sofonias 1:4: “E estenderei a minha mão contra Judá e contra todos os habitantes de Jerusalém e exterminarei deste lugar o resto de Baal e o nome dos quemarins com os sacerdotes“.
Os “quemarins“[ou ministrantes, ARA] é a palavra aramaica que significa “sacerdotes”, usada no Antigo Testamento para aludir somente aos sacerdotes idólatras. Talvez se refira aos ministradores de cultos estrangeiros que foram introduzidos em Israel. Estes, junto com os sacerdotes regulares de Jeová (os levitas) que se corromperam, estavam envolvido com o sincretismo religioso; logo, seriam liquidados, conforme explicita Sofonias 1:4. O texto de 3:4 dá mais pormenores acerca de tais sacerdotes corruptos. Houve quem sugerisse que incentivavam a idolatria pela indiferença ou inconsistência de conduta, ou ambos.
2. Sincretismo do povo. O sincretismo do povo é notório em Sofonias 1:5: “e os que sobre os telhados se curvam ao exército do céu; e os que se inclinam jurando ao SENHOR e juram por Malcã“.
- A frase “os que sobre os telhados se curvam ao exército do céu” refere-se ao culto às deidades astrais assírias que entraram em Judá durante o péssimo reinado de Manasses (cf 2Rs 21:3). As passagens de Deuteronômio 4:19 e 17:3 proíbem vigorosamente tal prática. Nesta falsa adoração, as pessoas ofereciam incenso e libações nos telhados planos, os quais, em uma casa oriental, são lugares habituais de atividade e naturais para adorar os corpos celestes.
- O “exército do céu“ abrange todos os corpos celestes - o sol, a lua e as estrelas. Alguns eram objetos especiais de adoração. Na visão que Ezequiel teve na Babilônia, ele viu este tipo de adoração ser praticado no Templo pelos sacerdotes (Ez 8:15-18).
- “Os que se inclinam jurando ao Senhor” prestam lealdade ao Jeová, mas também “juram por Malcã”, o deus nacional dos amonitas. Trata-se de lealdade dividida, a qual todos os profetas de Jeová censuram. Isso esclarece a realidade do ritual sincrético no meio do povo de Judá. Embora com a boca prestassem cultos a Jeová, eles honravam Moloque como deus. Jurar por uma deidade significa confessá-la publicamente, ou seja, comprometer-se abertamente a seu serviço. Jesus condenou em termos bem claros esta lealdade e serviço dividido: “Não podeis servir a Deus e a Mamom”(Mt 6:24).
- “Malcã”. A pronúncia correta é “Milcom” de acordo com a Septuaginta e outras traduções (cf. ARA). Certos estudiosos acham que se refere a Moloque (cf. NVI), o deus fenício cuja adoração desumana (2Rs 23:10; Jr 7:31) prevalecia nos dias de Sofonias.
Sofonias começa anunciando o juízo divino que virá sobre o mundo inteiro (Sf 1:2,3), pois a raça humana, de maneira genérica, recusar-se-á a buscar o Senhor. Deus mesmo determinou um Dia em que destruirá todos os ímpios, bem como o próprio mundo. Será um tempo de aflição, angústia, perturbação e ruína (Sf 1:15).
Não obstante a declaração de que todos serão alcançados, o profeta, de imediato, chama nossa atenção para Judá (Sf 1:4-2:3). Por quê? Porque Deus é o juiz específico de seu próprio povo. Nós, que somos chamados por seu nome, somos, por isso mesmo, mais responsáveis em desenvolver padrões de comportamento mais elevados do que os outros. Conforme nos lembra 1Pedro 4:17, o juízo começa “pela casa de Deus[…]; ora, se primeiro vem por nós, qual será o fim daqueles que não obedecem ao evangelho de Deus?”.
2. A linguagem de Sofonias. A linguagem empregada por Sofonias sobre o juízo divino sobre todos os povos é literal. Muitos querem interpretar o texto como sendo um exagero, ou seja, uma hipérbole. Mas, quem não aceita que isto é literal não aceita, também, que o dilúvio ocorreu de verdade, é apenas uma história de ficção; não aceita que Israel (as 10 tribos do reino do Norte) foi subvertida pela Assíria, por ordem divina, por causa da idolatria, da degradação moral e injustiça social que imperavam em Israel; não acredita que Judá(o reino do Sul) foi subvertido pela Babilônia, sob o comando de Nabucodonosor, como juízo divino, pelas razões que levaram Israel à destruição.
Não haja dúvida, o juízo de Deus sobre os ímpios será tão literal como o foi sobre a Assíria e a Babilônia; nações estas, banidas de sobre a face da terra por causa de sua oposição ao Deus Supremo e Senhor.
Muitos, aliás, indagam a respeito de como Deus estabelecerá juízo sobre as pessoas que jamais tiveram conhecimento da existência de Cristo Jesus ou de sua obra no Calvário, mas o apóstolo Paulo nos deixa bem claro que todo ser humano, por si só, tem condições de saber que existe um Deus e que Ele é soberano e, portanto, deve ser adorado e reconhecido como tal. Deus se manifestou a todos os homens, independentemente do conhecimento que tenhamos a respeito da justificação que somente se opera por intermédio de Jesus Cristo. Por isso, vemos que nenhum homem poderá se apresentar diante de Deus com a desculpa de que nunca teve a oportunidade de ter ciência de que havia um Deus soberano. Paulo é peremptório: “o poder de Deus e a sua divindade entendem-se e claramente se veem pelas coisas que estão criadas, para que os homens fiquem inescusáveis” (Rm 1:20 ). Como Deus se manifesta, como Deus se revela aos homens? Através da criação. As coisas criadas, a criação de todas as coisas testifica o poder e a divindade do Senhor e, por meio delas, todos os homens são capazes de saber não só que Deus existe, como também que Ele é poderoso e soberano.
3. Descrição detalhada. Sofonias aborda este assunto sob três perspectivas: (a) Sua causa, pois Judá fora infiel ao Senhor (Sf 1:4-9); b) Sua universalidade, pois todas as classes sociais serão castigadas (Sf 1:10-13); c) seu terror, pois será marcado pelos horrores da destruição universal e literal da criação (Sf 1:3; cf Ap 16:1-21), por demais impressionantes que sejam para serem compreendidos (Sf 1:14-18); nessa ocasião, ocorrerá o reverso da criação registrada em Gênesis (Gn 1:20-26).
III. OBJETIVO DO LIVRO
O objetivo do Livro de Sofonias é advertir Judá e Jerusalém quanto ao juízo divino iminente e ameaçador. A aplicação imediata da palavra profética era que a apóstata nação de Judá receberia a justa retribuição por sua iniquidade, o mesmo acontecendo com as nações pagãs em derredor, alistadas nominalmente pelo profeta (Sf 2:4-15). O propósito de Deus era exterminar o baalismo, o sincretismo, as práticas divinatórias e as injustiças sociais que ocorriam em Judá. O alcance imediato da profecia aplica-se à igreja e ao mundo na conclusão da história.
1. Sincretismo dos sacerdotes. A mistura entre o santo e o profano nunca foi permitido por Deus. O povo de Deus deveria viver separado do mundo e qualquer mistura lhe será prejudicial, senão fatal. Balaão levou os filhos de Israel a prevaricarem contra o Senhor, caindo nas ciladas do sincretismo religioso e da prostituição (ver Num 25:1-8; 31: 9,15,16; 2Pe 2:9-15; Ap 2:14). Ele foi morto por causa disso (Num 31:8).
À época de Sofonias, os sacerdotes estavam envolvidos com o sincretismo religioso pagão. Veja o texto de Sofonias 1:4: “E estenderei a minha mão contra Judá e contra todos os habitantes de Jerusalém e exterminarei deste lugar o resto de Baal e o nome dos quemarins com os sacerdotes“.
Os “quemarins“[ou ministrantes, ARA] é a palavra aramaica que significa “sacerdotes”, usada no Antigo Testamento para aludir somente aos sacerdotes idólatras. Talvez se refira aos ministradores de cultos estrangeiros que foram introduzidos em Israel. Estes, junto com os sacerdotes regulares de Jeová (os levitas) que se corromperam, estavam envolvido com o sincretismo religioso; logo, seriam liquidados, conforme explicita Sofonias 1:4. O texto de 3:4 dá mais pormenores acerca de tais sacerdotes corruptos. Houve quem sugerisse que incentivavam a idolatria pela indiferença ou inconsistência de conduta, ou ambos.
2. Sincretismo do povo. O sincretismo do povo é notório em Sofonias 1:5: “e os que sobre os telhados se curvam ao exército do céu; e os que se inclinam jurando ao SENHOR e juram por Malcã“.
- A frase “os que sobre os telhados se curvam ao exército do céu” refere-se ao culto às deidades astrais assírias que entraram em Judá durante o péssimo reinado de Manasses (cf 2Rs 21:3). As passagens de Deuteronômio 4:19 e 17:3 proíbem vigorosamente tal prática. Nesta falsa adoração, as pessoas ofereciam incenso e libações nos telhados planos, os quais, em uma casa oriental, são lugares habituais de atividade e naturais para adorar os corpos celestes.
- O “exército do céu“ abrange todos os corpos celestes - o sol, a lua e as estrelas. Alguns eram objetos especiais de adoração. Na visão que Ezequiel teve na Babilônia, ele viu este tipo de adoração ser praticado no Templo pelos sacerdotes (Ez 8:15-18).
- “Os que se inclinam jurando ao Senhor” prestam lealdade ao Jeová, mas também “juram por Malcã”, o deus nacional dos amonitas. Trata-se de lealdade dividida, a qual todos os profetas de Jeová censuram. Isso esclarece a realidade do ritual sincrético no meio do povo de Judá. Embora com a boca prestassem cultos a Jeová, eles honravam Moloque como deus. Jurar por uma deidade significa confessá-la publicamente, ou seja, comprometer-se abertamente a seu serviço. Jesus condenou em termos bem claros esta lealdade e serviço dividido: “Não podeis servir a Deus e a Mamom”(Mt 6:24).
- “Malcã”. A pronúncia correta é “Milcom” de acordo com a Septuaginta e outras traduções (cf. ARA). Certos estudiosos acham que se refere a Moloque (cf. NVI), o deus fenício cuja adoração desumana (2Rs 23:10; Jr 7:31) prevalecia nos dias de Sofonias.
sábado, 1 de dezembro de 2012
Habacuque - A Soberania Divina sobre as Nações - Pr. Altair Germano

A palavra-chave da mensagem de Habacuque é “visão”. O termo deriva-se do hebraicohizzayon, que significa “sonho”, “visão” ou “revelação”. Aqui, trata-se de visões concedidas por Deus, que nos permitem ter uma clara e real percepção e compreensão da condição e realidade: presente e futura, visível e invisível, horizontal e vertical. Observemos, dessa forma, com base nas visões de Habacuque, as condições ou caminhos para um genuíno avivamento.
TER UMA VISÃO DA NOSSA PRÓPRIA CONDIÇÃO E REALIDADE PRESENTE ENQUANTO POVO DE DEUS
“O peso que viu o profeta Habacuque. Até quando, SENHOR, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritarei: Violência! E não salvarás? Por que razão me fazes ver a iniquidade e ver a vexação? Porque a destruição e a violência estão diante de mim; há também quem suscite a contenda e o litígio. Por esta causa, a lei se afrouxa, e a sentença nunca sai; porque o ímpio cerca o justo, e sai o juízo pervertido.” (Hc 1.1-4)
Habacuque nos revela a condição moral e espiritual na qual se encontrava o povo de Deus, marcada pelas seguintes práticas:
- Violência. A violência não se manifesta única e necessariamente na forma de agressão física ou verbal. A violência se revela na opressão e na exploração ao próximo, na falta de respeito e reconhecimento de sua dignidade. A violência nem sempre é histérica e alarmante. Há muita violência acontecendo de forma silenciosa e discreta. O termo hebraico para violência é hamas, que implica em injustiça, ganho injusto, crueldade, dano, farsa, agravo, afronta. A sequência do texto de Habacuque é mais específica quanto ao tipo de violência então praticada.
- Iniquidade. Aqui a ênfase está no vazio (hb. ’awen), na futilidade da vida, em palavras ditas e em ações praticadas que não levam a nada, quem não produzem nada e que não servem para nada. Palavras e ações vazias de sentido e propósito, são claras manifestações de vidas vazias de sentido e de propósito. Em sua visão, Habacuque contemplou dolorosamente um povo vazio, por esse povo estar vazio de Deus.
- Contenda e litígio. Quando a violência e o vazio de Deus (que consequentemente torna a vida sem sentido e propósito) estão presentes, a contenda torna-se algo rotineiro. Pessoas violentas e vazias são especialistas em provocar litígios, brigas, facções, discórdias, discussões e disputas (hb. ribh). Quanto estamos vazios de Deus, brigamos e entramos em disputas por direito de posse de coisas que não nos pertence, e de posições, títulos e cargos para os quais não fomos vocacionados, preparados, nem chamados por Deus para tê-los ou ocupá-los.
- Injustiça caracterizada pela parcialidade nos julgamentos e pela perversão das sentenças. Habacuque viu o enfraquecimento e a frouxidão (hb. pugh) da justiça e do direito, a interpretação perniciosa da lei (hb. torah), e sentença (hb. mispat) adiada ou pervertida. Nestas condições, só os grandes, os poderosos, os ricos e influentes se beneficiam do sistema judiciário. Para o pobre e oprimido resta aguardar a justiça divina, que por sinal nunca falha.
A violência ao próximo é sempre um ato de violência contra nós mesmos. Quando agimos violentamente contra o outro, violentamos a nossa própria consciência, determinando assim a nossa autodestruição integral. Praticamos violência a nós mesmos, quando conscientes ou entorpecidos por nossa insensatez e loucura, nos privamos da presença, da direção e da bênção de Deus.
TER UMA VISÃO FUTURA DE CURA, RESTAURAÇÃO, RENOVAÇÃO E RESSURREIÇÃO RESULTANTE DA INTERVENÇÃO DE DEUS NA HISTÓRIA
“Vede entre as nações, e olhai, e maravilhai-vos, e admirai-vos; porque realizo, em vossos dias, uma obra, que vós não crereis, quando vos for contada.” (Hc 1.5)
O Senhor afirma que fará algo grande. Acontece que o processo de cura, restauração, renovação e ressurreição é por vezes doloroso. A disciplina que vem de Deus, apesar de por um momento suscitar dor, está fundamentada em seu amor. Deus nos ama, por isso nos corrige (Hb 12.5-11). As obras ou ações de Deus nos maravilham porque nos surpreendem. Os seus caminhos, nem sempre são aqueles que imaginamos. Deus nem sempre segue a lógica humana.
Além da declaração de que realizará, Ele deixa especificado o tempo. A coisa aconteceria nos dias dos contemporâneos de Habacuque. Eles sofreriam a disciplina e a correção pedagógica, necessárias para o arrependimento, quebrantamento e obediência:
“Então, o SENHOR me respondeu e disse: Escreve a visão e torna-a bem legível sobre tábuas, para que a possa ler o que correndo passa. Porque a visão é ainda para o tempo determinado, e até ao fim falará, e não mentirá; se tardar, espera-o, porque certamente virá, não tardará.” (Hc 2.2-3)
Os caminhos de Deus podem ocasionalmente promover em nós dúvidas, e certa confusão mental. Ficamos sem entender, sem compreender, sem alcançar. É nesse momento que precisamos descansar e confiar que “[…] o justo, pela sua fé, viverá.” (Hc 2.4b). O justo não questiona o Senhor. Apenas crê, espera, confia.
Na experiência visionária, não apenas os meios no processo de avivamento são conhecidos, os resultados são também revelados: “Porque a terra se encherá do conhecimento da glória do SENHOR, como as águas cobrem o mar.” (Hc 2.14).
Uma inundação do conhecimento (hb. yadha’) da glória (hb. kabhodh) do Senhor sobre a terra é prevista. Não apenas um novo saber sobre Deus, ou uma nova forma de contemplação, mas, um novo e amplo relacionamento com Ele será possível, e isso resultará em seu louvor: “Deus veio de Temã, e o Santo, do monte de Parã. (Selá) A sua glória cobriu os céus, e a terra encheu-se do seu louvor.” (Hc 3.3)
Quando somos contemplados por visões, e quando ouvimos coisas semelhantes àquelas ouvidas por Habacuque, algumas reações e atitudes são esperadas:
“Oração do profeta Habacuque sob a forma de canto. Ouvi, SENHOR, a tua palavra e temi; aviva, ó SENHOR, a tua obra no meio dos anos, no meio dos anos a notifica; na ira lembra-te da misericórdia.” (Hc 3.1-2)
A primeira delas, identificada no texto acima, é o temor, a reverência e o respeito pela pessoa e pela palavra de Deus. Não apenas tememos, mas, também, trememos: “Ouvindo-o eu, o meu ventre se comoveu, à sua voz tremeram os meus lábios; entrou a podridão nos meus ossos, e estremeci dentro de mim;” (Hc 3.16a). Tal temor e tremor não produz medo, antes, produz oração, música e canto.
Habacuque - A Soberania Divina sobre as Nações - Rede Brasil de Comunicação
Igreja Evangélica Assembléia de Deus - Recife / PE
Superintendência das Escolas Bíblicas Dominicais
Pastor Presidente: Ailton José Alves
Av. Cruz Cabugá, 29 - Santo Amaro - CEP. 50040 - 000 Fone: 3084 1524
LIÇÃO 09 - HABACUQUE - A SOBERANIA DIVINA SOBRE AS NAÇÕES
INTRODUÇÃO
Estudaremos nesta lição, sobre o dilema do “profeta-levita” Habacuque com Deus. Analisaremos, que este servo do Senhor, era um homem que buscava respostas perturbado pelo que observava na sua nação (Reino do Sul -Judá). Em seu livro, o questionamento principal do profeta Habacuque a Deus, resume-se a duas perguntas cruciais: (1) Porque o Senhor contempla a maldade de Judá, e mesmo assim não a castiga? (Hc 1.1-4); e (2) Porque uma nação corrupta como a Babilônia, deveria conquistar a nação de Judá, que era menos má? Por fim, após estas duas perguntas ao Senhor e sua rápida resposta, o profeta termina sua profecia com um dos mais belos cânticos da Bíblia, exaltando ao Senhor apesar da iminente derrota de seu povo pelos caldeus.
I - INFORMAÇÕES SOBRE O PROFETA HABACUQUE
Asseguram os estudiosos ser Habacuque da tribo de Levi […] O final de seu livro deixa claro que, de alguma forma, ele era também habilitado oficialmente a participar da liturgia do Templo: “… Ao mestre de musica. Para instrumento de corda” (Hc 3.19). O termo traduzido no texto citado como “instrumento de corda” é “neginoth”, que tem em si a ideia de tanger um instrumento. O capitulo 3 de seu livro é um arranjo musical feito por ele mesmo. Logo, acredita-se que ele também era um levita (COELHO; DANIEL, 2012, p. 72). O comentarista da Bíblia Pentecostal diz: “A referência ao “cantor-mor” sobre os instrumentos de música (Hc 3.19), sugere que ele pode ter sido um músico levita a serviço do santo templo em Jerusalém” (STAMPS, 1995, p.1334).
1.1 Nome. O autor deste livro identifica-se como “o profeta Habacuque” (1.1; 3.1). Além disso, não oferece nenhum outro dado acerca de sua pessoa nem de sua família; e como acontece com a maioria dos “Profetas Menores”, quase nada se conhece sobre Habacuque. Ele não é mencionado em nenhum outro lugar da Bíblia (ELLISSEN, 2012, p. 372). Habacuque é um dos profetas pré-exílicos e só ele, em todas as Sagradas Escrituras, recebe esse nome, que pode significar “abraçado”, “abraço” ou “abraço amoroso”. Uma tradição dos rabinos liga o nome do profeta a (2Reis 4.16), fazendo-o filho da sunamita: “Disse-lhe o profeta: Por este tempo, daqui a um ano, ABRAÇARÁS um filho” […]. Segundo especialistas, seu nome deriva provavelmente de um vocábulo assirio usado para designar uma planta “hambakuku” . Jerônimo, no quinto seculo d.C., afirmou que o nome do profeta derivava de uma raiz hebraica cujo significado era “segurar”, e que recebera esse nome, ou por causa do seu amor a Deus, ou porque lutara com Ele (COELHO; DANIEL, 2012, pp. 70-71).
1.2 Livro. No livro de Habacuque o autor usa ilustrações e comparações cheias de vida (Hc 1.8,11,14,15; 2.5,11,14,16,17; 3.6,8-11).
Podemos identificar na obra pelo menos três estilos literários distintos: (1) o diálogo entre o homem e Deus, o que faz lembrar uma espécie de diário (Hc 1.1-2.5); (2) um conteúdo semelhante ao dos demais livros proféticos do AT, na passagem dos cinco “ais” (Hc 2.6-20); e (3) uma parte poética,, semelhante aos salmos (Hc 3). Assim, podemos dizer que ele é um diálogo, pode ser uma profecia ou um poema. O livro demonstra a grandeza e a excelência de Deus sobre todas as nações (Hc 2.20; 3.6,12), enfatizando a soberania divina. E destaca com a mesma intensidade a fé dos justos (2.4) e a exultação que deve ser dada ao Senhor (3.18,19).
1.3 Período que profetizou. Há apenas três referencias históricas em todo o livro de Habacuque. A primeira se encontra na declaração “Deus esta no seu santo templo”(2.20) e a segunda, na nota ao final do livro “Ao mestre de musica. Para instrumento de corda” (3.19); e em Habacuque (1.6) temos a outra referência histórica onde o texto fala da iminência de um ataque dos caldeus. Esses textos indicam claramente que o autor profetizou antes de o Templo construído por Salomão em Jerusalém ser destruído em 586 a.C. por Nabucodonosor. Por isso, a data sugerida para a profecia de Habacuque na maioria dos estudiosos bíblicos a mais provável é a que se situa em 609 a.C., no fim do reinado do bom rei Josias no reino do Sul (Judá), o qual começou seu governo aos oito anos de idade (2 Cr 34.1-33). “O quadro de violência, contendas e apostasias, tão generalizadas em Judá na época de Habacuque (Hc 1.2-4), parece caber dentro do período que se seguiu imediatamente após a morte de Josias, em 609 a.C” (SCHULTZ, 2009, p. 472).
1.4 Contemporâneos. “Habacuque foi contemporâneo de Sofonias e Jeremias em sua terra (Judá) e de Daniel na Babilônia” (MEARS, 1997, p. 282 - grifo nosso).
II - JUDÁ NOS DIAS DE HABACUQUE
2.1 Situação política. O império mundial da Assíria caíra exatamente como Naum havia profetizado. O Egito e a Babilônia disputavam então a posição de liderança. Na batalha de Carquemis, em 605 a.C, na qual Josias foi morto, os babilônios foram vencedores […] Os juizes eram corruptos e julgavam conforme os subornos que recebiam (MEARS, 1997, p. 282).
2.2 Situação social. A reforma de Josias terminou com sua morte em 609 a.C, e as sementes de corrupção plantadas por Manassés frutificaram com rapidez sob o reinado de Jeoaquim, trazendo um desequilíbrio social muito grande […] Judá era corrupto e estava prestes a ser julgado (ELLISSEN, 2012, p. 373).
2.3 Situação espiritual. Os tempos de Habacuque eram críticos. As suas palavras se justificam plenamente pelo contexto político e espiritual de seu tempo. Logo depois da morte do rei Josias. Joacaz, seu filho, assume o trono, mas só reina por três meses. Faraó Neco vem da campanha em Carquemis no Egito (605 a.C), depõe Joacaz e coloca seu irmão, Jeoaquim (ou Eliaquim) no trono, em seu lugar.
Judá (Reino do Sul) começa agora a pagar tributo ao Egito. E pior: a impiedade voltou a reinar como nos dias do rei Manassés (2Cr 33.1-20; 2Rs 21 1-18) e de seu filho Amom que seguiu bem os passos maus do pai (2 Rs 21.19-26; 2 Cr 33.21-25). As reformas feitas por Josias haviam tido um resultado superficial. Não atingiram em cheio o coração do povo que, mal enterrara seu bom rei, já se entregava de novo ao paganismo (COELHO; DANIEL, 2012, p. 75).
III - A SITUAÇÃO DE JUDÁ NOS DIAS DE HABACUQUE
Os acontecimentos que acarretaram a destruição de Judá, em 586 a.C, e o exílio de seus habitantes na Babilônia estavam diretamente relacionados à incompetência política de seus líderes e à apostasia religiosa […] (2Rs21; 2Cr 34,35). Quando os assírios foram derrotados em Nínive (612 a.C), o Egito tomou o controle de Judá. Alguns anos depois (605 a.C), a Babilônia derrotou o Egito e levou os judeus cativos para sua terra (2Rs 24.18 - 25.12) (SCHULT; SMITH, 2005, p. 227). Vejamos qual a situação de Judá neste período:
- Os justos e os pobres eram oprimidos (1.4;13-15);
- O povo vivia em pecado aberto (2.4; 14-15);
- Havia adoração aos ídolos (2.18-19).
Mediante esta situação, Habacuque faz uma declaração de que “o justo viverá por sua fé”, onde alguns estudiosos do AT preferem dizer: “o justo por sua fidelidade viverá” (Hc 2.4) que é o texto chave do AT usado pelo apóstolo Paulo em sua Teologia da Justificação como também pelo escritor da Carta aos Hebreus ( Rm 1.17; Gl 3.11; Hb 10. 37-38). Texto este que refere-se aos exilados que foram levados cativos pelos caldeus, mesmo sendo fieis a Deus, como por exemplo: Daniel, Hananias, Misael e Azarias (Dn 1.1-6).
Habacuque tem sido tem sido denominado de “o livro que começou a Reforma”(ELLISSEN, 2012, p. 375). Reflitamos o porque da punição do Senhor contra Judá:
Assinar:
Postagens (Atom)